Talharim ao Creme de Limão e Camarões

Hoje foi dia gastronômico. Aproveitei o friozinho gostoso pra tomar uma margarita, e pensei que isso era phyno demais e merecia um prato à altura. Resolvi fazer o clássico “premiado” macarrão ao creme de limão da minha filha, e escolhi um lindo talharim italiano e camarões VM para acompanhar.

Seguem os ingredientes para duas pessoas:

8 ninhos de talharim

600 g de camarões VM sem casca (eu usei com casca, para um “pulo do gato”)

Meia cebola grande

4 dentes de alho grandes

200 g de creme de leite fresco – fica muito mais gostoso com creme de leite fresco, mas como eu estava sem, usei de caixinha mesmo.

Suco de um limão

Raspa de um limão

Sal e pimenta a gosto

Manteiga

Salsinha picada

Água para cozimento

Comece descascando e limpando os camarões, se usar também com casca. Use uma faquinha bem afiada e faça um corte na parte de cima do camarão, da cabeça ao rabo, para extrair a tripa. O meu era sem a cabeça, mas fica à sua escolha.

O pulo do gato é esse: jogue as cascas na água que irá cozinhar o macarrão e deixe levantar fervura. Ferveu, passe a água na peneira para tirar as cascas e coloque a água de volta na panela para cozinhar os ninhos de macarrão. Cozinhe até ficar al dente. Esqueci de tirar a foto do macarrão cozinhando, mas acho que vocês conseguirão se virar bem sem ela, hehehehe.

Enquanto o macarrão cozinha, pique a cebola bem pequenininho e pique ou rale os dentes de alho. Eu prefiro ralar no zester (ralador de cítricos), para aproveitar bem o sabor do alho.

Usando o zester, rale todo um limão Taiti. Eu prefiro o Taiti porque tem o sabor mais intenso que o Siciliano, mas fica do gosto de cada um, se preferir o Siciliano.

Depois dê uma rolada no limão com um pouco de força em cima da bancada da pia para amaciá-lo e extraia o seu suco. A quantidade é meio limão por pessoa, caso queira aumentar a quantidade de macarrão para uma família maior.

Uma boa dica para um limão com bastante suco é comprar limões com a casca bem lisinha. Quanto mais lisa a casca, mais suco terá o limão. Isso vale pra laranja também.

Pique também um pouco de salsinha, a gosto.

Não esqueça de vigiar o ponto do macarrão. Quando estiver pronto, escorra o macarrão e reserve um pouco da água para o molho.

Leve os camarões para fritar na manteiga em fogo alto. Aqui usei 240 graus no fogão de indução. Usei uma colher de sopa rasa de manteiga nos camarões bem sequinhos em papel toalha, para não soltar muita água. Começou a ficar vermelho, vire de lado. Ficou vermelho do outro lado também, tire os camarões e deixe o resíduo na frigideira.

Camarão, se cozinhar demais, fica borrachudo. Então, precisa só dar uma sapecada no fogo pra ficar bom.

No resíduo do camarão, frite a cebola com um pouco mais de manteiga, e quando estiver já molinha, adicione o alho e deixe fritar mais um pouco.

Depois de fritinho, adicione sal e pimenta a gosto, as raspas do limão e também a água reservada do macarrão, usei uma concha quase cheia.

O importante da água é, se vc for usar creme de leite fresco, precisa de menos água, pois ele é mais líquido que o de caixinha. Eu usei meia concha dessa de água porque usei o creme de leite de caixinha, que é mais consistente.

Deixe um minutinho no fogo e adicione o suco do limão e a salsinha.

Adicione também o creme de leite. Misture bem e deixe cozinhar uns 2-3 minutinhos. Se precisar de mais água do macarrão, use.

Jogue o macarrão já escorrido e também os camarões reservados. Misture tudo e está pronto.

Sirva no prato e adicione queijo parmesão fresco ralado na hora. Fica top!!!

Depois conte se gostou! Bjs

Quem não tem Cão Caça com Gato

Em tempos de pandemia não se pode fazer muitas coisas, né? Tudo fica mais complicado, principalmente viajar.

Em junho passado eu consegui tomar a primeira dose da vacina anticovid, pois sou deficiente auditiva, como algumas por aqui já sabem. E como eu sou A neurótica, sou bastante precavida em termos de assepsia anticovid. Ando com umas 20 máscaras na bolsa (que eu mesma faço), álcool 70% em um miniborrifador e um rolo de papel toalha tipo tecido. E levando isso em conta, eu resolvi viajar no início de julho para a casa do meu irmão em Brasília, pois queria muito passar um friozinho mais frio que a cidade onde moro.

Ao entrar no avião bateu aquela nostalgia, aquele aperto no coração de não poder fazer uma viagem VIAGEM mesmo. Passear na casa da família é legal, e tals, mas nunca é o mesmo que viajar / passear de verdade. E para piorar o quadro, meu irmão vai viajar no final do ano para Dallas novamente, a trabalho, e eu, pobrezinha, não posso ir porque meu visto americano venceu e não tem previsão do consulado voltar a emitir vistos. Quase bateu depressão…

Ao voltar pra casa, eu resolvi que já que não posso ir pra fora, pelo menos aqui dentro (braseeel) pode rolar uma viagenzinha, até porque eu já estarei vacinada no mês do meu aniversário, outubro.

Então, já fechei uma viagem pra Gramado, RS na primeira semana de outubro, e desta vez levaremos companhia. Minha filha resolveu que quer levar o meio-irmão junto (filho do pai), e eu achei a ideia legal, principalmente porque o mais longe que o coitado foi foi pra Cabo Frio, RJ. Nunca entrou num avião na vida, e pra ele vai ser um horizonte totalmente diferente, e com direito a Hard Rock Café (só tem 3 franquias no braseeel). Vai ser uma estreia magnífica em todos os sentidos. Ele não faz ideia do passeio maneiro que vai fazer.

Minha filha quer fazer surpresa pra ele sobre o hotel onde ficaremos, que é suuuuuper maneiro. E aproveitaremos para fazer um tour por vinícolas no Vale dos Vinhedos.

Vai ser uma viagem muito legal.

Como sempre, farei meu diário de viagem e postarei fotos no Instagram (@amportas) para vocês acompanharem.

Até lá!

Uma Pérola das Minas Gerais

Recentemente estava fuçando o Facebook e me deparei com um vídeo (clique no link para assistir) que chamou minha atenção. O vídeo mostrava Augusto Ribeiro, um artesão de 21 anos, de Santana do Araçuaí, Minas Gerais, que com mãos de ouro, faz lindíssimas bonecas de barro.

Assisti ao vídeo vidrada, encantada, e apaixonada. Eu precisava ter uma boneca daquelas!!!

Comecei a fuçar a página da Associação de Artesãos de Santana de Araçuaí para tentar descobrir o contato do Augusto, e acabei esbarrando em um pouco da sua história:

Desde os 4 anos de idade, Augusto tem contato com o barro, pois sua tia era aluna da mestra artesã e ceramista Dona Izabel Mendes, na pequena Santana do Araçuaí onde mora, e ele acompanhava sua tia às aulas e eventuais visitas à mestra.

Dona Izabel, que transformava argila em obra de arte, era considerada a mais famosa bonequeira das Minas Gerais. E observando a arte e a beleza das suas peças, Augusto brincava com o barro e começou a fazer pequenas pecinhas.

Uma de suas primeiras peças

A brincadeira virou paixão, e Augusto passou a se concentrar na tentativa de reproduzir os detalhes e expressões que as bonecas conseguiam transmitir. As rotinas seguiam e ele ficava cada vez mais interessado, observando e aprendendo, fazendo suas bonecas pequenas de 20 cm.

Bonecas iniciais, com 15 anos

Decidido a viver como artesão, Augusto passou a fazer bonecas maiores, de cerca de 90 cm de altura, como as que ele cresceu admirando. Suas bonecas receberam marca, técnicas e expressões próprias, e assim foram surgindo bonecas de diferentes estilos e idades, moldadas pelas suas mãos hábeis.

Hoje, depois de cerca de 17 anos de ofício, Augusto segue fazendo suas bonecas com a mesma paixão que tinha quando era um pequeno aprendiz, e sempre buscando melhorar suas técnicas, para ter bonecas cada vez melhores e mais bonitas.

Então, encantada com sua arte, eu decidi procurar o Augusto para saber como conseguir uma boneca, porque eu tinha certeza que minha casa iria ficar mais linda com uma boneca dele, já que seu tipo de arte (rústica e mineira!) é o que me atrai.

Encontrei Augusto no seu Instagram @augustoarte, e dali começamos a nos falar pelo WhatsApp (33-99916 9449).

Muito simpático e atencioso, Augusto me passou todas as informações que eu precisava, e finalmente encomendei minha Aurora (o nome da minha boneca), do jeito que eu a imaginava, e nas cores que eu queria.

Pedi que ele fosse me enviando as fotos da construção da Aurora, que durou cerca de 6 meses, e assim ela foi feita:

Base
Base com tronco
Agora, com braços

Peraí! Vamos dar uma parada aqui, gente! O que são essas flores?????? Estava tudo lindo até esse buquê entrar. Ele ofuscou toda beleza vista até então! Augusto gastou 4 dias fazendo o buquê, e pra mim, sem dúvida, ele foi a coisa mais linda que já vi numa arte em barro.

Base da cabeça
Cabeça detalhada
Cabeça encaixada no corpo

Pronta para a pintura
Pintura básica feita e boneca pronta para ir ao forno. A pintura final é feita depois da queima
Pintura básica após a queima

Depois de seis meses de espera, finalmente minha Aurora ficou pronta!

Vocês irão perceber que os brincos estão diferentes. É porque ele colocou dois tipos, para eu escolher. Eu escolhi o do lado esquerdo da foto, tipo gota. Assim que ela chegar na minha casa, colocarei a foto dela instalada em seu devido lugar. Já está reservadinho!

Custou bem caro, mas valeu cada centavinho. É uma obra de arte! Parabéns ao magnífico artesão!

*** UPDATE EM 03.08.21 ***

Finalmente minha Aurora já está em casa, e é muito mais linda pessoalmente do que nas fotos.

Onde está Wally???

E acima, um vídeo feito pelo escultor, Augusto (seu lindo!!!)

Ecologicamente Correto e Funcional

Minha casa doi construída há exatos 20 anos atrás, e como toda obra feita por conta própria, sem empreitada, até hoje tenho coisas por fazer.

Fizemos na calçada em frente à casa principal, dentro do meu terreno, uma calha para escoamento da água da chuva, para a qual primariamente tínhamos a intenção de por grelhas de alumínio, tipo de piscina, para não ficar o buraco, que poderia causar um acidente. Nesses 20 anos, houve uns 2 ou 3 incidentes que não tiveram grandes consequências, mas o tempo passa, e eu não vou ser uma jovem senhora por muito tempo mais. Logo estarei me arrastando, e certamente as chances de acidentes mais graves existirão.

Quando minha mãe veio morar comigo, há uns 2 anos atrás, eu mandei fazer uma grelha de madeira, e ficou muito bom. Mas infelizmente não tirávamos quando começava a chover, como era o planejamento inicial, e com isso, como era de se esperar, a madeira apodreceu com 1 ano e meio de vida.

Como grelhas de alumínio são extremamente caras e de ferro não rolaria, já que moro em área praiana, estava sem esperanças de resolver esse problema, e cheguei até a pensar em tampar a calha. Porém, ano passado, no Instagram, me deparei com um post de uma empresa do Rio Grande do Sul chamada Ekobio Madeira Plástica, que me deixou bastante animada, não só para resolver o meu problema da calha no chão, mas também para concretizar outros projetos que eu tinha em mente.

A madeira plástica, também conhecida como madeira biossintética, é um composto plástico reciclado que se assemelha à madeira tradicional. É produzida a partir do processo de transformação de plásticos reciclados junto com fibras naturais, e pode conter os mais diversos resíduos em sua composição.

Como base para a fabricação do produto, a empresa usa 70% de polipropileno proveniente de resíduos industriais e de pós-consumo, como sacaria de ráfia, baldes e bacias plásticas e embalagens em geral. Além disso, há 25% de elementos naturais e vegetais, que dão maior rigidez aos perfis de madeira plástica, como casca de arroz ou resíduos industriais fibrosos, e ainda, 5% de aditivos, que complementam as propriedades do polipropileno, agregando maior resistência aos raios UV para proteger a resina e a cor dos perfis.

100 metros quadrados do produto equivalem a 2400 quilos de material reciclável aproveitado e 10 árvores de médio porte que são salvas.

O que achei muito legal é a opção de cores. Comecei a imaginar muitas coisas!

Empolgada com minha descoberta, entrei em contato pelo WhatsApp da empresa, e falei com a Andressa, que é a responsável. Foi muito solícita e simpática, e resolveu todos os meus problemas de maneira bem fácil. Enviei medidas e esboços do que eu queria e voilá!

Achei o preço do produto razoável, considerando a sua vida útil, e enviaram pela transportadora. Chegou bem rapidinho, e eu rapidinho coloquei no lugar pra ver. Não comprei para toda a calha, mas somente para o espaço de maior circulação, que é a porta da cozinha e a varanda.

Calha de chuva tampada com madeira plástica

Na minha onda de horta caseira, aproveitei e pedi para fazer também uns suportes de vaso. Comprei as rodinhas a um preço bem acessível pelo Mercado Livre e eu mesma as instalei. Foi super fácil. Além de ter agora um suporte que aguenta chuva e sol por muito mais tempo, ficou muito bonito e fácil de movimentar os vasos super pesados rapidamente.

Depois disso tudo, resolvi fazer também uma barreira de proteção para uma porta externa que tenho aqui em casa, que fica bem na direção do deságue da calha do telhado. Apesar de ter um toldo sobre a porta, só ele não resolve. A água da chuva cai da calha e molha toda a parte baixa da porta, apodrecendo o caixonete da porta. A cada 5 anos tenho que trocar a parte do caixonete que apodrece, pois nem mesmo uma boa pintura consegue proteger 100%. O ideal mesmo seria por uma calha no telhado, mas sabe aquela necessidade que você empurra com a barriga por achar que o dinheiro daquilo pode ser mais bem utilizado em outra coisa? (viagens, por exemplo, rsrsrsr) Pois é. Arrumei uma forma muito mais barata de proteger a porta. Agora não terei mais sala alagada. É uma porta que vive fechada e raramente uso, então, não vai ser nenhum empecilho. Problema resolvido!

Eles fizeram o projeto com as medidas que passei, e uma vez aprovado, eles fizeram e despacharam.

Projeto feito pela empresa
Peça pronta

Essa peça veio toda desmontada, já furada e com parafusos, para poder economizar no transporte. Chegando aqui, usei uma parafusadeira, e em 20 minutos estava tudo montado e já em uso, pois tem chovido nos últimos dias.

Agora, tudo que penso em fazer em madeira, já penso na Ekobio, pois não precisa verniz nem pintura (se você não quiser pintar ou envernizar).

Eu super recomendo o produto e a empresa, e se você tiver ideias legais em madeira para sua casa, mas fica desanimada com uma curta durabilidade devido à exposição à chuva ou sol, super compensa gastar um pouco mais e ter a segurança de ter um acabamento que pode facilmente enganar qualquer pessoa, pois é muito semelhante à madeira de verdade.

Para mais informações, clique no nome da empresa, que coloquei ali em cima. E para ser mais rápido, colocarei aqui o contato pelo WhatsApp: Andressa (Ekobio) 51-98585.7341. Essa é a maneira mais rápida e interativa, mas se preferir, tem também o e-mail de contato: contato@ekobioind.com.br.

Causo do dia

Quando eu estava grávida, precisei arrancar um siso. Devido à minha condição, a dentista não aplicou a anestesia normal, e disse que aplicaria um raio de uma anestesia “para grávidas”, que nunca funcionou. Fiquei quase 2 horas nessa lengalenga, porque a tal anestesia não pegava nunca, e tudo já deveras magoado por causa do tenta-tenta dela de arrancar o dente com aquele alicatão aterrorizante. No final das contas, eu rodei a baiana e mandei ela aplicar a anestesia normal mesmo, que eu me responsabilizaria. Foi a experiência mais traumatizante em dentistas, na minha vida.
Hoje, precisei arrancar outro siso. O dentista aplicou uma anestesia caprichadona que não doeu nadinha, mas as recordações “aflitantes” da minha primeira experiência “sisal” não me deixou ficar calada, e eu grunhia sem parar, como uma porca sendo abatida. Ele perguntou: “Está doendo?”. Eu (falando como se tivesse uma bola de tênis na boca): “Ão… é fó ner-ofo!” (não, é só nervoso). Ele: “Ainda bem! Mas faz um favorzinho. Não fica gemendo assim não que o pessoal lá fora que está esperando não vai entender nada.”. Resolvi baixar o volume…

Um Mal Necessário

Não sei se é por causa da pandemia, que faz a gente pensar mais e fazer menos, mas esta semana “desenterrei muitos defuntos” nos meus pensamentos e até mesmo nos meus causos contados verbalmente. Esses defuntos são aquelas pessoas que passaram pela minha vida e que hoje dou graças a Deus que tomaram outro rumo, bem longe de mim. Isso inclui ex-amigos, ex-sócios, “exs” e ex-familiares-de-ex.

Algumas pessoas passam por nossa vida e nos decepcionam. Em algumas raras situações, algumas dessas pessoas nos trazem alguma coisa boa antes de mostrarem sua verdadeira cara tempos depois (pelo menos isso, pra compensar a decepção no final de tudo.) E tem aquelas que entram na sua vida como um rolo compressor, que não fazem nada de bom, só trazem peso morto, e quando saem, deixam um rastro de destruição (e alívio).

Porém, por mais mal e decepção que essas pessoas tenham trazido para mim durante o tempo da famigerada relação, eu ainda posso afirmar que sua breve existência na minha vida conseguiu ser benéfica de alguma forma, porque é com base nas experiências que temos no passado que aprendemos a ser mais seletivos e observadores no futuro. Isso, aliado ao amadurecimento, colabora para que consigamos ter êxito em relações futuras de qualquer natureza.

Posto isso, eu posso dizer que os carmas da nossa vida nos são edificantes de alguma forma, e todas as tribulações, raivas, arrependimentos e angústias por que passamos por causa desses seres, de alguma forma nos trazem o benefício da experiência. Então, eu posso afirmar que por pior que tenham sido, meu consolo é que todas essas pessoas indesejáveis serviram de referência para que eu não volte a cair na lábia de outros lobos em pele de cordeiro.

E para fechar esse breve post, eu digo que a gente não deve lamentar por ter conhecido fulano ou beltrano. Se você for uma pessoa inteligente, certamente vai usar a experiência ruim que teve com elas para se edificar e não passar mais por situações iguais.

A Empatia Moderna (Leia-se, Fresca)

Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. Mas e quando a sua forma empática de pensar é diferente da de outra pessoa? Quando você se põe no lugar da pessoa sobre determinado assunto, e você ficaria indiferente e não se importaria com algo, contrário ao comportamento de quase todo mundo? Quando o que é normal pra você, não é normal pra todo mundo?

Infelizmente, o mundo de hoje está absurdamente mimizento e chato ao ponto de as pessoas não poderem mais expressar opiniões que sejam contrárias às de alguém que diga algo com o qual você não concorda, chegando ao ponto de pessoas mentirem para simplesmente deixar outras pessoas satisfeitas ou felizes.

Isso não é pra mim. Se eu posto algo nas redes sociais com o qual alguém não concorde ou não curta, eu poderia ter duas reações: 1) curtir o comentário da pessoa, já que acho que qualquer pessoa tem o direito de pensar diferentemente de mim; ou 2) simplesmente ignorar o comentário, já que quando um não quer, dois não brigam, e contra o silêncio não há argumentos.

O mundo de hoje está diferentemente entediante e insuportável, com tanta gente fresca e carente de atenção e de falso confete. Preferem ler e escutar mentiras do que conhecer uma forma diferente de pensar.

Contudo, reconheço que há formas e formas de se dizer que sua opinião é diferente da de alguém. Expressar uma opinião contrária de forma agressiva ou humilhante não é uma boa abordagem, mas dizê-la sem qualquer conotação de afronta, acho uma forma saudável de perceber que outras pessoas pensam de forma diversa à sua, e muitas vezes pode até lhe fazer mudar de ideia em relação a alguma coisa; pode te fazer pensar fora da caixa.

A conclusão que eu cheguei, é que o mundo de hoje está previsível demais, onde a única coisa a se fazer é simplesmente ficar calado, porque toda gente hoje fica doída por qualquer besteirinha que se fale contrária ao seu pensamento, e não só nas redes sociais, mas também no social in natura. Pra mim, a empatia moderna está fresca e melindrosa demais pro meu gosto.

É por essas e outras que eu prefiro ficar no meu mundinho, no único lugar onde me sinto bem: na minha casa. Assim, tanta gente carente de atenção e mal-amada não consegue estragar meu dia. É por isso que me apego cada vez mais aos meus gatos.

Agradeço Pelas Escolhas que Fiz

Hoje fui dormir às 3 da manhã, porque comecei a assistir a segunda temporada da série da Netflix Dirty John, que conta a história de Betty Broderick, uma mulher que assassinou o ex-marido e sua nova esposa, que era a secretária dele.

Se ninguém assistiu mas deseja fazê-lo, talvez seja uma boa ideia só ler este post depois que assistir, senão, vão me xingar pelos spoilers que lerão.

Pois bem, a série conta a história real de Betty Broderick, uma mulher que conheceu o marido, Daniel, quando ambos estudavam na mesma faculdade, em 1965 – se casaram 4 anos depois. Eles tiveram um início de casamento muito difícil, pois o investimento nos estudos de Daniel os deixou com pouco dinheiro para terem uma vida mais tranquila, ainda mais com um filho atrás do outro vindo – foram 5, sendo que um morreu logo após nascer.

Betty trabalhava enquanto Daniel estudava, e pouco depois do nascimento da primeira filha, em 1970, Daniel se formou em Medicina e manifestou o desejo de cursar Direito em Harvard, para onde se inscreveu e foi aceito. Por incentivo de Betty, Daniel pediu um empréstimo para pagar a faculdade (que começaria a ser pago após sua formatura e início de trabalho), enquanto Betty trabalhava para pagar as despesas da casa / família. Ou seja, ela se esforçou muito trabalhando e cuidando de filhos enquanto o marido investia no futuro da família.

Pouco depois de se formar em Direito, Daniel foi contratado por uma empresa de advocacia em San Diego, para onde o casal se mudou. E durante algum tempo, Betty vendia Tupperware e Avon para ajudar no sustento da família, ao mesmo tempo em que cuidava dos filhos como dona de casa.

Com o passar do tempo, Betty incentivou o marido a pedir demissão da empresa onde trabalhava (e ganhava uma ninharia) e abrir sua própria empresa, que começou pequena e foi crescendo cada dia mais. Daniel era agora um muito bem-sucedido advogado que se especializou em processos judiciais contra médicos, e era agora referência nessa área jurídica.

A essa altura, eles já tinham 4 filhos e Betty era uma mulher bem de vida, que morava em uma casa imensa e gastava rios de dinheiro com roupas e sapatos caros, e vivia saindo para almoçar e papear com 3 amigas cujos maridos eram amigos de Daniel. A relação do casal até então era muito boa, praticamente não brigavam, e passeavam bastante. Chegaram a comprar uma casa de praia.

Em 1982, Daniel contratou uma recepcionista muito bonita, chamada Linda, e num dos eventos em que foram, ao se aproximar do marido, que conversava com os amigos (maridos das amigas), ela ouviu o marido terminar uma frase com “…ela é muito linda”. Encucada, Betty tocou no assunto quando chegaram em casa, e fingindo desinteresse, Daniel disse que contratou uma recepcionista, mas nem sabia o nome dela (mentira, né!). Ali começou o inferno na vida de Betty.

Daniel estava visivelmente se apaixonando por Linda, que safadinha que era, ficava fazendo charme e dando olhares lânguidos para Daniel. E apaixonado que já estava, mudou completamente o comportamento com Betty. Ela já não fazia os carinhos que sempre fez, já não procurava a mulher, e isso estava deixando Betty em desespero, porque ela sabia que tinha caroço nesse angu. Chegou até a ir até a empresa, olhar com seus próprios olhos, quem era a linda Linda, e quase morreu quando viu o quanto ela era linda, além de jovem, claro.

Betty exigiu que Daniel escolhesse entre demitir Linda ou sair de casa. E confrontando Betty, ele disse que quem sustentava a casa e seus luxos de madame era ele, e que se alguém tinha que sair de casa era ela, e não ele.

Pouco depois, Betty descobriu que não só o marido não demitiu Linda, como a tornou sua assistente na empresa, inclusive dando uma sala só pra ela no escritório. Danadinha que era, Linda cada vez mais abusava de olhares e trejeitos sedutores para conseguir que Daniel ficasse perdidamente apaixonado. Aí, foi um caminho sem volta. Passaram-se 3 anos entre a contratação de Linda e a entrada no pedido de divórcio.

O resumo da ópera, é que para ficar (e casar) com Linda, Daniel INFERNIZOU a vida de Betty, que reciprocamente infernizou a vida não só dos pombinhos, como também dos filhos do casal, que ficaram no meio do fogo cruzado. Daniel passou a morar em outra casa (uma mansão, por sinal) com os filhos, comprou um carrão conversível e passou a ter uma vida de playboy apaixonado, fazendo viagens e coisas que nunca tinha feito antes. Ele queria tirar tudo de Betty, e basicamente deixá-la à míngua, embora nos primeiros meses de separação tenha lhe dado uma polpuda mesada. E isso era algo revoltante, porque se não fosse pelo sacrifício e incentivo de Betty, talvez o ambicioso e egoísta marido não tivesse chegado onde chegou, e certamente não tivesse o que passou a ter.

Obviamente os pombinhos não se incomodavam mais em manter a relação pública, mesmo não tendo saído o divórcio dele ainda, e já faziam planos para o futuro juntos. E influente que era no seu meio de atuação, Daniel conseguia o que queria dos juízes, e não precisa dizer que Betty vivia se dando mal, até porque não tinha dinheiro para pagar um advogado para defendê-la no caso, chegando a defender a si própria nas audiências.

A situação tomou um ritmo descontrolado quando, depois de 4 anos de batalha, o divórcio finalmente saiu, onde Betty passou a dever o rim e todos os outros órgãos para Daniel. Agora, Daniel finalmente podia se casar com Linda.

Betty ficou destruída e inconformada, porque ficou sabendo que tudo que Daniel negou a ela desde o início da sua relação com ele, ele deu à Linda, por exemplo, ele vestir um fraque pomposo no casamento, uma lua de mel no Caribe, e principalmente fazer por amor a Linda coisas que ele nunca fez por ela, o que sugeria que Daniel amava Linda muito mais do que a amou. Isso fez a depressão tomar conta de Betty, que já agia inconsequentemente sem ter muito juízo na cabeça. Não suportava tanta ingratidão e falta de reconhecimento de sua importância. E pra piorar a situação, as “amigas” já estavam ultra amiguinhas de Linda, e se afastaram de Betty por não suportarem mais ouvir suas lamúrias sempre iguais.

A gota d’água foi quando ela descobriu que Linda estava grávida, e isso foi o golpe de misericórdia, que acabou de vez com Betty.  Na madrugada de 5 de novembro de 1993, Betty pegou o revolver que comprara dias antes e com a chave da casa de Daniel, que roubara da bolsa da filha em uma das suas visitas, ela entrou na casa e matou a tiros o casal que dormia no quarto.

O caso de Betty e Daniel Broderick (divórcio e duplo assassinato) foi talvez o mais famoso de San Diego, e até hoje Betty cumpre pena na prisão, já tendo negadas duas apelações.

E eu, que ia acordar à 6:30 da manhã de hoje para levar meu irmão à empresa onde iria fazer um treinamento, acabei só tendo 3 horas de sono, porque fui dormir às 3 e acordei às 6. A cada episódio que assistia eu dizia que iria dormir quando acabasse, mas toda vez que um episódio terminava, eu ficava desesperara pra saber o que iria acontecer no próximo, e acabava começando a assistir outro, até que por fim terminei os 8 episódios em uma só tacada.

Enquanto assistia aos episódios eu vi minha vida passar, rsrsrsr. Não no quesito do divórcio conturbado, mas no quesito “como é perturbador desconfiar ou descobrir que seu marido está com outra e talvez mais feliz do que era com você”. O sentimento de que você agora não significa absolutamente mais nada pra pessoa que dizia te amar, é um dos piores que alguém pode sentir, principalmente porque nada do que você possa fazer vai fazer as coisas voltarem a ser como eram antes. Uma vez que seu par se apaixone por outra pessoa, é caixão e vela preta. Pode dizer adeus, porque dali você não espreme mais nenhuma demonstração de afeto.

No caso de Betty, essa angústia foi elevada à décima quinta potência, porque além de traí-la com alguém mais jovem e mais bonita, ele demonstrou não ter reconhecimento algum por tudo o que Betty o ajudou a construir na vida, e ainda tirou tudo dela para dar à outra.

O “engraçado” de tudo isso é que nessas horas as “amigas” nunca ficam do seu lado para te dar apoio, e sempre acabam tendo uma ótima relação com a atual do seu ex, até mesmo falando mal de você pra ela. Sim, eu vivi isso também. O sentimento de abandono é imenso, e pra Betty isso foi muito pior, porque nem os filhos ela tinha ao lado dela, porque Daniel, com a guarda definitiva dos filhos, sempre desmarcava os dias de visita a ela, desmanchando todos os seus planos e expectativas. Era um golpe atrás do outro.

Ele foi um filho da puta, como muitos ex-maridos são. Infelizmente é mais comum a vida de Betty se repetir no mundo de outras mulheres do que um divórcio onde haja honestidade e reconhecimento por parte do homem da importância que a mulher teve na vida dele.

E a cura demora… ôôô, se demora! E sozinha, sem amigos, parece que essa transição dura uma eternidade.

No meu caso, eu segui minha vida, e meu ex seguiu a vida dele, que foi muito mais fácil que a minha. Ele com suas mulheres, sempre uma “oficial” e as acessórias, e eu sozinha, por não querer mais passar com outros o que eu passei com ele.

Hoje ainda mantemos contato porque após nossa separação ficamos com um bem em comum, que exige que todo mês nos falemos.

Coincidentemente, igual ao filme, pouco tempo depois que nos separamos vim a descobrir que ele estava em uma relação séria com a ex-secretária dele, o que confirmou minhas suspeitas de que algum dia rolou algo entre eles enquanto nós ainda estávamos juntos. Toda a tristeza e vontade que eu sentia de um dia tê-lo de volta se tornou um quase ódio. Passei a detesta-lo mais que tudo na vida. Até que enfim o tempo finalmente deu a mim a oportunidade de me vingar de uma forma que me aliviou a alma. Não vou entrar em detalhes porque é uma longa história, mas hoje tenho o prazer de ouvi-lo dizer que eu fui a mulher que ele mais amou, e que ele tem o sentimento de que um dia ficaremos juntos de novo. Eu só rio, porque é a última coisa que quero na vida. A confiança que tive nele, sem dúvida alguma nunca mais terei. Nunca. Mas me encho de alegria por saber que (se não for mais uma mentira dele) ele gostaria de me ter de volta, porque esse gostinho não vou dar a ele. Uma vez mentiroso e traidor, será sempre um mentiroso e traidor. Ele teve a oportunidade dele, e agora, como ele dizia, a Inez é morta, rsrsrsrs.

Tudo isso mudou sobremaneira minha forma de pensar em relação às pessoas. Todo mundo é bom até que prove o contrário, mas olha, é difícil achar uma pessoa que preste hoje em dia. De homem nem quero chegar perto (no sentido homem x mulher). Amigos, vou mantendo os poucos que tenho até que provem não ser dignos da minha amizade.

E assim vou levando minha vida, feliz por saber que a escolha que fiz me permitirá nunca mais sentir a imensa angústia de ser trocada como um sapato velho. A angústia de ter que conviver com uma pessoa que eu não sei se estará falando verdades ou não pra mim. Ou talvez a angústia de ser obrigada a me relacionar com pessoas que visivelmente só me suportam, como os familiares ou amigos dele, porque não sou o que elas esperam que eu seja, ou porque elas não me aceitam como eu sou.

Agradeço a Deus todos os dias por reconhecer que todo o meu sofrimento não foi em vão. Fui esmagada pela depressão e tristeza, e até mesmo pensei em morrer, mas hoje eu sou feliz porque acredito que tomei a decisão certa pra minha vida. E até quando Deus permitir, eu serei uma pessoa sozinha (leia-se EM PAZ) e feliz, como tantas vezes já falei aqui.

Apesar do spoiler longo, recomendo assistirem a série da Netflix.

=*

Povo x Povinho

Dizem que os norte-americanos são soberbos e que se acham melhores do que os outros. Com todo respeito, eu concordo. Tirando os lunáticos e abestados que há por lá, a grande maioria da população é exatamente como eu adoraria que o povo brasileiro fosse.

Fui muitas vezes pra lá, e posso afirmar que a mentalidade do povo americano é invejável. São pessoas que se importam com as outras, são solícitas, solidárias, amigas (depois que se quebra o gelo), e muito, muito gentis.

Aqui no braseeel, você percebe qual é o retrato do povo quando vc navega pelo Facebook. Você faz um comentário, e sem necessidade nenhuma, um abestado vai lá e pá! Te dá uma patada gratuita.

Se você passar mal na rua, pode contar que vai morrer ali mesmo. Ninguém se coça pra te socorrer. É mais fácil ver dois, três abestados filmando com seu celular, do que ver uma alma compadecida te socorrer.

É mais fácil encontrar no braseeel pessoas que querem te ver por pra baixo, do que pessoas que mesmo vendo sua fraqueza conseguem te dar apoio moral pra melhorar.

Sou administradora no grupo do meu bairro no Facebook, e antes de eu entrar o grupo era uma verdadeira zona. A própria dona do grupo disse que já estava prestes a abandonar o grupo, até que enfim cheguei pra colocar ordem na casa, já que com família e deveres domésticos, ela não tinha tempo de gerenciar o grupo. É claro que não preciso dizer que depois que me tornei administradora muitos haters surgiram, por não concordarem com meu sistema mais rigoroso de conduzir o grupo, que antes era “largado”.

Depois que eu me tornei administradora, ninguém pode mais repostar o mesmo post que postava toda semana, ou todo dia. Se navegássemos pelas postagens do grupo, veríamos o mesmo post dezenas de vezes em algumas poucas rolagens de mouse. Agora, tem que dar UP nos comentários para fazer subir o post anterior. Não pode mais postar duplicado.

Esta semana uma pessoa postou um anúncio de produtos que não deu pra entender nada do que ela estava vendendo. Ela só dizia que o cento, dúzia ou unidade custavam tanto, mas não dizia o que vendia. Recusando a publicação do post, eu disse a ela que não fora aceito porque não estava completo o post. A pessoa logo mandou um inbox perguntando o que havia de errado com o post dela.

Dizendo: “BOM DIA PRA VOCÊ TAMBÉM”, para apontar sua falta de educação na abordagem, eu disse a ela que recusei a publicação porque não entendi o post dela, e informei isso na justificativa para recusa. Em vez de ser coerente e EDUCADA, ela se limitou a dizer “OK, NÃO VOU POSTAR MAIS NADA”. Eu disse: “OK, SE PREFERE FAZER PIRRAÇA A CONVERSAR COMO PESSOA CIVILIZADA, FAÇA COMO QUISER”. Ou seja, a imbecil, em vez de conversar com educação e humildade, quis demonstrar sua revoltinha dizendo que não postaria mais nada. Pergunto: QUEM SAIU PERDENDO NESSE CASO? Não fomos nós administradores do grupo, com certeza. O orgulhozinho de brasileira dela fez ela entrar pelo cano, porque eu levo ao pé da letra tudo. Se disse que não postará mais nada, NÃO VOU MAIS ACEITAR NADA QUE VENHA DELA. Ajoelhou, tem que rezar!

Custava ter sido educada e conversar direito, sem pirracinha? Agora a idiota vai deixar de vender num grupo com muitas pessoas, porque preferiu manter sua posição de pessoa irreversível e irrefutável, que não segue regras.

Este foi só um exemplo. Vemos milhares de pessoas com esse comportamento nos comentários no Facebook. Posso afirmar, que seguindo esse comportamento é muito mais difícil conseguir qualquer coisa.

Ser humilde, reconhecer estar errado ou inadequado, é uma coisa que não arranca pedaço. Aprendemos assim, para não errarmos mais, mas mesmo assim a soberba brasileira não permite que ninguém seja amigável ou sensato.

E assim estão os brasileiros hoje. E é isso que me faz cada dia mais lamentar ter nascido num país lindo, mas que não presta, por causa do povinho que nele vive. E é realmente uma pena que eu já esteja velha demais pra mudar minha vida e mudar de vida, morando em um lugar com pessoas educadas e sensatas.

É a vida…

Eu Sobrevivi!

Não lembro por que motivo, mas há algumas semanas eu comecei a pesquisar sobre a vida de Michael Hutchence, ex-vocalista do INSX que se enforcou num hotel em Sidney em 22 de novembro de 1997. O cara tinha uma voz linda, inconfundível e única! Eu amava as músicas do INSX.

Quando soube da morte dele em 1997 eu, assim como milhões de fãs, não me conformei. Como alguém, na fina flor da idade (37 anos), famoso e com vida confortável, é capaz de pendurar as chuteiras e desistir da vida? Alguns afirmam que foi só um fetiche de sadomasoquista, outros dizem que foi depressão mesmo. O coquetel de drogas e remédios controlados nunca pode ter um final feliz. E qualquer que seja a verdadeira versão, é alarmante a percepção do que uma depressão faz.

Eu mesma já tive meus momentos de depressão. Nesses momentos, morrer é tudo o que almejamos. A visualização da não-existência, muitas vezes é confortante, e quando se consegue dar fim à vida, o que resta é só a tristeza de quem fica.

Eu passei por momentos de depressão, completamente sozinha. Não tinha amigos e nem a quem pedir socorro. Todos os “amigos” me abandonaram quando me separei do ex-marido, e ninguém nunca sequer me ligou pra saber se eu estava bem. Minha sorte é que minha fé foi mais forte do que eu, e sozinha eu consegui vencer o desejo incontido de não mais existir.

É certo que minha consciência me ajudou muito, pois eu jamais conseguiria deixar este mundo sabendo que minha filha ficaria à deriva, mesmo tendo um pai. Não, eu não poderia fazer isso. Seria muito egoísmo.

No caso de Michael Hutchence, ele tinha uma filha de cerca de um ano de idade, e o que quer que tenha pensado na hora de se pendurar no seu cinto na porta do hotel em que estava, ele não pensou em Tiger Lilly, sua filha.

Eu tenho um amigo que recentemente entrou numa depressão profunda. Eu nunca perco a oportunidade de passar para outras pessoas minha experiência de quase-morte, de mostrar às pessoas descrentes da vida, que um momento de tristeza não vale o valor que uma vida tem.

Conversei muito com esse amigo, e com a ajuda de um terapeuta, ele chegou à conclusão que seus fantasmas estão dentro dele mesmo. Somente a própria pessoa pode se salvar contra si mesma. Fato é que a vida é perfeita demais. Por mais problemas que tenhamos, o dom da vida é algo que nunca deveríamos menosprezar.

Meu maior medo enquanto desejava a morte, era o de me arrepender quando fosse tarde demais. Por isso eu tive força suficiente para raciocinar e evitar o pior.

Não me arrependo. Com todos os problemas que o país enfrenta hoje, aliás, o mundo, eu não me arrependo de ter escolhido a vida. Viver é uma dádiva divina, e nós, mortais, não sabemos se realmente existe um paraíso ou uma nova vida pela frente. Viver é algo “nirvânico”. Por mais que tenhamos dificuldades na vida, aprendi que nossa fé em Deus pode nos salvar em muitos momentos.

Sinto uma profunda tristeza quando tomo conhecimento da morte de alguém por suicídio. A primeira coisa que penso é: e se houvesse alguém com essa pessoa, será que ela teria dado cabo da própria vida?

Isso me faz pensar no quanto outras pessoas são importantes na vida de alguém. Quando desejamos a morte, o que pensamos é “DANE-SE!!!”. Só queremos exterminar o mal que nos atormenta. Não pensamos muito no que os outros vão sentir. E o fato de não pensarmos mais adiante é que estraga tudo.

Toda tormenta e tristeza uma hora tem fim. Precisamos ser fortes o suficiente para acreditar que tudo vai melhorar.

Nesta pandemia, onde muitas pessoas se veem encurraladas, entediadas e deprimidas, o que mais deve ter passado nas cabeças é um fim rápido para os problemas (= suicídio). O desespero leva as pessoas a tomar atitudes precipitadas.

Uma coisa que aprendi com o suicídio de muitas pessoas, é que dívida não leva ninguém à prisão. Pra tudo tem jeito na vida. As coisas podem ficar difíceis, mas uma hora elas vão melhorar. E muitas vezes melhoram tanto que a gente fica pensando: “Putisgrila, e se eu tivesse tido coragem (de me matar)? Hoje não estaria aqui, feliz, curtindo esse momento”.

Eu fico imaginando o que as almas vagantes sofrem quando percebem que é tarde demais. Não tem mais volta! 

Hoje, por mais difícil que seja a situação, eu sempre me lembro de tudo o que passei e de tudo o que me livrei. Lembro de como tudo melhorou, e de como fui cinco vezes mais feliz do que jamais tinha sido antes. Basta só a gente se dar uma oportunidade e acreditar que tudo vai melhorar.

Mesmo SOZINHA, eu me dei essas oportunidades. Não uma só vez, mas duas vezes. Por duas vezes eu acreditei que a vida valia a pena. Por duas vezes eu aceitei o fato de que as coisas podiam mudar pra melhor. E mudaram!

Vemos tantos exemplos de pessoas que não conseguiram pensar assim e jogaram a toalha: Marvin Gaye, Whitney Houston e sua filha Bobby Brown, Flávio Migliaccio, Getúlio Vargas e tantos outros que não aguentaram a fama e as durezas da vida.

Nossa mente é nosso maior inimigo, ou amigo. Somente nós podemos nos salvar das agruras da vida. E não ser egoísta é algo que pode nos ajudar nos momentos mais difíceis. Se não somos egoístas, conseguimos nos lembrar que outras pessoas poderão sofrer com nossa ausência. E cá pra nós, a dor de quem fica, tentando entender por que outra pessoa não gritou por socorro quando precisou, é muito grande. A gente fica se perguntando onde poderíamos ter feito diferença na vida da pessoa naquele momento.

Uma prima minha se jogou do 14° andar. Foi uma tristeza muito grande… Hoje ela poderia estar aqui, tomando umas e rindo das coisas passadas. Mas ela não aguentou os trancos da vida, e não tinha ninguém perto na hora pra salva-la.

A vida é mutante. A vida é inconstante. Agora está difícil, mas ali na frente tudo será diferente. Na hora do sofrimento e da tristeza não conseguimos pensar em nada bom. Não conseguimos  trazer à tona nada que possa nos salvar. Não conseguimos pensar em ninguém que dependa de nós, em ninguém que possa sofrer com nossa ausência, ou que possa se culpar por não ter estado conosco quando mais precisávamos.

Enquanto tanta gente quer acabar com a própria vida, há tantas outras que se agarram a todos os fiapos de vida que restam, porque o câncer ou outra doença letal as está levando sem dó nem piedade. Querem tanto ficar, mas não conseguem. Isso é muito triste. Quanto desperdício de vida. Vida plena, vida feliz, vida viva!

Fato é que enquanto vivemos, nossa vida é única; uma vida em que tudo pode ser aproveitado da melhor forma possível. Podemos compartilhar momentos com pessoas que fazem parte da nossa vida, que nos amam. Podemos fazer diferença na vida de outras pessoas. Podemos fazer diferença na vida de animais abandonados. Podemos fazer muito bem a quem precisa de carinho e atenção.

Precisamos só nos conscientizar de que a vida é breve, e que ela é um dom divino que muitas vezes desperdiçamos por bobeira. Precisamos aceitar o fardo que recebemos para carregar, e acreditar que nós mesmos podemos mudar o curso da nossa vida. Basta a gente querer.

Bjs.