Sem Moral para Reclamar do Governo

Terça-feira passada foi um dia atípico. Criei coragem e fui até a Caixa Econômica para tentar restituir o saldo da minha conta inativa, que eu sabia que tinha, após fazer consulta na internet.

Cheguei ao banco por volta das 11:15 e nem tinha fila para entrar; tinha somente pessoas sentadas, ocupando todas as cadeiras de espera disponíveis (talvez umas 40) e meia dúzia de gatos pingados em pé. Tentei, primeiro, ver se conseguia alguma coisa no caixa eletrônico com meu Cartão do Cidadão, que eu nunca usei na vida. Eu nem sabia se aquele trem funcionava, e sabia que tinha uma senha, mas só podia ser uma; BINGO! Após a tentativa frustrada de saque, a informação impressa que recebi era que não havia saques liberados para meu NIS (e eu acreditei na informação que me passaram, que seria depositado automaticamente na minha poupança na época correta, tolinha…). Eu, que não tinha ido preparada, não levei a carteira de trabalho, entrei na fila para pegar informação, e descobri que eu tinha que entregar cópias da minha carteira de trabalho e RG. Desanimada, peguei a senha e inocentemente perguntei à moça se daria tempo de ir em casa e pegar os documentos, em tempo de ser atendida. Tinha 40 pessoas na minha frente. Doce ilusão a minha…

Peguei o carro e vim correndo para casa, e para ganhar tempo (tolinha 2), eu pedi para minha mãe levar os documentos no portão de casa, para que eu não perdesse tempo procurando. Com fome, nem almocei, mas pensei: Almoço na volta. heheheh

Cheguei de volta na CEF, olhei para a tela de senhas e vi que somente uma pessoa tinha sido atendida. Sem entender como aquilo era possível, eu resolvi investigar, e descobri que só tinha UMA pessoa atendendo. E a agência só enchendo.

Consegui arrumar uma cadeira e sentei. A cada barulhinho de chamada de senha eu olhava inocentemente a tela, e via que ainda tinha um longo caminho pela frente.

Tinha a chamada de números normais, intercalada com os números prioritários, que eu percebi que estavam exagerados. Comecei a observar as pessoas que pediam senha, e fiquei estarrecida com a quantidade de homens que levaram mulheres com filhos pequenos ou grávidas para furarem fila. Tinha homem SOZINHO com criança de colo. Uma pouca vergonha! Para os homens, criança pequena só serve mesmo pra isso, porque chegando em casa, depois de usar a criancinha para furar fila, atira a criança pra mãe e vai pro bar beber com os amigos.

Só para constar, fui atendida às 18:20 horas!!!!!!!!!!!!!!!!!! Foram SETE horas de banco. Em um dado momento, já no fim do dia, quando muita gente já tinha desistido, resolveram colocar mais duas pessoas atendendo. Final de expediente, todo mundo quer ie embora, né? Já chegando perto do meu número, 97 (quando chegei estava em 56), os números pulavam mais rapidamente, porque a pessoa já não estava mais lá.

Pior não foi isso… Como eu tinha visto na internet que eu tinha dinheiro para receber de somente um ex-empregador, eu levei somente cópia dessa página da CTPS. Mas na hora de ser atendida, a mulher só via restituições de outras empresas, e não da que eu via. E enquanto ela procurava a tal empresa que só eu via, eu perguntei para ela se eu podia ir lá fora rapidinho tirar cópia das páginas da CTPS das respectivas empresas que somente ela via, mas a vaca não deixou. Disse que eu teria que voltar outro dia e fazer a bagaça toda de novo. Que ódio que me deu! Depois de tomar bastante tempo fuçando pra encontrar a empresa que ela não via, ela finalmente encontrou. E ela queria me devolver o processo todo pra eu voltar depois pra fazer tudo, e eu disse: não, não, não; faz todo o processo para a empresa que vc tem a cópia, porque eu não sei se vou querer enfrentar essa fila toda pra fazer das outras empresas. Não sei se 200,00 valem o tempo que eu perco aqui. E assim, ela completou o processo e eu vou poder receber meus míseros 500,00 (da empresa que tinha cópia).

Eu realmente fiquei muito zangada com essa situação. Custava a filha duma égua deixar eu ir 5 minutinhos lá fora tirar duas cópias, para não ter que voltar depois e mofar no banco mais um dia? A loja da xerox era do lado do banco! Fiquei pau da vida, também, porque eu tenho certeza que esses desgraçados que usaram filhos pequenos para furar fila reclamam do governo e da situação do país, mas não olham pro seu rabo e veem que o país está na merda que está por causa de gente como eles, que não perdem tempo de dar um “jeitinho brasileiro” para burlar o que é correto para tirarem proveito das situações em que estão. A mentalidade do brasileiro nunca vai mudar, e, sinceramente? O país nunca mais ficará bem de novo. A bandidagem está no sangue do brasileiro, infelizmente. Somente “meia dúzia de gatos pingados” é correta e “não nasceu para ser brasileiro”, assim como eu.

Brasileiro é um povo oportunista e preguiçoso. E provas disso eu vi nesse bendito dia. Não vista a carapuça quem é correto e direito. Se você faz parte do minúsculo percentual que é correto e honesto, parabéns!

Infelizmente, o brasileiro não tem moral NENHUMA para reclamar dos bandidos do Governo!

Bom fim de semana!

Há Sempre um Chinelo Velho para um Pé Cansado

Acho que a primeira coisa que alguém que se separa pensa (depois de uma certa idade), é que vai ficar encalhada pro resto da vida. Esse foi meu pensamento desde a separação do “falecido”. De lá pra cá, já emagreci, engordei, e colecionei novas rugas e flacidez. Antes, mais preocupada com a aparência do que com a saúde, eu queria me exercitar, mas depois de um certo tempo, achei melhor continuar fazendo o que eu sempre gostei de fazer, comer bem, sem me importar muito com o diâmetro dos meus braços e pernas. O que importa é que eu consiga fazer uma boa caminhada sem colocar os bofes pra fora, e isso eu ainda consigo fazer bem, obrigada.

Eu sempre admirei ver nos Estados Unidos, como alguns casais se amam independentemente de suas aparências. Lá, vi muitos caras super gateeenhos com esposas bem roliças (e até feias), e eles as tratando com todo carinho, coisa que no braseel raramente se vê, pois aqui existe um “protocolo de relacionamento”, que parece determinar que o que vem em primeiro lugar é sempre a aparência, e não o conteúdo da pretendente. No braseel, a mulher tem que ser um troféu a ser exibido para os amigos, e não uma companheira e cúmplice para toda a vida. Isso me fez desanimar muito com a possibilidade de algum dia voltar a me relacionar com alguém, porque, se depender somente do conteúdo, roliça como estou, ficaria mesmo encalhada ad eternum.

Outra coisa que sempre me desanimou, é o fato de ser tão frequente encontrar no braseel pessoas (homens, no caso) que não sabem escrever, nem tampouco falar. O cara poderia até ser um George Clooney, mas no primeiro “pra mim fazer”, eu levava um balde de água gelada e caía fora. Foram tantas coisas ruins que encontrei, que por fim, desisti de procurar. Achei melhor me recolher ao meu mundinho, e dedicar minha vida tão somente à fofa da minha filhota e meus gatos.

Já se passaram 7 anos desde que eu me separei. Levei muito tempo para me recuperar do segundo grande baque da minha vida, que foi essa segunda separação, e depois de muito sofrimento, já que eu gostava muito do meu ex, eu finalmente dei a volta por cima e resolvi que não seria tão ruim seguir minha vida sozinha. Aliás, eu acho até que criei um certo bloqueio a relacionamentos. Hoje, quando penso em beijar alguém, me dá um  certo embrulho no estômago. Não me sinto nadinha confortável com a ideia. E como eu nunca tive coragem de me sentar sozinha à mesa de um barzinho, eu me conformei com o fato de que nunca encontrarei ninguém com quem conviver, mesmo que seja para uma simples amizade, já que as “amigas” que eu tinha, como já mencionei em posts anteriores, foram embora junto com o ex e sua nova “namorida” (o que prova que amigas minhas nunca foram).

Então eu pensei: “vou ficar eternamente sozinha (sem amigos ou bofes), porque como eu não saio, ninguém virá bater à minha porta perguntando se eu quero ser sua amiga.”. Ledo engano… Milagres acontecem!

Recentemente eu fiz um post no grupo do meu bairro/condomínio (que é imenso) perguntando se alguém conhecia um técnico de refrigeração que pudesse me indicar, pois minha geladeira estava com problema. Um cara muito solícito me respondeu, não informando o contato de um técnico, mas falando que ele também teve dificuldade semelhante, e como especialista em elétrica-eletrônica, ele pesquisou na internet (já que não entende nada de geladeira) e conseguiu resolver o pepino da geladeira dele. E daí começamos a conversar no post, e a conversa acabou se voltando para um aparelho de som que eu tenho, que está precisando da atenção de um técnico em eletrônica. E com isso, peguei o telefone dele e liguei pra ele para ver se eu conseguiria que ele visse meu aparelho de som.

Ligando para ele, para tratarmos do assunto, descobri que ele vinha fazendo bicos em elétrica-eletrônica, porque ele está desempregado há dois anos, pois a área dele é offshore, ou seja, ele embarcava em navios de prestadoras de serviços da Petrobras, e lidava com coisas tão complexas quanto ROVs (robôs submarinos), sinal de que é inteligente! E como offshore é de certa forma minha área também, me propus a ajuda-lo, pois todos os meus clientes contratam pessoas como ele.

E o papo durou mais de 1 hora. Falamos de trabalho, de viagens, de vinho, de relação interpessoal, dos problemas (e picuínhas) do bairro, de culinária, de família, e a cada novo tema, começamos a ver quantas afinidades nós tínhamos. Combinamos de ir caminhar, já que nem ele nem eu caminhávamos, por falta de companhia. E caminhei com ele mais do que eu costumava caminhar sozinha, pois o papo ia longe.

Em cerca de 4 dias, já éramos bons amigos. Foi uma coisa super legal encontrar alguém tão parecido comigo, que gosta e não gosta das mesmíssimas coisas que eu, e que, assim como eu, tem problemas em se relacionar com pessoas, por não tolerar determinados comportamentos ruins que são tão comuns no povo brasileiro. Para nós, foi como achar um pote de ouro no fim do arco-íris ou ganhar na megassena.

Ontem à noite ele apareceu na minha casa. Educadamente, pela primeira vez, o convidei para entrar e abri uma garrafa de vinho para tomarmos juntos, e a conversa se estendeu por longas horas. E cada vez mais descobríamos uma nova afinidade. Ele quase me bateu quando eu disse que era gorda. Muito fofamente, ele disse que eu não sou gorda, mas macia, hahahahahhaha. Foi muito gentil da parte dele, me fazer acreditar que eu ainda dou um caldo e que ainda consiga despertar a atenção de um homem, ainda mais, mais novo que eu. É o mal (meu) de quem sempre teve complexo de rejeição.

No final, eu percebi que ele estava tão empolgado, que provavelmente quisesse um pouco mais de mim do que eu havia lhe oferecido até então, mas em momento algum ele se manifestou abertamente durante a conversa. Mas o brilho nos seus olhos o dedurava.

Umas quase 4 horas depois ele foi embora, e assim que chegou em casa me telefonou. E nessa ligação, ele abriu seu coração. Era exatamente o que eu havia pensado: ele estava super empolgado por ter me conhecido, e sim, insinuou que me quer como mais do que uma amiga. E como eu sou uma pessoa super sincera, e não gosto de enganar ninguém, eu fui bem clara ao dizer que me relacionar com um homem além da amizade não está nos meus planos, e que se ele me quisesse como amiga, que ele me teria dessa forma. E se estivesse disposto a ser paciente e dar tempo ao tempo, quem sabe no futuro pudesse haver uma possibilidade de um envolvimento maior, já que ainda conhecemos pouco um ao outro – mas sem promessas. Ele nunca me viu num rompante de raiva, nem eu a ele. Por enquanto só vimos nossas virtudes, e não os nossos defeitos. Ademais, no me gusta a ideia de beijar alguém. A muralha que coloquei na minha frente, parece até a intransponível muralha de gelo de Game of Thrones, heheheheh.

Segundo ele, o que o fez me admirar é que eu sou muito inteligente (isso eu já sei, hahahahahah), tenho um papo-cabeça, conheço de tudo um pouco, e o mais importante, aprecio um bom vinho e amo culinária, que são duas coisas que ele ama demais. Ou seja, ele disse que comigo ele consegue trocar conhecimento, e não “jogar pérolas aos porcos”, como vinha fazendo nas últimas tentativas de encontrar alguém que se encaixasse nas suas expectativas. E diferentemente do que eu já vi, também, ele não é um homem que “tem medo” de mulher inteligente e bem-sucedida, como eu vi nas minhas também tentativas frustradas de conhecer alguém.

Enfim, este post de hoje é somente para afirmar que eu estava enganada. Mesmo trancafiadas em casa, é possível conhecer outras pessoas (graças à internet, claro); e achar que a gente é o suprassumo do cocô do cavalo do bandido é algo que não deve existir, pois pessoas têm gostos e pensamentos diferentes, e alguma coisa em você pode fazer a diferença para alguém.

Confesso que me senti muito, muito bem com isso. Só não me sinto feliz por não conseguir, neste momento, atender às expectativas dele. Mas quem sabe com o tempo eu comece a descongelar minha muralha e dar uma chance à felicidade. Definitivamente, há sempre um chinelo velho para um pé cansado!

Bom domingo!

Beijos

Economia Doméstica

E a situação continua crítica em todo o país. Muita falta de emprego, muita falta de trabalho, preços aumentando toda hora. O caos está instalado no país. Eu, cortei praticamente tudo o que podia. Reduzi planos de serviços, cortei plano de saúde, e outras tantas coisas que já falei várias vezes aqui.

No mercado, com 100 reais você não compra mais nada. Só não estamos a um passo de virar uma Venezuela, porque quem assumiu o governo agora não tem as ideologias do governo anterior, apesar de ainda não ser nada que preste. Mas o assunto aqui não é política, mas economia.

Enquanto não tenho tido nada de trabalho pra fazer, tenho assistido muitos vídeos no Youtube de DIY (Do It Yourself), esbarrei em algo que me chamou a atenção: um vídeo sobre como fazer sabão caseiro com óleo usado. Assisti ao vídeo todo, e pensei, com certo nojinho, em como é usar um sabão com óleo de fritura cheirando a peixe… Não curti muito a ideia. Mas logo caí em outro vídeo em que o cara ensina a fazer um sabonete líquido usando óleo novo, e usando também alguns produtos diferentes no sabão, e aquilo me fez ter vontadinha de explorar também essa área (domissanitária), que até então era de exclusividade do desodorante de axilas, que eu hoje já faço com sucesso em casa, usando leite de magnésia, e do bloqueador solar usando óleo de coco e óxido de zinco. Ou seja, já não tenho gasto um tostão com desodorantes comerciais.

E lendo todos os comentários de cada vídeo que assisti, eu finalmente cheguei à conclusão de que de hoje em diante farei tudo o que puder em casa: sabão de lavar roupa, amaciante, creme de mão, sabonete líquido, e o que mais surgir pela frente. Qualquer medida alternativa que traga bons resultados, e principalmente economia, está valendo!

Para lavar louça, eu normalmente uso sabão de coco em pasta da marca Ruth, que é o que eu gosto mais. No entanto, um pote de sabão Ruth de 500g está custando em média 6 reais. Achei aquilo meio incoetente, pois um pacote de sabão em barra de 1 kg custa 13 reais em média. Opa, mas peraí! Pelo preço tem lógica, mas na prática achei que não vale a pena comprar o pote em pasta, pois ralando uma barrinha de 200g de sabão Ruth, colocando no mesmo pote de sabão e colocando água para amolecer, a gente consegue um pote cheio do mesmo sabão.

Na foto acima, o sabão do pote é o que eu fiz ralando o sabão em barra. O nível de sabão está baixo porque eu já fiz há alguns dias atrás e já usei bastante. Deixei amaciando na água por 3 dias, e mexia algumas vezes por dia para homogeneizar mais rapidamente. Para dar um toquezinho especial, coloquei umas gotinhas de essência de coco (domissanitária), e ficou ótimo! Ou seja, com as 5 barras que vêm no pacote de 1 kg, eu terei 5 potes de sabão em pasta. Se eu fosse comprar os 5 potes, eu gastaria pelo menos 30 reais. Para comprar o pacote de 1 kg eu gastei 13,00. Economia de 17 reais.

Ahhhh, mas o sabão que vem no pote é bem compactado, por isso tem 500g! Ok, ok, mas eu prefiro a textura mais macia dele feito em casa, ralando o sabão. E como só um pouquinho do sabão faz bastante espuma, eu ainda acho vantagem, mesmo que a economia seja “ilusória”.

Nas minhas navegações, entrei em várias lojas na internet e vi que existem kits DIY  de diversos tipos de produtos, de sabão de lavar roupa a saponáceo líquido. Comprei o kit de amaciante para experimentar na Casa do Saboeiro, ao valor de 36,00 o kit para fazer 30 litros. Geralmente, o preço que se paga no mercado é 30 reais por 5 litros. Ou seja, se eu fosse comprar os mesmos 30 litros (do kit) no mercado, eu gastaria 180 reais. Tudo bem que ainda tem o frete da matéria prima para fazer o amaciante, mas como eu aproveitei para comprar outros produtos, o frete foi diluído entre as muitas economias que farei daqui pra frente. O primeiro investimento é sempre maior, mas o retorno vem logo em seguida, com as muitas compras do produto comercial que vc deixará de fazer no supermercado.

O ruim de comprar nessa loja em questão é que achei a entrega demorada demais. Mas tirando isso, achei a qualidade do produto muito boa. E assim que chegou, eu tratei logo de fazer 1 décimo da receita, ou seja, se o kit é para 30 litros, eu fiz 3 litros, para ver como seria.

Assim que terminei, coloquei o amaciante nessas duas garrafas, que já estão com o nível baixo porque assim que terminei de fazer já fui logo usando. E como fiz várias lavagens, peguei amaciante das duas garrafas, por isso os níveis baixaram. Mas as duas ficaram cheias até a boca, e ainda sobrou um tiquinho, que eu misturei com outro amaciante que eu tinha aqui.

Quando você compra o kit, você pode escolher a fragrância do amaciante (eles normalmente colocam o nome da fragrância conforme o nome da marca de um amaciante comercial: Comfort, Carícia, etc), e a cor (rosa, amarelo, azul). Eu escolhi o kit Comfort azul.

Foi bastante divertido brincar de alquimista e fazer o amaciante, mas é necessário usar um mixer de mão para ele ficar com a consistência grossa e aveludada, porque só bater na munheca, não rola Eu usei o mixer da Gabi, mas devia ter feito isso antes de colocar a essência no amaciante, pois o mixer ficou com cheiro de amaciante, por mais que eu lavasse muito bem. Ou seja, se eu quero continuar fazendo meus produtos, precisarei comprar um mixer exclusivo para produtos. Achei um a 104,00, de 400W de potência, com frete grátis. O mixer definitivamente precisa ser potente, porque o produto fica bem espesso. Se for fraquinho, pode queimar o motor.

Em cerca de 40 minutos o meu amaciante estava pronto. A única coisa que fiz além do que a receita pede é colocar um pouco de glicerina bi-destilada e fixador de perfume, pois eu vi um vídeo do Marcos Kim (um japa mega show que tem vários vídeos de como fazer produtos domissanitários em casa) em que ele fala que o amaciante que ele fez em casa, usando base de amaciante pronta (a mesma vendida nos kits), não deixou a roupa cheirosa nem macia (por isso ele adicionou a glicerina, para maciez e o fixador de perfume). Eu super aprovei o amaciante. As roupas ficaram bem macias, embora tenha ficado predominantemente com cheiro do sabão líquido que eu uso. Não sei se os cheiros se misturaram, mas as roupas ficaram perfumadas.

Além do amaciante, comprei também material para fazer creme para o corpo, xampu/sabonete líquido e sabonete de glicerina em barra.

O bom de fazer produtos em casa, é que você pode colocar o perfume que gostar mais, pois há uma infinidade de essências nas lojas. Eu amo lavanda francesa, e comprei logo um vidrão de 500 ml para perfumar tudo. Boa parte dos produtos eu comprei na loja Peter Paiva. As fragrâncias deles são excelentes! Ultra bom gosto! Não são as essências sem-vergonha que eu tenho encontrado nas lojas de essências no Saara no Rio de Janeiro, por exemplo. Na Peter Paiva, é coisa phyna! Eles são distribuidores da fábrica de fragrâncias Vollmens. E eles vendem toda a matéria-prima para fabricar os produtos em casa: bases, conservantes, óleos essenciais, essências, manteigas vegetais, material de apoio, embalagens e por aí vai. Para quem quer vender produtos artesanais, esse é o canal!

A foto acima é da manteiga corporal que eu fiz na última madrugada. Estava sem sono, e resolvi fazer o produto, já que meu creme de mão Vasenol acabou ontem. Comprei os produtos indicados na aula que assisti no Youtube, e fiz 1/4 da receita, e deu um bom bocado. Misturei essência de lavanda francesa com hortência e Marine, e o cheiro final ficou lembrando maracujá. Eu nem curto muito cheiro de maracujá, mas esse ficou bem gostoso. A consistência ficou bem espessa, e o creme absorve rapidamente e deixa a pele ultra aveludada. Usei óleo de coco, manteiga de karité, extrato glicólico de aveia e ureia. Terei creme pelo ano todo, já que eu só fiz 1/4 da receita, e ainda tem muito ingrediente.

Para sabonetes, eu comprei umas forminhas de sabonete de silicone bem legais no Aliexpress, aqui e aqui. Mas como demora uns 3 meses pra chegar, eu não aguentei e acabei fazendo os sabonetes de lavanda francesa usando forminhas de cupcake mesmo. Usei extrato glicólico de germen de trigo. Não só a pele ficou perfumada por muito tempo, mas também a casa, depois que terminei de fazer os sabonetes. A cor linda de lavanda ficou por conta da minha filha, que fez a mistura de cores.

Na aula, o Peter ensina que é preciso deixar o sabonete maturar pelo menos uma semana antes de usar, porque ele desmancharia facilmente, mas eu não aguentei e usei assim que endureceu. Não achei que ele desmancha fácil. O único problema, é que na aula ele não diz para colocar fixador de perfume no sabonete, e como os sabonetes ficaram alguns dias ao ar livre para maturarem (endurecerem), eu achei que eles perderam um pouco do perfume. Nos próximos eu usarei fixador, pra ver se firma mais o perfume. Mas acho que tem que envolver o sabonete em filme para não perder o cheiro. Preciso dar um reforço na aula!

Uma pena que não foram feitos nas forminhas de sabonete. Mas logo elas chegarão. Enquanto isso, vou usando esses assim mesmo. Nos próximos que eu fizer, já terão cara de sabonete!

Uma das essências que comprei foi de OMO, porque pretendo fazer sabão líquido de lavar roupa. E como Gabi ama o cheiro de OMO (quem não), ela me pediu, vejam só, para fazer desodorante pra ela com perfume de OMO, hahahahahahaha. E seja feita sua vontade. Ela agora sai de casa cheirando a pessoa que acabou de sair da máquina de lavar. E não só pediu isso, como pediu que fizesse xampu para os gatos “sabor” OMO, também, porque ela quer amassar um gato cheirando a OMO. E atendendo ao seu pedido, fiz o xampu, ao lado, usando extrato glicólico de lavanda (não tem cheiro de lavanda). Só falta, agora, lavar o gato pra ver como ficará.

As propriedades dos xampus e sabonetes dependem dos óleos e extratos glicólicos que são usados. Cada extrato tem uma propriedade diferente, e depois que eu comecei a fuçar a internet é que comecei a entender melhor as propriedades de cada um.

Por enquanto estou na casa da minha filha, no Rio, mas assim que eu voltar pra casa vou fazer o sabão líquido, usando essência de OMO, para ver como ficará. Obviamente vou fazer uma fração da receita, para não desperdiçar material. Se ficar bom, vou fazendo aos poucos, de qualquer forma, para não ficar velho.

Outra coisa que quero experimentar, também, é o sabonete de coco do Marcos Kim, com leite e óleo de coco. De lambuja, vou usar um extrato glicólico de leite de cabra.

Agora, vou voltar aos meus vídeos! Desta vez, de costura!

Beijos!

Adri

Bolo Crumble de Maçã

Depois de tanto tempo sem dar as caras, voltei por uma BOA causa. Minha filha, outro dia comprou no supermercado um tal bolo crumble de maçã, e deu faniquitos porque amou o bolo, e me implorou para fazer pra ela. Como eu nunca tinha feito antes, fiz uma extensa pesquisa na net para encontrar um que parecesse bom, e esbarrei numa receita em algum site, e anotei a receita pra fazer. E hoje foi esse dia.

Eu fiz a receita certinha. Usei balança e tudo mais, para pesar os ingredientes. Mas meu parecer final é:

1) Achei que pode minimuir um pouco todos os açúcares. Acho que uns 20 gramas a menos em cada parte ficará de bom tamanho. O bolo é magnífico (comi quente mesmo, porque não aguentei esperar esfriar), e apesar de não ser doce-melado, achei que um pouco menos de açúcar o fará ser mais bem apreciado.

2) Coloquei uma crocância. Adicionei um punhado de nozes picadas, e em uma parte do bolo eu misturei passas no crumble, pra ver como ficava. Ultra aprovado para as nozes, e aprovado para as passas, embora eu ache que as passas são dispensáveis (mas as nozes, não!).

3) Achei o gosto da canela muito tímido, na quantidade indicada na receita, mesmo eu tendo colocado o dobro da quantidade pedida, na receita que fiz. Certamente, na próxima vou usar tipo 1 colher de sopa, já que eu amo a combinação de canela e maçã, e gosto do sabor marcante da canela. Se esse não é o seu caso, siga a receita!

Como o próprio nome diz, é meio difícil de cortar uma fatia do bolo, porque ele despedaça (daí o nome crumble). Mas gelado a gente consegue mais ou menos essa façanha. Mas inteiro ou despedaçado, o bolo é um primooor!

Bem, vamos à receita ORIGINAL, sem as alterações que eu propus.

BOLO CRUMBLE DE MAÇÃ

Para a massa do bolo:

200g de farinha
150g de açúcar branco (eu reduziria pra 130g)
100g de manteiga gelada cortada em cubinhos (na próxima, usarei 80g, já que vou reduzir o açúcar)
1 colher chá de fermento em pó

Para o recheio:

3 maçãs descascadas, cortadas em meias-luas ou em cubinhos (eu só usei 2 na minha receita, porque achei que não iria caber o resto dos ingredientes na forma se eu usasse as três. Mas certamente, quanto mais maçãs, mais gostoso deve ficar – na próxima, farei num pirex maior).
2 ovos grandes
1 pote de iogurte natural (usei tipo A)
200 ml de creme de leite (usei fresco)
100g de açúcar mascavo (eu reduziria para 80g)
1 colher chá de essência de baunilha
1 pitada de sal

Para a farofa de cima:

120g de farinha
140g de açúcar branco (usei metade branco e metade mascavo – e reduziria para 120g)
80 g de manteiga derretida (como eu reduzirei a quantidade de açúcar na próxima, reduzirei a manteiga para 70g)
1/2 colher de chá de canela em pó (na próxima, usarei 1 colher de sola, para o sabor da canela ficar mais presente)

Antes da primeira assada

MODO DE PREPARO:

Essa receita é feita em 3 partes: 3 vezes, forno por 20 minutos

A primeira parte é misturar os ingredientes da massa em um processador e bater até misturar tudo. Não bata demais, para não esquentar a manteiga e derreter. Tem que ficar uma farofa macia. Pegue 3/4 dessa farofa e coloque no fundo de um pirex grande, levantando cerca de 1cm nas laterais. Cubra essa massa com as maçãs picadas e por cima jogue o restante da farofa. Leve ao forno por 20 minutos. Usei fogo médio até o final, mas o forno daqui é meio devagar quase parando, então, na próxima, usarei fogo mais forte.

Na foto ao lado, a massa ainda não tinha ido pro forno. Depois dos 20 minutos de forno a massa continua quase com a mesma cara. A única coisa que notei de diferente, foi que maçãs cozinharam um pouco e ficaram brilhantes, por causa do açúcar.

Enquanto a massa assa, bata todos os ingredientes restantes (sem as maçãs, claro, pois elas foram na massa) até misturar bem.

Depois de retirada a massa do forno, jogue o recheio por cima, sem misturar, e leve novamente ao forno por mais 20 minutos.

Após 20 minutos, a colocação do “recheio”

Enquanto isso, faça o crumble. Com as mãos mesmo, misture bem todos os secos (e as nozes picadas e as passas, se for usar também), deixando a manteiga derretida por último. Misture bem para ficar homogêneo, e coloque na geladeira até a hora de usar.

Depois dos próximos 20 minutos, retire o bolo do forno. No meu forno, a massa ainda estava um pouquinho crua quando tirei, então, deixei mais 5 minutinhos. Mesmo assim, quando tirei do forno vi que a massa estava um pouco molhada ainda. Mesmo assim, segui com a receita.

Jogue por cima do bolo o crumble, esfarelando bem e espalhando para cobrir todo o bolo. Leve ao forno por mais 20 minutos. Mais uma vez, deixei 25 minutos por causa do meu forno lerdo. Retirei do forno e vi que a massa, apesar de assada, ainda estava úmida. Mas não quis deixar mais no forno, para não deixar passar do ponto, afinal de contas, o tchan desse bolo é ele ser molhadinho e crocante.

E assim ficou meu bolo. Eu ia esperar a Gabi para comer, mas não aguentei, hehehehe. Esse bolo deve ser uma delícia quente, com sorvete, mas realmente precisa ter menos açúcar. Gelado deve ser igualmente muito bom.

Uma receita deliciosa, para quem curte o atraente sabor da maçã com canela. Quase impossível comer um pedaço só! Podem fazer sem medo de ser feliz!

 

APROVEITEM PARA FAZER PARA O DIA DAS MÃES NA PRÓXIMA SEMANA!!!

Se fizerem, depois me contem como ficou!!!

 

Bjs!

Adri

Vivendo Mais um Adeus

Quando minha filha foi embora para o Rio de Janeiro, por causa da faculdade, eu senti um baque imenso. Dali pra frente eu ficaria sozinha com 3 gatos e 4 porquinhos-da-índia.

Um pouco antes de ela ir embora, eu coloquei anúncio no OLX para alugar o quarto dela. Quem sabe eu conseguiria uma graninha extra e talvez uma boa companhia. Coloquei o anúncio mesmo sem ela ter ido embora, porque essas coisas são demoradas, né, então eu quis ganhar tempo. Só que não demorou para uma pessoa entrar em contato comigo. Era uma mulher, Thais, que veio logo ver o quarto.

Mas como minha filha ainda não tinha ido embora e a Thais precisava se mudar logo, eu ofereci que ela ficasse temporariamente no quarto de hóspedes, que fica do lado de fora da casa, até minha filha ir embora. Acertamos assim, e ela ficou no quarto não só até minha filha ir embora, mas até hoje.

Foram 3 anos, que passaram voando. Foi um bom tempo que tivemos para conhecer uma à outra. Eu, inclusive, passei a saber que ela fumava somente depois que ela se mudou. Confesso que se soubesse disso antes, eu não a teria aceito. Mas como sou uma pessoa de palavra, deixei que ela ficasse, somente com a promessa de que jamais fumaria dentro de casa, mas somente na rua.

Thaís é uma mulher mais velha que eu, que trabalhava em um laboratório de análises clínicas no meu vilarejo, e que volta amanhã para o Rio de Janeiro, de mala e cuia, depois de finalmente se aposentar. E chegado esse momento de despedida, eu passo por um turbilhão de sentimentos: um grande alívio, e uma certa dor de cotovelo que disfarça o meu medo da solidão.

Nesses 3 anos, muitas coisas aconteceram. Nos fins de semana, quando Thais não trabalhava e não ia para o Rio ver a família e o namorado, a gente sempre fazia um almoço ou saía para comer fora e/ou íamos ao shopping e/ou cinema. Por muitas vezes fomos até Friburgo almoçar e comprar strudel de maçã. Foram muitos fins de semana bem legais.

Criamos um laço de amizade, tomamos todas, rimos, brigamos, fizemos as pazes e passamos a conhecer os defeitos e as virtudes uma da outra.

Em diversas ocasiões eu rezei para que o dia de hoje chegasse. Por várias vezes me zanguei com a catinga de cigarro que Thais trazia para dentro de casa nas suas roupas, ou quando ela usava a cozinha e não limpava as coisas direito, ou quando ela estragava ou quebrava alguma coisa minha, ou quando eu percebia que ela dormia com a TV ligada, gastando à toa a energia que eu sempre quis economizar.

Certa vez, ela deixou batata doce cozinhando no fogão e aboletou-se no quarto, mergulhada no seu Facebook, e esqueceu a panela no fogo. Eu, que estava no meu quarto, desci com o cheiro de queimado e vi a panela preta torrando no fogão. Apaguei o fogo e fui que nem uma onça dar um esporro nela, e perguntar se ela queria tacar fogo na casa.

E essa não foi a única bronca que levou. Outro dia, ao invés de tirar a tomada da sanduicheira da parede, ela tirou a tomada da cafeteira, e lá ficou a sanduicheira ligada direto. Por sorte eu fui usar a cafeteira e percebi que ela não ligou no botão. Achei estranho ela estar desligada da tomada, pois somente eu uso a cafeteira, e tinha certeza que não a tinha tirado a tomada da parede. Foi então que eu percebi que ao invés de tirar a tomada da sanduicheira, Thais tirou a tomada da cafeteira. E lá fui eu para uma nova bronca.

Teve uma vez que eu reclamei que ela sentava à mesa para suas refeições e nunca conseguia colocar a cadeira de volta no lugar depois que terminava de comer. E a solução que ela achou para o problema foi simplesmente nunca mais usar a mesa para comer; comia em pé, na bancada da cozinha. Foi um radicalismo bobo que eu não questionei. Mas se ela quis assim, deixei quieto. Pelo menos eu sabia que dali pra frente eu passaria a encontrar a cadeira sempre encostada na mesa, como eu sempre deixo.

Foram em momentos assim que eu pensava que seria melhor estar sozinha. Foram muitos estresses e muitas picuinhas, como todo mundo tem quando mora com outra pessoa. É como uma esposa que reclama que o marido nunca consegue abaixar a tampa do vaso, rsrsrsrsr. Todo mundo tem suas manias, e morar em uma casa com uma pessoa com manias diferentes pode ser realmente uma prova de paciência. Mas tirando as coisas “ruins” por que passei com ela, tenho que reconhecer que houve muitos momentos bons.

Thais é uma pessoa muito bacana, boa companhia, e muito parecida comigo em diversas facetas. É claro que ela tem seus defeitos, assim como eu, mas como ninguém é perfeito, seria muita petulância a minha achar que ela tinha que ser. Pessoas são diferentes, e umas aprendem com as outras. E sua maior virtude, é sem dúvida ser uma pessoa correta e honesta, como eu sou.

Por duas semanas ela ficou no Rio procurando apartamento para ela, e eu fiquei em casa, ensaiando minha solidão para este dia. E tendo finalmente conseguido alugar um apartamento, hoje ela voltou para arrumar suas coisas e finalmente ir embora.

Enfim, chegou o grande dia! Ela vai embora! E como me sinto? Não sei…; não…..      sei…..

Pensando friamente, em nenhum momento na minha vida nesta casa eu fiquei totalmente sozinha, porque depois que meu ex foi embora, eu ainda tinha minha filha. E depois que minha filha foi embora, eu passei a ter a Thais.

Acho que a imensidão da solidão que vem aí me assusta um pouco, principalmente porque eu não tenho amigos, apesar de preferir assim. A única coisa que sei, é que daqui pra frente tudo na minha casa ficará exatamente do mesmo jeito que eu deixar. Não encontrarei mais o chão da cozinha salpicado de gelatina, não encontrarei mais a louça esporadicamente mal lavada (porque eu lavo usando óculos, e ela não), não reclamarei mais da inhaca de cigarro, não reclamarei mais da TV ligada enquanto ela baba o travesseiro, e coisas do gênero.

Em contrapartida, sentirei falta da companhia para ir ao cinema, ao shopping, ao supermercado, ou ao Hortifruti. Sentirei falta de beber vinho e jogar conversa fora numa sexta à noite. Sentirei falta dos almoços requintados dos fins de semana e de falarmos sobre as postagens dos nossos amigos no Facebook. E não menos importante, sentirei falta do dinheirinho do aluguel que ajudava a deixar minha conta corrente menos raquítica.

Na vida, tudo tem seus prós e contras. E na vida, tudo é uma questão de adaptação. Da mesma forma que ela se adaptará feliz à sua nova vida de aposentada, em sua própria casa, agora perto da família e namorado, eu me adaptarei, entorpecida, à minha merecida solidão (“merecida”, com toda ambiguidade que o contexto requer).

Neste momento, tomando sozinha minha taça de Pinot Noir, dou um profundo suspiro, pensando no que minha vida de cinquentona solitária me trará, já sentindo saudade da amiga que conquistei, de quem eu muitas vezes quis “me livrar”. Agora, imagine se nem os gatos eu tivesse…(só os gatos, porque todos os porquinhos morreram)

E a vida segue…

 

 

As Decisões para o “Fim da Vida”

Depois de quase dois meses ausente, eis-me aqui, sem muitas novidades, mas viva.

Fugida do calor imenso que assolava meu vilarejo (chegou a fazer sensação térmica de 51 graus), eu resolvi vir para a casa do meu irmão em Brasília, onde a temperatura costuma ser mais amena e menos torturante pra mim. Já estou aqui há 12 dias, e por mim não voltaria nunca mais para minha casa. E é esse o tema da filosofia de vida de hoje: o que farei do meu resto de vida.

Logo no primeiro dia em que cheguei na casa do meu irmão, me deparei com algo que fez eu me sentir como um estrangeiro visitando o Amazonas. Alguém aí já viu um tucano sem ser num zoológico ou criadouro de aves exóticas? Eu vi, no dia em que cheguei!

As aves voavam livremente pelos céus de Brasília (mais precisamente do Parkway), e eu olhei para os tucanos pouco acreditando no que via, e vi mais de um dia! Vi também papagaios e maritacas. Para mim sempre foi algo que eu nunca esperaria ver em um país já tão destruído pelo homem. Eu me senti como uma típica criança urbana que nunca viu ao vivo uma galinha sem ser congelada na gôndola dos supermercados.

Pensei logo no filme Rio, em que supostamente (e hilariamente) o Rio de Janeiro teria pássaros exóticos voando livremente pela cidade. Até pode ser que existam nas matas mais fechadas, mas na zona urbana, como o filme  mostra, é de rir.

Já tenho 50 anos; corpitcho de dinossauro e mente de 18. É sempre assim. A mente nunca acompanha a “evolução” do corpo. E já tendo uma filha às portas da formatura, quase tropeçando na sua finalmente independência financeira, a única coisa em que tenho pensado é no que fazer da minha vida sozinha.

Moro em uma casa de tamanho não compatível com uma pessoa somente (e 3 gatos), e isso tem me feito pensar mais frequentemente sobre o meu futuro, já que minha filha não quer (e nem eu) que ela volte para o vilarejo onde moro para se enterrar viva, sem perspectivas de trabalho (e de vida evoluída). Ela tem toda uma vida à sua frente, e não quero que ela tenha o mesmo fim que eu estou tendo, embora eu até que esteja bem tranquila sozinha, sem ninguém pra me encher o saco, apesar de ser chato, às vezes.

Como meu irmão mora em um lugar muito fresco e bom, por que não morar perto dele? A única coisa que me impede de fazer isso, no momento, é o fato de eu não saber ainda o que fazer com minha casa, já que por questões legais eu não posso vendê-la, que é o que eu realmente queria, para não ter que morar de aluguel. E estando o mercado imobiliário em todo o país decadente, até alugar minha casa (se tivesse sorte) poderia ser um mau negócio, pois se já está difícil para eu manter uma casa do tamanho que é, sendo proprietária, imagine para um inquilino. Mas vontade não falta de me mandar de onde moro.

Acho que de vez em quando precisamos dar uma sacudida na vida, e mudar tudo, como quem muda os móveis de lugar na casa, ou compra novos. Acho que é isso que estou precisando: mudar de ares e ter novas perspectivas, já que até o trabalho anda ainda péssimo.

Morar sozinha só tem me dado a certeza de que se eu tiver um piripaque, vou empacotar de vez, porque não terei ninguém para me acudir. E essa minha realidade é a realidade de inúmeras pessoas hoje em dia, já que quase ninguém mais quer casar (e se o faz, separa logo).

Se eu morasse perto do meu irmão, poderia ao menos ter um fiapo de esperança de não morrer logo se eu passasse mal, já que eu poderia pedir socorro a ele (olha o nível do papo!). É triste pensar nessas coisas, mas essa é a realidade de quem já está ficando com o prazo de validade vencido. E é por morar sozinha e não ter amigos onde moro que eu acho a maior besteira do mundo pagar plano de saúde. Pagar pra quê? Pra eu ter um treco e não ter como ir para o hospital? Quem iria me acudir se eu não não tenho a quem chamar? Quem me encontraria? E na minha cidade os melhores hospitais são públicos, que já tiveram seus dias de glória. Pra quê plano de saúde?

Minha filha, que fala comigo praticamente todo dia, poderia até achar estranho eu não responder a qualquer mensagem sua, mas até ela finalmente resolver ir atrás de mim já seria tarde demais, já que ela mora a quase 300 km de distância.

Morar perto do meu irmão não seria bom só pelo lado de ter esperança de ser socorrida “a tempo”, mas seria bom também porque eu e minha cunhada poderíamos abrir algum negócio, que sempre foi assunto das nossas conversas. Mas é fato que sempre há um lado bom e um ruim de morar perto da família. Mas pensar sobre eventuais lados ruins não são assunto de debate pra mim no momento, já que estou tão bem na casa do meu irmão, e acho que ele está feliz por me ter aqui.

Tudo o que eu queria era poder resolver problemas rapidamente e de maneira bem fácil, mas é difícil. E tomar decisões assim é especialmente difícil quando se vive só. Pensar sobre o futuro na “velhice” já é difícil o suficiente, em um país zoneado como o braseeel (com b minúsculo mesmo). Esse assunto tem estado em pauta na minha vida já há muitos meses, e fico pensando sobre quando ele largará do meu pé.

Com essa confusão de aposentadoria em debate na política do país, a única coisa que eu quero agora é poder me aposentar por invalidez, já que sou surda. Já comecei a me mexer e já estou tentando ver isso. Tomara que ao menos isso dê certo logo. Qualquer dinheirinho extra já ajuda.

E por falar nisso, estou esperando ansiosamente que chegue junho, que é quando poderei ver a questão do valor que poderei sacar da minha conta inativa de FGTS. Enquanto a situação de trabalho estiver ruim, o negócio é dar tiro para todo lado, e tirar dinheiro de onde puder (desde que se tenha direito a ele, claro).

Enquanto espero a vida passar, curtindo ainda os últimos 10 dias que me restam “no paraíso”, eu deixo com vocês uma receitinha deliciosa que fiz ontem: BRIGADEIRÃO.

1 lata de leite condensado diet
1 lata (mesma medida) de leite
4 colheres (sopa) de cacau ou chocolate em pó
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de amido de milho
3 ovos
2 a 3 colheres (sopa) açúcar (a gosto)
1 colher (chá) essência de baunilha

Bater tudo no liquidificador e despejar em forma com furo no meio, untada e polvilhada com cacau em pó (usei forma de silicone, então não precisei untar nem polvilhar)
Assar em forno 180 graus por cerca de 50 minutos ou em micro-ondas, potência máxima, por cerca de 15 minutos (dependendo do forno). Desenformar frio.

Calda:
1/2 xícara de leite
1/2 xícara de leite condensado
3 c.s. de creme de leite (usei fresco)
3 c.s. de cacau em pó (ou mais, se preferir mais escuro)
1 c.sob. de amido de milho

Levar tudo ao fogo até encorpar (não fica grosso demais)

Jogar por cima do brigadeirão quando estiver morno.

Até a próxima!

Diferenças

Em meio a tantas notícias bombásticas recentemente, no país e no mundo, o que tem me chamado mais atenção é sobre a questão de ver tanta gente vendo coisas erradas acontecerem e acharem normal a ponto de armarem barracos nas redes sociais.

Eu detesto política, e sempre fui uma alienada política totalmente consciente. A partir do momento em que eu passei a ser diretamente (e brutalmente) afetada pela condição precária em que ficou o país devido aos assaltos descarados aos cofres públicos, acendeu a luz vermelha da minha consciência e comecei procurar entender um pouco mais sobre “mortadelas” e “coxinhas”, coisas que até então eu considerava somente como petiscos gostosos que eu adoro comer.

Não me considero nem mortadela e nem coxinha, e não tenho preferências partidárias (ainda continuo odiando política). Sou apenas uma pessoa que recrimina atitudes erradas de pessoas que são egoístas e ambiciosas (da pior maneira possível), que não pensam nas outras pessoas e que não querem o bem de quem mal nunca lhes fez. Tudo o que eu quero é um país governado por pessoas que defendam os interesses e necessidades do povo sem tirarem proveito de situações ou das fraquezas do povo.

Hoje, olhando o Facebook, vi alguém postando elogios ao João Dória, atual Prefeito de São Paulo. Nos comentários, algum “Bolsonarista” nada educado protestava contra o PSDB na prefeitura de São Paulo, como se o Dória estivesse fazendo tudo errado desde que entrou. Fiquei simplesmente chocada com isso. Desde que foi eleito, não faço outra coisa a não ser ficar extasiada com cada ação que o Sr. Prefeito tem tomado, demonstrando, além de total comprometimento com as funções para as quais foi eleito, respeito à população. Até mesmo na questão das pichações (que eu confesso ter achado desnecessária para o momento) não acho que ele esteja de todo errado, embora eu ache que haja um abismo de diferença entre pichação e grafite.

Grafite (arte) e pichação (sujeira)

Grafite (esquerda) e pichação (direita)

Grafites costumam ser bem legais. Considero certamente uma arte. Já a pichação, só serve mesmo para deixar tudo feio e com aspecto de lugar largado. Se ele quis ser imparcial e não diferenciar um do outro, é um direito dele como prefeito da cidade, mas acho que os grafites poderiam ter sido poupados, porque eles dão um pouco mais de cor a uma cidade que já é tão cinza. Talvez essa tenha sido a única atitude dele que eu não fui totalmente a favor até o momento.

Ainda no Facebook, o lugar da discórdia, eu vi uma página marretando a demissão dos médicos que divulgaram no WhatsApp informações sobre a ex-primeira dama Marisa Letícia, porque no entendimento do dono da página, os médicos não fizeram nada errado, já que a Dona Marisa “é uma cúmplice de crime”. Outro motivo de choque para mim.

Não importa se a senhora Marisa foi cúmplice no crime ou não, se enriqueceu ilicitamente ou não, se repudiou os pobres ou oponentes partidários ou não! Por mais que eu tenha minhas opiniões sobre essa senhora, estão totalmente errados os médicos que em um grupo de médicos divulgaram fotografias e disseram que queriam que a matassem. Só provaram que o juramento de Hipócrates que fizeram ao se formarem foi o mesmo que cantar um pagode num fim de tarde em um churrasco com todo mundo bêbado.

Eis o trecho do juramento que eles quebraram:

Sobre aquilo que vir ou ouvir respeitante à vida dos doentes, no exercício da minha profissão ou fora dela, e que não convenha que seja divulgado, guardarei silêncio como um segredo religioso.

Se eu respeitar este juramento e não o violar, serei digno de gozar de reputação entre os homens em todos os tempos; se o transgredir ou violar que me aconteça o contrário.

Não importa que seja um padre ou um estuprador, os médicos têm que ser imparciais e tentar ao máximo salvar vidas, mesmo acreditando que todo mal que tal pessoa tenha feito seja digno de penitência ou morte.

Em relação a questões médicas, eles não deveriam externar seus sentimentos publicamente como profissionais comuns, que têm liberdade de expressão e falam o que devem e não devem. Tudo bem que foi num grupo de WhatsApp, que seria basicamente o mesmo que os médicos do grupo estarem fisicamente em uma reunião informal debatendo o assunto, mas alguém no grupo (que tem bom-senso e respeito ao juramento que fez) achou errada a atitude das pessoas que fizeram tais comentários e acabou protestando de uma forma não muito boa, que foi divulgar a atitude fora do grupo.

Não sou especialista em questões éticas de nenhuma área; apenas tenho mais conhecimento da ética da minha área, e noções de ética de outras áreas.

Não acho que a punição dos médicos envolvidos nesse caso esteja errada. Por mais que tivessem infinitos motivos para detestarem a senhora Marisa, eles não poderiam ter dito e feito o que fizeram.

Acho que a situação atual do país criou facções entre a população. As pessoas com diferenças partidárias passaram a se odiar e se atacar nas redes sociais e até mesmo nas ruas. É triste ver a que ponto chegamos. Tenho até medo do que possa acontecer no futuro, se a situação do país não melhorar logo.

De qualquer forma, eu sou a favor do João Dória, fosse ele de que partido fosse. Eu não tenho preferência por partidos políticos, mas por ver que coisas certas estão sendo feitas. Se ele se candidatar à presidência em 2018, continuando a mostrar trabalho e atenção à população, sem desviar qualquer verba a que tenha acesso, certamente ele terá meu voto. Quero ver o Brasil sair do buraco, com políticos honestos e comprometidos, e ver todas as pessoas com diferentes ideologias se respeitando e se ajudando. A união faz a força! E enquanto as pessoas ficarem se segregando entre mortadelas e coxinhas, ninguém vai sair da lama em que está.

Bom fim de semana!