Dia 15 – Goodbye, Au Revoir

Acordei sobressaltada, às 3:30, com Gabriela me cutucando para levantarmos. Nos arrumamos, fiz um café rapidinho e descemos. Entregamos nossas chaves na recepção e saímos.

Estava um breu lá fora, e chamamos um Uber, que custou a “bagatela” de 50 euros até o aeroporto, que fica looooonge bagarai.

Em meia hora chegamos ao aeroporto, e só porque as ruas estavam desertas. Imagino em hora de rush quanto tempo deve levar. Como todo o resto, o aeroporto também é sofrível na aparência; dentro até que é razoável. Triste mesmo, foi ver imigrantes vasculhando os lixos para pegarem restos de bebidas e comidas para sobreviverem.

Atendentes e pessoas com cara de poucos amigos, tudo absolutamente péssimo em Bruxelas. Foi um lugar onde eu não me senti segura e senti medo. Nunca mais!

Agora estamos no aeroporto aguardando nosso voo até Madri. De lá pegaremos outro voo, e nos transformaremos em abóbora no fim da noite de hoje. São 5 horas de diferença entre este lado da Europa e o braseeel. Back to hell (em todos os sentidos).

*** UPDATE ***

O avião saiu de Bruxelas com uma hora de atraso, o que significava que teríamos somente 1 hora e meia para pegarmos nossa conexão, e não mais 2 horas e meia.

Estava morrendo de fome, e graças à Gabriela não paramos para comer assim que descemos do avião, senão “teríamos perdido o voo”. Teríamos que nos deslocar até o terminal S que era longe bagarai (e eu nem fazia ideia disso).

Corremos o máximo que pudemos, e o raio do terminal S não chegava nunca. Faltava meia hora para o voo sair, e de repente desembocamos na área de imigração no meio de uma legião de passageiros em pânico pelo mesmo motivo que nós: porque provavelmente perderiam o voo no meio de centenas de pessoas (sim, centenas, não é exagero).

Era uma zona generalizada. Mesmo com os “corredores” delimitados pelos postes com tiras retráteis, já não era mais fila organizada. Era um amontoado de gente dando um jeitinho de passar a frente dos outros, e todo mundo com os nervos à flor da pele, num calor que já nos fazia sentir como se estivéssemos ensaiando para chegar no Hell de Janeiro. Estava vendo a hora que ia sair porradaria.

Cruzei os dedos e fomos nos deslocando “no vácuo”, pois a gente tinha que andar mesmo que não quisesse, já que éramos praticamente empurradas. Rezava para conseguirmos chegar a tempo de pegar o voo.

Faltavam poucos minutos quando finalmente conseguimos ter nossos passaportes carimbados. E os agentes da polícia federal eram uns “docinhos”, para não falar o contrário. Só Jesus na causa!

Corremos até o portão de embarque, onde já havia uma fila. Entramos nela, mas logo houve um aviso de que o voo atrasara “por dificuldades técnicas”. Segundo as más línguas, tiveram que trocar o pneu do avião, mas eu acho mesmo é que atrasaram para o voo não sair vazio, já que tinha tanta gente agarrada ainda na imigração.

Gabriela ficou lá esperando enquanto eu fui comprar uns sanduíches, já que não tínhamos tomado um café decente e estávamos famintas. Aproveitei para olhar uma loja, e acabei comprando isso…

Olhe o tamanho dessas azeitonas!

O voo saiu às 13:05. Almoçamos e fizemos 2 lanches nas 9 horas de voo. O avião estava lotado, e eu não consegui pregar os olhos. Assisti a 3 filmes até chegar ao Hell de Janeiro.

Assim que pousamos, troquei o chip do meu celular. E ao virarmos abóbora desembarcarmos, pegamos nossas malas e fomos para o Free Shopping, onde eu comprei umas bebidinhas.

Um calor desanimador na saída. E assim que chegamos na portaria do prédio, desabou uma tempestade.

Já sinto saudade do frio =(

*******

Total de km percorridos a pé: 155 km

Peso que ganhei na viagem: ainda desconhecido.

Bolhas nos dedos dos pés: 2 (mas elas não me incomodaram). O tênis que comprei na Skechers em Orlando estão aprovadíssimos.

Itens perdidos na viagem: 1 cachecol e 1 chave de quarto de hotel

Itens encontrados na viagem: 5 euros

Valor gasto por dia em Londres e Escócia com alimentação, transporte, ingressos e compras: 145 euros

Valor gasto por dia em Amsterdã, Bruges e Bruxelas com alimentação, transporte, ingressos e compras: 185 euros.

Sobre a internet, em Londres nós compramos na EE um chip de 16 GB para cada uma, que poderia ser usado por toda a Europa. Dos 16 GB, sobraram 3,6 GB. Postei muitas fotos e vídeos, e umas poucas vezes usamos o celular para nos comunicarmos. Usei bastante o Wi-Fi dos hotéis, porque fiquei com medo de a internet do celular não dar, mas acho que daria de boas.

Londres, é um lugar que voltarei sempre, pois adoro. O Hotel Alhambra foi show em praticamente tudo, e será o hotel que escolherei todas as outras vezes em que voltar a Londres.

Edimburgo é outro lugar que eu adoro, e o Premier Inn foi um hotel bem satisfatório, com excelente localização, de onde dá para ir a pé para a cidade velha, que é o efetivo local de turismo. O preço do hotel foi compatível com o benefício que proporcionou.

O hotel de Amsterdã é legal, mas achei muito longe de tudo, apesar de ser próximo a um ponto de metrô. A rua também não tem as melhores caras, apesar de ser segura, e talvez por isso eu escolha outro quando voltar. Vai depender do preço, claro.

E acaba aqui mais uma viagem. Já começamos a planejar a próxima, para o Canadá e Nova York (de novo – meu calcanhar de Aquiles), mas isso vai demorar um pouco ainda.

Viajar é o que move minha vida. Conhecer outros países e outras culturas, e principalmente passar friaca pra fugir do calor dos infernos brasileiro. Se eu fosse ryca, ficaria pobre de tanto viajar.

Espero que tenham gostado do passeio virtual. Quando chegar em casa atualizarei os posts com mais fotos e vídeos.

Beijos

 

Anúncios

Dia 14 – Bruxelas

Acordamos 8 horas. Não consegui dormir direito com dor nas costas. Arrumamos nossas malas e nos arrumamos, e descemos para tomar café. Entregamos as chaves na recepção, colocamos as malas no quartinho de malas e fomos para o salão de café.

Tinha bastantes opções (iogurtes, geleias, pães, cereais, sucos) e estava tudo muito gostoso. Havia uma máquina de café expresso, chocolate, cappuccino, etc., e podíamos pegar de tudo o quanto quiséssemos.

Foi um dinheiro muito bem gasto (15 euros por pessoa), considerando que no café do dia anterior gastamos 26 euros para nós duas por um croque madamme e dois chocolates quentes.

Terminamos nosso café e saímos. Como o dia anterior estava uma temperatura amena, saímos somente com os casacos leves. Fomos caminhando até a praça principal, onde encontraríamos o grupo do tour a pé gratuito Legends of Bruges. Bastou-nos agendar online e voilá!

Louis era nosso guia. Nativo de Bruges, ele falava um ótimo inglês e conhecia muito bem a história de sua cidade. Era o guia mais antigo da empresa, e não duvido que seja o mais dedicado e apaixonado pelo que faz (ele foi fantástico! – Aliás, “Fantástico” foi uma palavra que ele deve ter usado umas 50 vezes nesse tour! Quase parei para contar).

Fomos caminhando por diversos pontos da cidade, onde ele ia contando todas as histórias dos locais em detalhes.

Uma das histórias interessantes que ele nos contou foi a dos muitos cisnes que povoam os canais. Eles são “sagrados” em Bruges. A história está aqui, mas quem não sabe inglês precisará usar o Google Translator.

Durante o tour, certamente havia lugares bem interessantes, e o ponto mais curioso ficou por conta de uma cervejaria local, que por não ter sistema de engarrafamento, instalou duas tubulações subterrâneas, com cerca de 3 km de extensão, que distribui a cerveja diretamente para os pubs. É como a nossa distribuição de água no braseeel; há um medidor, e a cerveja é paga conforme o que se consome, no final do mês.

Tubulação subterrânea exposta (sob vidro) no piso da cervejaria

Tinha também a igreja de Nossa Senhora, que tem uma escultura em mármore de Michelangelo, mas como não entramos durante o tour, acabamos voltando depois para tirar fotos.

O tour duraria cerca de 2 horas e 50 minutos. Mas nós acabamos saindo antes, porque Gabriela queria ir na demonstração de lapidação de diamantes no museu do diamante. São bem interessantes a apresentação e o museu, mas não é uma atração imperdível, na minha opinião (11 euros por pessoa).

Assistimos à demonstração, e aprendemos como se lapida diamantes. Depois demos uma olhada no museu. Acabei tirando umas fotos, antes da Gabriela me dizer que era proibido fotografar…

Dali fomos até a Igreja de Nossa Senhora (4 euros por pessoa); muito bonita por dentro. E tinha uma capelinha muito aconchegante.

 

  

Depois, andamos um pouco pelas lojas e paramos em uma loja que vimos durante o tour, The Old Chocolate House. Dizia no toldo ser o melhor chocolate quente de Bruges. Entramos para conferir.

Subimos para o segundo andar, que tinha decoração bem retrô, e abrimos o cardápio de chocolates quentes, que tinha 27 opções. Foi meio difícil de escolher, mas peguei um de caramelo salgado.

Detalhe do vitral na janela

Logo vieram uns “cupcakes” de chocolate (mas não era bolo, era chocolate puro com o “recheio” de caramelo salgado, no formato de uma forma de cupcake). Em seguida o garçom trouxe uma super xícara com leite quentíssimo (daquelas xícaras de tomar sopa). Mergulhamos o “cupcake” de chocolate no leite e mexemos com o batedor que veio junto. Aprovadíssimo e confirmadíssimo que foi o melhor chocolate quente que tomamos desde que iniciamos a viagem. Junto ainda vieram um biscoito e um pedacinho de chocolate.

Demos mais uma voltinha, e como a hora já era avançada, fomos para o hotel pegar nossas malas para virmos para Bruxelas.

Chamamos um táxi, e pagamos 7 euros até a estação de trem. Como já tínhamos as passagens (que compramos quando chegamos – 14,00 pra mim e 6,90 pra Gabi (por ser menor que 26 anos)), nós fomos direto para a plataforma, onde já havia um trem quase partindo. O bilhete não tem horário; pode-se pegar qualquer trem ABS (qualquer estação da Bélgica) em qualquer horário.

Desta vez foi uma viagem mais tranquila e sem pornografia gratuita. Nos sentamos bem ao lado da porta do trem, em bancos que tinham uma micromesinha. À nossa frente havia um homem, que já quase chegando à estação, descobrimos que era Marroquino, e morava na costa – estava indo visitar os pais em Bruxelas.

Resolvemos descer na estação Brussels Nord, que era mais próxima ao nosso hotel. Nossa intenção era irmos a pé, tal como fizemos na Escócia, já que eram somente 650 metros. Mas quando saímos da estação, me senti saindo numa estação da zona norte no braseeel. Era um lugar horrendo, com uns homens mal encarados. Surtei. Fomos arrastando as malas, e o medo era tamanho que não passava nem sinal de wi-fi no firofó.

Num dado momento, “paniquei” e falei pra Gabi que eu não seguiria em frente. Chamamos um Uber, que em 10 minutos nos desovou no hotel.

O hotel era bonzinho, com instalações pelo menos limpas, mas o ponto forte ficou por conta da cafeteira Nespresso no quarto.

A proximidade do hotel daquela região sinistra me deixou traumatizada. Fica relativamente próximo à praça principal de Bruxelas, mas o lugar realmente me assustou. Próximo ao hotel, no caminho para a tal praça, havia muitos sex shops e uma gente super mal encarada, além de muito morador de rua (provavelmente imigrantes, que eram em número assustador).

Detestei praticamente tudo em Bruxelas, e dou graças a Deus que me recomendaram ir para Bruges e esquecer 2 dias em Bruxelas. Obrigada, Magda!!!!!!  Até as lojas eram ruins, apesar de as mesmas lojas em outros lugares serem boas.

Fomos rapidíssimo para o Hard Rock Café, que fica em uma das ruas que dão acesso à praça principal, já quase na praça, que por sinal tinha uns prédios lindíssimos, cheios dos ouros nas fachadas.

Entramos no Hard Rock e nos sentamos numa mesinha do bar enquanto esperávamos nossa mesa para jantarmos. Depois de uns 20 minutos conseguimos subir para nossa mesa e fizemos nossos pedidos.

Tomei duas margaritas, e Gabi tomou a tal strawberry lemonade para pegarmos o copo na saída. De entrada fomos de tirinhas frango e de prato principal, salada Caesar, para não perder o hábito.

Pelo meu aniversário ganhamos um sorvete, que tinha mais chantilly que sorvete (deve ser pra fazer volume, claro).

Saímos dali e já estava começando a escurecer. Fomos batido para o hotel, onde tomamos nosso banho e fomos dormir, pois teríamos que acordar às 3:30.

Um calor da peste. E no quarto do hotel, o ar condicionado devia estar nas últimas, pois mesmo regulando para frio patagônico, o quarto continuava quente. Tivemos até que abrir a janela. Aí começou a esfriar, mas não tinha lençol na cama, só edredom. Então, foi tipo, calça de veludo ou bunda de fora. Não tinha meio termo. Foi um sufoco, ainda mais com dor no ombro.

Uma coisa é certa: Bruxelas, agora, só se for para conexão. Nunca mais volto.

Sei que não posso generalizar, mas me pareceu uma cidade bem feia (não considerando a beleza e imponência da arquitetura dos prédios que vi). Mas como a beleza de um lugar não se faz só de arquitetura, mas de um conjunto de elementos, posso assumir que Bruxelas é feia pra caramba!

E depois de lá ter estado, ouvi de várias pessoas que elas também não gostaram da cidade, e igual a mim, não querem voltar. Pelo menos não fiquei com a consciência pesada de ter descido o sarrafo na honra da cidade.

Beijos

Dia 13 – Bruges

Acordamos 4:30. Como já havíamos arrumado as malas ontem, só fizemos o básico necessário, tomamos os últimos sachês de café com creme que tínhamos e descemos. E na hora de entregar as duas chaves (cartões), descobri que a minha tinha caído do bolso do meu casaco depois do nosso passeio de barco pelo canal (porque antes de embarcarmos eu conferi que estava no bolso). Mas apesar de não ter entregue a chave, não nos cobraram nada mais por isso.

Estava escuro e frio. Esperamos nosso Uber, e veio uma moça de seus 20 e poucos anos. Muito simpática, foi conversando conosco até a estação central, onde pegaríamos nosso trem. Fez muitas perguntas sobre o braseel, e ficou chocada com tudo o que dissemos. É triste, mas é a realidade.

Descemos na estação central e fomos arrastando nossas malas pela estação deserta. A única pessoa que encontramos foi uma funcionária que estava chegando para o trabalho. Não havia indicação alguma nos painéis, que nos dissesse qual seria nossa plataforma. Mas lembramos que no dia anterior a moça de informações nos disse que seria a 15B, e fomos para lá. Sentamos num dos bancos da plataforma e ficamos esperando, mexendo no celular, até que devagar começaram a chegar outras pessoas. O trem que estava na plataforma ainda não era o nosso, que era o de 6:17 para Bruxelles Midi, e levou algum tempo até que a plataforma estivesse com algumas pessoas que embarcariam nesse trem.

Incrivelmente, aconteceu com um casal nesse trem exatamente o que aconteceu com as duas chinesas no metrô. O marido entrou no trem com as malas, enquanto a mulher ficou na plataforma, e faltando segundos para a porta do trem fechar, ele descobriu pela mulher que gritou, que aquele não era o trem deles. Mas não deu tempo de ele sair com as malas, e lá se foi ele no trem errado, deixando a mulher na plataforma da estação central. Só que a próxima estação seria longe, e certamente o problema deles foi mais complicado de resolver. Tem que prestar muita atenção. Esse tipo de afobamento pode estragar a viagem, e feio.

Esperamos mais um tanto, e por fim nosso trem chegou. E quando chegou a hora de embarcar, alguns minutos mais depois, colocamos nossas malas no compartimento de bagagem e nos sentamos nos nossos bancos.

Duas chinesas que se sentaram atrás de nós estavam em pânico, enroladas, querendo saber se aquele era o trem certo. Elas iriam para a estação Antwerpen, que seria a 3 paradas adiante. Ajudamos as duas a se acalmarem, pois estavam aflitas, e mostramos-lhes o mapa para que soubessem onde descer.

E seguimos a viagem tranquilamente, com pessoas entrando e saindo nas estações em que parávamos. Passava das 8:25 quando chegamos à nossa estação, onde descemos e fomos catar um ponto de informação sobre a plataforma em que deveríamos pegar o próximo trem para Bruges, mas antes, demos uma passadinha no banheiro.

Segundo informação, deveríamos pegar a plataforma 16 para Blankenberge, que era uma estação depois de Bruges. E seguimos para a tal plataforma. E enquanto esperávamos, começaram a chegar mais pessoas, e 4 brasileiros nos perguntaram em inglês se ali era a plataforma para Bruges. Mas percebendo, não sei como, que éramos brasileiras, acabaram falando em português mesmo. Demos a informação que sabíamos, e eles se afastaram (ainda bem, porque fumavam feito chaminé os 4).

Logo chegou uma tropa de adolescentes, e começou a encher muito a plataforma. Ficamos com medo de não conseguirmos sentar. Chegaram e saíram dois trens, que ainda não eram o nosso. Ele atrasou 10 minutos. E quando chegou, aquela multidão entrou, e nos embrenhamos no meio deles com nossas malas pesadas. E para nosso desespero, não havia compartimento de bagagem. O vagão tinha dois andares, que ficavam em um nível mais baixo e mais alto que parte de embarque no vagão, de forma que era necessário subir ou descer escadas para seguir para a área das poltronas.

A viagem seria cerca de mais 1 hora, e como não tinha onde deixar as malas, propus ficarmos ali mesmo na área de embarque do vagão até chegarmos a Bruges. Mas Gabriela resolveu que ela levaria as malas para a área de poltronas superior, e que sentaríamos lá. Concordei e subimos. Nos sentamos em fileiras diferentes, pois como não tínhamos onde colocar as malas, as enfiamos no vão da poltrona ao lado da poltrona em que sentamos. Eu fui na penúltima fileira do vagão (que era mais próximo da escada por onde subimos), e ela na última. E seguimos viagem.

Nas poltronas na janela oposta, uma fileira à frente da minha e virados em nossa direção, estavam um casal. Ela com seus 60 anos e ele com seus 40. O casal estava se atracando no banco de uma forma que eu quase perguntei se ia comer ali mesmo ou se queria que embrulhasse pra viagem. Era uma pegação, mão naquilo, aquilo na mão, que foi até difícil fingir que era tudo normal. E eu mexendo no Facebook no celular, tentando prestar atenção no que eu fazia. Foi nesse fogo boa parte da viagem, quando por fim eles sossegaram. Ficamos eu e Gabi conversando sobre o assunto pelo WhatsApp, e eu fingia que tossia para não cair na gargalhada das coisas que Gabriela me falava sobre a pegação ali na frente.

Uma hora depois chegamos à estação de Bruges. Descemos com nossas malas um pouco antes do trem parar, pois ele seguiria ainda para Blankenberge.

Saímos da estação e tentamos pegar um Uber, mas não há Uber em Bruges. Acabamos pegando um dos táxis que ficam na frente da estação, cuja motorista era uma mulher. Até nosso hotel, Acacia, custou 7 euros a corrida. Escolhemos um hotel que fosse bom e relativamente perto da estação, para pouparmos tempo e dinheiro com nossos deslocamentos. E para nossa surpresa, nos demos conta de que o hotel fica numa área bem legal, bem pertinho da Place de Bruges (Markt), que é a praça principal da cidade. Quando escolhemos o hotel pelo mapa, achamos que seria mais longe do buxixo.

Não vestimos mais nossos casacões que usamos em Amsterdã porque estava uma temperatura fresca e um dia lindo, de um céu azul que chegava a “incomodar”. Era cerca de 11 horas quando chegamos ao hotel, e como nosso check-in seria somente às 15 horas, deixamos nossas malas no quartinho de bagagens e fomos explorar a área.

Conforme mencionado antes, o hotel fica bem pertinho da Place de Bruges, que é a praça onde tem o Campanário de Bruges e o Provincial Court, que são duas construções gigantes, cercadas de vários restaurantes. É o mesmo local de onde saem as charretes bonitas, com seus parrudos cavalos, e os micro-ônibus de sightseeing.

Catamos um dos restaurantes para tomarmos café. Escolhemos o Le Grand Cafe Belfort, que tinha 2 estrelas na cotação do Trip Advisor. Gabriela ficou receosa por causa das 2 míseras estrelas, mas segundo os reviews no Trip Advisor, as maiores reclamações se relacionavam ao atendimento demorado (54% das pessoas classificaram como horrível). Mas como só tinham duas mesas ocupadas (e a nossa era a segunda), demora no atendimento não seria o problema ali. Arriscamos e pedimos um só croque madamme para dividirmos e dois chocolates quentes, que vieram bem rapidinho. Estava tudo delicioso, e minha nota no Trip Advisor para o estabelecimento certamente será 4.

E saindo dali, fizemos muitas, mas muitas coisas mesmo. Não lembro nem a ordem de tudo que fizemos, mas andamos pelas ruas sem rumo e sem destino, entramos e saímos de lojas e igrejas, fizemos um tour em um micro-ônibus, e durante o passeio marcamos os pontos para onde voltaríamos a pé depois. Foram 20 euros por pessoa, e apesar de Gabi ter achado que não valeu a pena o tour, eu gostei. Tirei bastantes fotos, e por causa do tour é que ela marcou os lugares onde voltaria.

Por 5,80 euros, Gabi comprou um waffle muito gostoso, enquanto eu estava surtando na loja ao lado por causa dos relógios cuco que tinha lá (não podia fotografar). Sou louca por cucos, mas o peso de 2 quilos do cuco menor me desanimaram a levar. Preço: 200 euros. Envio para o Brasil: 70 euros. Desisti. Vou esperar herdar o cuco da minha mãe mesmo.

Há muitas lojas de waffles, que só perdem em número para a quantidade de lojas de chocolates. E segundo o guia nos informou durante o tour que fizemos no dia seguinte, toda loja de chocolate “com pedigree” tem essa placa na porta indicando que o chocolate é de excelente qualidade.

Muito contra a vontade da Gabriela, fizemos um tour de 50 minutos com um dos micro-ônibus da praça (20 euros por pessoa). A gente percorreu vários pontos da cidade, ouvindo informações dos lugares por meio do áudio com fone de ouvido. Não paramos nenhuma vez, e Gabriela foi anotando os pontos par os quais ela queria voltar depois a pé.

Ao final dos 50 minutos, voltamos para a praça e saímos caminhando sem destino. Descobrimos uma loja que enlouquece qualquer pessoa que curte coisas de casa, Arkvanzarren. E apesar de ter cotação altíssima no Trip Advisor, descobrimos que a loja era sensacional por conta própria, sem consultar o Trip Advisor. Ficamos lá algum tempo, e Gabi comprou umas latas decoradas. Apesar de ter tido vontade de comprar algumas coisas, me contive.

Foram muitos os lugares que fomos, e não conseguirei descrever em detalhes todos. A certa altura, como já era hora de fazermos o check-in, então voltamos para o hotel, mas antes, paramos para comer um waffle de palito um tanto quanto “lambuzante”.

A chegarmos ao hotel, ficamos brincando um pouco com o papagaio cinza na recepção enquanto esperávamos para sermos atendidas.

Demorou um pouco, e eu acho que essa é a função do papagaio, hehehehe (distrair as pessoas enquanto não as atendem). O recepcionista fala pelos cotovelos, e não largava o pé do pessoal a quem estava atendendo antes de nós.

Por fim ele veio nos atender e nos deu todas as informações que precisávamos. Perguntou se quereríamos tomar café da manhã no dia seguinte, pois era cobrado à parte, 15 euros por pessoa. Com base no valor que pagamos no nosso café no Le Grand Cafe Belfort, que custou 26 euros para nós duas, já com a gorjeta, achei que pagar 15 euros por pessoa num bufê onde se pode comer à vontade seria mais jogo.

Subimos, e quando entramos no quarto, tomei até um susto com o tamanho dele. Tinha esquecido que eu tinha enfiado o pé na jaca nesse hotel e pagamos uma suíte mais abastada. Quase dá pra dar uma festa nele. Mais adiante do quarto havia uma saleta com um armário grande, um suporte de malas e uma mesinha com cafeteira. Depois vinha o banheiro, sem o vaso sanitário, que ficava num cubículo próximo à porta de entrada da suíte.

Tomamos um banho e saímos novamente. Não sei o que houve, mas todas as dores nas costas que eu não senti nos dias anteriores resolveram aparecer de uma vez só na hora em que saímos do hotel para andarmos. Foi uma dor muito forte, e mal conseguia andar, apesar de ser nas costas (abaixo da omoplata esquerda). Tomei dois ibuprofeno antes de sairmos, para ver se melhorava.

Fomos a pé para alguns dos lugares que Gabi tinha marcado durante o tour pelo micro-ônibus, tiramos muitas fotos.

Aproveitamos para fazer um passeio de barco pelo canal (8 euros por pessoa).

 

Já era 17:20 quando terminamos o passeio de barco, e resolvemos catar algo para almoçarmos. Passamos antes em uma loja de chocolates, onde finalmente compramos alguns bombons, mas deixamos para comer depois do almoço (12 euros por 250 g). E assim que saímos da loja, a dona fechou a porta, pois as lojas fecham às 17:30. Por isso estava meio impaciente nos atendendo. Deve ser brasileira…

Fomos caminhando até a praça perto do hotel, e no meio do caminho vimos algumas lojas que ainda estavam abertas. Achamos uma loja de sabonetes artesanais super legal, La Maisou du Savon de Marseille, e entramos para ver. Mas tinha uns sabonetes tão cheirosos que acabamos comprando 5 (10 euros no total).

E saindo dali, fomos catar um restaurante para comermos. Escolhemos o De Carr Brasserie, que estava com 2,5 estrelas na classificação do Trip Advisor (resolvemos arriscar, de novo). Pedi uma taça de vinho branco enquanto esperava o linguine com camarão ao curry que escolhi, que estava magnifico.

E terminando de comer, voltamos para o hotel. Deitei um pouco e acabei cochilando. Gabi saiu sozinha para fazer um tour gratuito a pé às 20 h. Eu só acordei às 23 horas, morrendo de dor, e com Gabi já dormindo ao meu lado. Nem sei onde ela foi e como foi o tour. Vou descobrir quando acordarmos, durante o meu café de aniversário. Sim, é meu aniversário dia 12 de outubro.

Agora vou catar um remédio para tomar e vou tentar dormir novamente, pois já é madrugada aqui.

Iremos embora mais tarde por volta das 14-15 horas, quando seguiremos para Bruxelas para passarmos nossa última noite na Europa. Mais tarde tem comemoração no Hard Rock de Bruxelas.

Beijos

 

Dia 12 – Volendam

Dormi somente 4 horas e meia esta noite. Não sei por que cargas d’água acordei às 4:30 e não consegui mais dormir. Fiquei rolando na cama até a hora em que Gabi levantou, às 6. O plano era irmos até o Rijksmuseum para Gabriela tirar foto no I AMSTERDAM sem uma multidão atrapalhando, mas o que atrapalhou mesmo foi a escuridão da manhã. Só começaria a clarear às 8, que era o horário em que deveríamos já estar na Centraal Station para pegarmos o busão do tour para Volendam, então, não ia rolar o plano de ir ao museu. Embromamos um pouco, tomamos café no quarto para acabarmos com os mantimentos que ainda tínhamos, e saímos bem agasalhadas, umas 7:30, num frio de 9 graus e ainda escuro.

Fomos andando para o ponto do tram no lado oposto ao que costumávamos pegar. Quando ele parou, subimos, passamos os bilhetes no terminal de validação, mas eles foram rejeitados. Compramos bilhetes para 3 dias, mas não é computado como dia de 24 horas como pensávamos. Compramos dia 7, então só poderíamos usar até dia 9 (3 dias da semana). E como a máquina de pagamento estava bichada, a motorista do tram deixou a gente viajar sem pagar.

Uns 15 minutos depois, chegamos à estação Central. Fomos até o escritório de informações, porque queríamos saber se teria jeito de conseguirmos imprimir um novo bilhete Bruges-Bruxelas, já que os nossos ficaram no braseeel. Mas incrivelmente, na estação não tem guichê da Rail Europe, e a atendente não nos deixou nada confiantes. Ela disse que provavelmente teremos que comprar bilhetes novos (32 euros no total, talvez mais a taxa). Paciência! Como nosso gasto está sendo menor que nosso budget, não sofreremos tanto.

Depois, seguimos para o escritório da Tours & Tickets para imprimirmos os vouchers do nosso tour de hoje. Ainda ganhamos outro tour pelos canais, de lambuja.

Nossa guia, Daniela, era portuguesa criada na Itália. A mulher falava pelo menos 4 idiomas, segundo ouvimos. Ficamos grudadas na Daniela até a hora de embarcar, e nós fomos as primeiras a entrar no busão. E adivinha onde fomos! No top deck, nos bancos da frente, com visão privilegiada e perfeita. Meu medo era perdermos o lugar na próxima parada, como foi no tour da Escócia, já que na gravação que ouvimos no início do tour dizia que não poderíamos deixar nossas coisas no ônibus quando saíssemos (fizemos isso no tour da Escócia para marcar lugar). Paciência!

Mas a tristeza durou pouco. Contrário ao que a gravação dizia, Daniela anunciou que deveríamos todos manter os mesmos bancos até o final do tour, e que poderíamos deixar nossas coisas no banco, e eu fiquei bem feliz, hehehehe.

Partimos, e como a paisagem não tinha ainda nada interessante, fiquei fuçando a internet e postando fotos. Cerca de uns 30 minutos depois chegamos a Zaanse Schans, onde visitaríamos um moinho de cortar madeira. Estava frio e com nevoeiro, mas logo dissipou conforme avançava a hora.

Assistimos à apresentação sobre o funcionamento e aplicação daqueles moinhos, e foi algo bem interessante. Na minha cabeça, moinhos de vento só serviam para moer grãos, heheheh, mas segundo o rapaz explicou, além de cortar madeira (que é o caso deles), os moinhos ainda servem para bombear água e extrair óleos de oleaginosas. Foi um passeio bem legal, que durou 40 minutos.

Na volta para o ônibus, a formiguinha Gabriela quis comprar um cookie de amêndoas e um trem esquisito lá de maçã, que estavam maravilhosos. Esse bagulho de maçã era uma fatia grossa de maçã envolvida em uma massa igual à massa de bolinho de chuva, inclusive era frito, também, e passado na canela e açúcar. É o bicho, o bagulho! E o bom é que não era tão doce.

Voltamos para o busão e pegamos estrada em direção a Marken, onde iríamos a uma fábrica de tamancos de madeira. Bem interessante o passeio, também.

 

Nos foi explicado que o bloco de madeira que será o tamanco fica imerso na água um bom tempo, para a madeira ficar macia. Depois, o bloco de madeira é colocado em um torno, que deixa o bloco com o formato externo do tamanco. Depois, o bloco é preso em outra máquina, onde é feito o buraco de enfiar o pé. Depois são cortados os “bicos” que ficam presos às máquinas, para dar acabamento, e os blocos são colocados para secar. Só depois de bem secos é que são lixados, pintados e envernizados. Eles fizeram uma demonstração ao vivo da modelagem do tamanco. Bem interessante!

Depois da explicação fomos para a loja, onde tinham muuuuuuitos tamancos, do tradicional ao com acabamento em couro (que só tem o solado de madeira). Mas nem tinham tantos bonitos quantos os que vi no mercado de flores, e os preços ali estavam cerca de 1/3 mais caros que os que eu tinha visto em outros lugares. Mesmo assim, Gabi quis porque quis comprar um parzinho que ela “paixonou”.

E ali mesmo no vilarejo, atravessamos algumas ruas e chegamos a um cais muito lindo, onde pegaríamos um barco para atravessarmos o lago para irmos para Voledam.

Casas em Marken

Cais em Marken

 

Levamos cerca de 30 minutos de Marken a Volendam. Estava bem frio, por causa do vento. Foi um passeio bem agradável, até chegarmos à linda cidadezinha, onde iríamos à fábrica de queijo.

 

Chegada à Volendam

A fábrica de queijo fica bem pertinho do cais, e chegamos rapidinho lá.

Seguimos para uma sala onde havia uma moça muito simpática,alguns itens e uma máquina. Ali, ela divertidamente nos explicou como se faz queijo.

E saindo dessa sala, fomos para a loja, onde havia uma infinidade de queijos deliciosos, com pedacinhos para degustação. Uma verdadeira perdição. Queijos maravilhosos, e eu com dor de corna porque só estou levando 3 pedaços (que nem foram comprados nessa fábrica). Com as malas já no limite, fiquei com medo de comprar mais queijos. Mas vontade não faltou, depois de provar tantas delícias.

Saímos de mãos vazias e tristes. Provar tantos queijinhos me abriu o apetite. Passava de meio-dia, e a guia nos deu 1 hora para comermos e explorarmos a área. Como eu não queria perder tempo sentando em restaurante, já que o tempo era muito curto, resolvi pegar uns frutos do mar empanados e ir comendo andando pela rua mesmo.

O único problema dessa comida é que ela já era pré-frita, e foi refrita para esquentar. Imagina a gordureba que estava isso. Depois disso, meu colesterol foi a 3500. Não preciso dizer que foi só para tapear a fome, porque de sabor estava blé. Se fosse frito fresquinho na hora, seria outra coisa, sem dúvidas. E seguimos explorando.

Vimos muitas guloseimas lindas, mas preferi ir no de sempre: sorvete de caramelo salgado.

A bola de sorvete era muito acanhada, e o sabor passava longe do sorvete de caramelo salgado magnífico que comi pela primeira vez em Santa Mônica, CA, em 2011. Mas tava valendo.

Já tínhamos visto tudo, e sentamos em um banco próximo ao lago para esperarmos o momento da reunião, enquanto ainda tomava o sorvete.

Percebi um pássaro do tamanho de um sabiá que estava bem próximo de um cara que estava sentado no banco ao lado. O pássaro piava no chão, pertinho do pé do cara. Aí eu peguei a pontinha da minha casquinha e joguei no chão. O bicho avançou. Em um dado momento ele se assustou e pousou sobre uma balaustrada atrás do meu banco, próximo à minha cabeça. Coloquei mais uns pedacinhos da casquinha, mas ele foi enxotado pelas gaivotas que voavam enlouquecidas para pegar as migalhas. As gaivotas acabaram perdendo o medo e pousaram na balaustrada também, a uns 30 cm da minha cabeça. Depois posto o vídeo aqui.

E nossa diversão acabou quando a guia chamou a todos. Deu-nos mais 15 minutos para que pudéssemos assistir a uma apresentação de como se faz um stroopwafel em uma loja só dessa iguaria. Eu filmei tudo, e depois posto o vídeo aqui. E Gabi tirou uma foto da receita.

Saímos pela loja, como sempre, mas eu não queria comprar nada. Saímos enquanto o povo fazia compras na loja. Vi um iced tea de pêssego com hibisco e comprei para provar. Interessante o sabor (aqui tem muitos sabores interessantes).

E depois de nos juntarmos todos, seguimos pela orla do lago até o ônibus, que havia ido para Volendam pela estrada enquanto íamos de barco.

Voltando para o busão, sentamos no nosso mesmo bat banco e seguimos de volta para a estação Central, de onde fomos para o cais do rio para fazermos o tour “gratuito” que ganhamos na compra desse de Volendam.

Minha opinião sobre esse tour para Volendam é que vale a pena fazer. Custou 59 euros por pessoa. Acho até válido comprar os queijos maturados (apesar de que a gente encontra uma infinidade de queijos diferentes em outros lugares em Amsterdã), mas outros itens, como souvenires, é melhor comprar nas feiras livres em Amsterdã, que são mais baratos.

Sobre o tour que ganhamos pelo canal no barco fechado, eu passaria. O barco é muito grande, com um montaréu de gente (eram 6 assentos ao redor de cada uma das várias mesas do barco). A única coisa boa dele é que tem áudio-guia, com fone de ouvido. Achei que o tour que pegamos no bairro da luz vermelha foi bem mais agradável, porque tinha menos gente já que o barco era pequeno (não estou considerando a coisa linda de morrer que tinha no barco, por favor!). Como esse barco que pegamos era muito grande, ele só podia passar pelos canais mais largos, que não eram nem de perto fofos como os canais pequenos por que o barco menor passou. Isso agrega mais valor ao tour pelo barquinho.

Voltamos para o píer e descemos. Fomos caminhando sem rumo e sem destino, quando Gabriela resolveu que queria almoçar de novo o tal Stamppot, só que e outro restaurante.

No meio do caminho encontramos outro Febo (aquela lanchonete self-service que descrevi ontem) e comemos 3 croquetes. Ontem quando comemos o que trouxemos, ele não tinha mais casquinha crocante como os de hoje, porque estavam já “passados”. Esse croquete é muito gostoso, mas só presta se for comido logo após ser retirado da máquina self-service. Fresquinho, ele tem a casquinha bem crocante com interior cremoso.

Fomos andando e encontramos o tal restaurante (Haesje Claes) onde Gabriela queria comer o Stamppot. A região era meio esquisita, com algumas “lojas” de prostitutas, que à luz do dia estavam recebendo clientes sem se incomodarem com a nossa presença.

Ao entrar no restaurante, achei bem acolhedor. É uma casa muito antiga, com 3 pavimentos e decoração da época de Dom João “Charuto”. Havia mesas em cada cômodo da antiga casa, nos vários pavimentos; sinal de que devem receber muitos comensais (deve lotar). Até que fiquei empolgada, pois além dessas constatações que vimos, Gabriela escolheu esse restaurante pela boa cotação no Trip Advisor.

Sentamos e pedimos somente um Stamppot para dividir, já que enchemos a barriga de croquetes. E logo veio nosso prato, que era acompanhado de almôndega, bacon e salsicha.

Com todo respeito ao tempo de mercado da casa e à sua cotação no Trip Advisor, mas achei o Stamppot deles uma porcaria. A almôndega tinha gosto de almôndega Sadia, e o bacon mais parecia uma sola de sapato. Estava longe de ser o bacon magnífico que comemos em Orlando. O do Reynders dá de 300 a 0 nesse aí.

Comemos rápido e saímos. Caminhamos até o ponto de tram mais próximo. Perguntamos numa loja de doces em frente como poderíamos comprar o bilhete, e o rapaz informou que pode comprar dentro do tram mesmo. Achei até que era direto com o motorista, como foi hoje de manhã. Mas assim que entramos no tram, ele disse que o cobrador ficava no segundo vagão (os trams aqui são articulados, com dois vagões).

Compramos nossos bilhetes com o cobrador, que ficava em um balcãozinho no tram, e sentamos. Às vezes eu olhava para o cobrador, e o cara parecia meio doido; falava sozinho…No meio do caminho vi o Reynders passar e dei um “até a volta” em pensamento. Voltamos para o hotel e arrumei minha mala após o banho.

Amanhã acordaremos 4:45 porque nosso trem para Bruxelas é às 6:17. Como não terá tram tão cedo (5 h), pegaremos um Uber ou um taxi. Como teremos que arrastar nossas malas, não podemos chegar em cima do laço, senão “dá ruim”. Iremos até Bruxelas, e de lá iremos para Bruges.

E a viagem está chegando ao fim. Só teremos amanhã e depois. Na última noite comemoraremos meu aniversário no Hard Rock de Bruxelas. E no dia seguinte partiremos de volta para os 38 malditos graus do braseeel. Já sinto calor só de pensar.

Vou dormir agora, porque já são 22 h e eu não dormi nadinha, conforme eu já falei. Estava batendo cabeça no tour no barco hoje.

Saldo de caminhada hoje: 9,5 km.

Beijos!

Dia 11 – Muitas Flores e Cores

Hoje o dia foi ótimo e muito bem aproveitado. Eram quase 10 horas, e eu ainda estava deitada e sonolenta, no quarto escuro por causa da cortina blackout. Dei uma espiada para o lado e vi Gabi mexendo no celular, e logo imaginei que ela estava tentando comprar os ingressos da Casa de Ana Frank. Após uma fechada de olhos mais longa, acordei com ela me cutucando, pois havia finalmente conseguido acesso à compra dos ingressos, e ela me perguntou se deveria escolher 12:15 ou 12:45. Falei para escolher 12:15. E como ela conseguiu comprar o tão esperado ingresso, levantamos, tomamos nosso café no quarto mesmo (com os mantimentos que compramos) e nos arrumamos. Com 14 graus lá fora, saímos com o casaco leve e cachecol. Aproveitamos para descer com umas peças de roupa que queríamos lavar, já que vimos uma lavanderia bem em frente ao ponto do tram.

Caminhando uns 300 m, atravessamos a rua e fomos na lavanderia. Um tambor de máquina de lavar e secar custava 10 euros, e deixamos as roupas lá para pegarmos no fim da tarde (fechava às 18 h).

Pegamos o tram 1 e depois o 5, e descemos perto da Casa da Ana Frank. Demos uma caminhada até chegarmos ao prédio de esquina onde se tem acesso à casa dela, que fica ao lado (há uma passagem do prédio para a casa). Como chegamos meia hora antes, demos uma volta e tiramos algumas fotos.

Fomos primeiro ao Museu da Tulipa (que de museu só tinha mesmo o nome), onde se vendiam bulbos de tulipas e vários souvenires com tulipas. Comprei um sabonete (mega perfumado e delicioso) e duas peças de cerâmica.

E ao lado tinha um museu do queijo (que igualmente, de museu só tinha mesmo o nome). Era uma loja de queijos que tinha incontáveis tipos de queijo. E na frente de cada queijo havia uma tigelinha com pedacinhos de queijo que podíamos provar. Apaixonei pelo de…. TRUFAS!!!!!!!!!

E quando chegou a hora de entrarmos na Casa de Ana Frank, atravessamos de volta para o tal prédio de esquina e entramos. Não pode filmar dentro da casa.

Deixamos a bolsa no guarda-bolsas, pegamos nosso áudio-guia e seguimos na fila. Esse guia não precisa de fone de ouvido; colocamos o aparelho no ouvido como fazemos com o celular. E para ouvir o áudio de cada cômodo era necessário encostar o aparelho em um ponto eletrônico na parede dos cômodos para ativar a gravação e apertar o play.

Quando eu tinha 9 anos mudei-me para Laranjeiras, no Hell de Janeiro. Estudei na escola municipal Ana Frank, que na época ficava de frente para o Consulado da Alemanha (que agora não é mais lá). Por estudarmos nesse colégio, tivemos que ler o livro do diário da Ana Frank, e portanto eu já conhecia a triste, triste, triste história dessa menina sonhadora que teve a vida ceifada prematuramente e de forma tão cruel. Lembro até das aulas de músicas judaicas com a professora Hinda, que tocava um acordeão, e até hoje lembro de uma das músicas que tivemos que aprender a cantar.

Ao entrar na casa da Ana Frank e relembrar tudo o que estava escondido na minha memória (e o mais importante, estar no lugar onde eles efetivamente se esconderam) foi MUITO tocante e triste. Me deu até vontade de reler o livro/diário novamente.

Não sei para outras pessoas, mas para mim foi um tour que SUPER valeu a pena, justamente porque tudo isso me era familiar e era algo com o que eu tinha um certo apego, pois me remeteu à minha infância.

Para vermos tudo levou cerca de 1 hora. No final, já de volta ao prédio por onde entramos, saímos em um salão onde se via uma parede com o diário da Ana Frank em todos os idiomas para os quais o livro fora traduzido, e também uma maquete de como a casa era decorada na época.

E saindo dali, atravessamos o canal e fomos dar uma rodada em busca de um mercado que não estava no lugar em que deveria estar.  Quando chegamos ao local do suposto mercado, vimos que só tinha os ganchos que prendem as barracas no chão, então, deduzi que hoje não seria um dia em que o tal mercado funcionava. E continuamos caminhando e tirando várias fotos no meio do caminho.

Fomos caminhando sem rumo e sem destino. E enquanto Gabriela foi procurar uma tal fresta entre casas que é atração na área, eu fui caminhando para o outro lado do canal, para explorar a área.

A história dessas casinhas é que numeração das casas (normais) da rua pula de 54 para 70, e alguém achou isso tão errado e tão absurdo que colocou 7 casinhas na fresta entre as casas de número 54 e 70, que corresponderiam às casas 56, 58, 60, 62, 64, 66 e 68 que deveriam existir entre a 54 e 70. A ideia doida acabou virando atração turística no bairro.

Enquanto eu andava, encontrei uma vendinha que tinha umas frutas lindas, e não me contive com as amoras gigantes.

Estavam mais lindas que gostosas. Era um meio termo entre azedo e doce. Mas valeu pelo menos pra matar a vontade. E enquanto eu saboreava as amoras, Gabi foi encontrar comigo.

E continuando a caminhar, entramos em um supermercado que vendia muitas coisas naturebas e veganas/vegetarianas. Comprei uns cubos de caldo orgânicos. E dá-lhe mais queijos. Este lugar é definitivamente o paraíso dos amantes de queijos.

E ainda durante nossas caminhadas, achei super legal como as pessoas aqui gostam de usar temperos nos vasos nas ruas. Essa fileira de vasos que separa a calçada das mesas do bar é composta somente de ervas (tomilho, sálvia, alecrim, manjericão e outros). Se fosse no braseeel, certamente estaria só na terra. E se bobear não teria nem os vasos mais.

Caminhamos, caminhamos, e nos deparamos com uma loja de chocolates de enlouquecer qualquer um: PUCCINI. O chocolate é tão delicioso quanto caro. Um humilde bombonzinho custou 2,50 euros.

Em Amsterdã, definitivamente, há coisas muito peculiares. Uma delas foi um bar por que passamos, que tem um balcão para tomar os drinks com bancos que eram como bicicletas ergométricas, heheheh. Enquanto você ganha calorias bebendo, vai gastando pedalando.

O chocante mesmo foi me deparar com uma padaria em que a mulher pegava o dinheiro com a mesma mão nua que pegava o pão ou croissant que as pessoas comeriam. Fiquei olhando aquilo boquiaberta e em choque. E as pessoas que comiam parece que não se incomodavam com a falta de higiene. Yuck! Que nojo!!! E tome mais foto de canal!

Sem sabermos o que fazer, resolvemos ir para o Waterloo Market, que é um mercado de pulgas ao ar livre. Fomos caminhando até a estação central e de lá pegamos um metrô até a estação de Waterloo (sim, aqui também tem Waterloo). Fiquei mais impressionada ainda com a quantidade de bicicletas desta cidade.

Bicicletas estacionadas na estação central

E por falar em bicicleta, acho que Amsterdã é a cidade mais perigosa do mundo para pedestres. Não se pode andar distraído de jeito nenhum, porque é trânsito de bicicleta, scooter, motos, carros e trams, tudo no mesmo caminho. Se der mole, você é atropelado.

E agora vem o momento pastelão do dia: já no metrô, paramos em uma estação em que entraram duas chinesas, que se sentaram à frente do rapaz que estava na minha frente, para quem pediram informação (o trem ainda estava parado na estação). Segundo a informação que lhes foi dada, elas estavam na plataforma errada, e uma das duas saiu batido antes que o trem fechasse as portas. A outra abestada ficou pensando na morte da bezerra, e quando se deu conta que a porta do trem ia fechar, saiu correndo mas portas se fecharam e a amiga do lado de fora arregalou os olhos (e eu ri com cara séria). Totalmente lesada a criatura. Acabou seguindo conosco no trem até a estação seguinte, onde desceu.

Seguimos até o tal mercado de pulgas, mas ó, uma porcaria. É um brechozão ao ar livre que tem umas coisas bem caquéticas. Barracas com roupas literalmente amontoadas no chão, em um bolo que não dava para identificar o que era o que. Já fui na feira de San Telmo na Argentina, e comparado com ela, esse mercado daqui é uma titica. Não recomendo a visita, a menos que você não tenha absolutamente mais nada para fazer em Amsterdã.

Mas perto dele há um mercado que é IMPERDÍVEL, o mercado de flores Bloemenmarkt. Não deixe, em hipótese alguma, de visitar esse mercado se vier a Amsterdã.

 

Tudo de enlouquecer! Sempre fui louca por esses tamancos de madeira, e Gabriela acabou me fazendo cometer a loucura de comprar um grande (27 euros). Entrei em pânico, pensando em como vou levar tanta tralha na mala, mas feliz. Realizei um sonho!

Passava das 16 horas, e fomos correndo de volta para a lavanderia, pois fecharia às 18 h. Tínhamos que pegar nossas roupas. E no meio do caminho, passamos pelo largo de Leidseplein e achei bem legal, com vários restaurantes  e ombrelones com mesas e cadeiras do lado de fora, ao ar livre. Decidimos que voltaríamos para ali depois de levarmos as coisas para o hotel. E assim fizemos.

Pegamos o tram 1 novamente até o ponto Leidseplein e descemos. Atravessamos a rua e chegamos ao largo, onde começamos a olhar os cardápios para escolhermos onde comeríamos. Procurava o tal stamppot que me foi recomendado, e no Cafe Reynders tinha. Gostei do ambiente, era ali mesmo que ficaríamos (só depois é que vimos que está classificado como 4 estrelas no Trip Advisor).

Pedi uma taça de vinho branco e uma salada caesar (pra não perder o hábito), e Gabi pediu o tal stamppot, que se comprovou ser muito delicioso, pelo que muito agradeço a quem me recomendou. É basicamente um purê de batata bem temperado, com uma salsicha e molho muito gostosos.

A salada caesar também estava à perfeição, com bastante molho e croutons bem crocantes. Uma das melhores que já comi. E de sobremesa, uma magnífica torta de maçã com canela, geleia de amora e chantilly. Já vou lá no Trip Advisor fazer minha classificação.

Pagamos a conta e fomos andar um pouquinho na rua. Encontramos algumas coisas diferentes e legais.

A novidade legal ficou por conta do self-service de fast food (Febo), que eu nunca tinha visto antes. Você coloca as moedas nos slots e aperta o botão do que você quer e a portinha se abre para você pegar o item escolhido. O legal disso é que quem vende repõe conforme vai acabando na “vitrine”, e é uma maravilha pra quem está com pressa e não quer perder tempo esperando, pois o item já está disponível para pegar e sair. Sensacional o conceito.

E não tinha só sanduíches, não; tinha uns croquetes de carne maravilhosos, e que me foram recomendados hoje, também. Aprovadíssimos, por sinal. A dúvida, agora, é se amanhã, último dia, jantaremos os croquetes ou no Reynders de novo, pois os dois são maravilhosos.

Aí você pergunta: e se a pessoa não tiver nota, faz como? Ao lado das “vitrines” tem uma máquina que troca notas de 5 e de 10 por moedas. Fácil e rápido! Ninguém sai triste dessa loja.

Voltamos para o hotel caminhando por dentro do Vondelpark, que eu no primeiro dia achei que seria um parque meia boca. Fiquei maravilhada com o parque; lembra muito o Central Park de Nova York (que saudade…). E a curiosidade do Vondelpark fica por conta de uma decisão da prefeitura, que determinou que a partir de setembro de 2008 os visitantes do parque poderiam fazer sexo ao ar livre dentro dele, desde que fossem respeitadas algumas regras pré-estabelecidas. Mas não vimos nada fora do comum, a não ser círculos de pessoas sentadas com uma nuvem de fumaça saindo do meio. O que será? rsrsrsrsrrsrs

É um parque com muita vida. Tinha muita gente passando de bicicleta por dentro dele, pessoas jogando com cachorros, deitadas num gramado que mais parece um tapete. Tinha lagos, chafarizes e muitas árvores lindas. Muito relaxante.

E depois de atravessarmos o parque, caminhando uns 20 minutos, finalmente chegamos à rua do nosso hotel. E quando entramos no nosso quarto, encontramos um bilhete fofo com pedido de desculpas pelo episódio de ontem (do ralo entupido que não foi consertado) e duas queijadinhas maravilhosas.

E assim terminou nosso dia, que eu achei maravilhoso. E eu, que achava que a estadia em Amsterdã seria monótona, sem ter o que fazer…

Amanhã acordaremos bem cedo, porque Gabriela que ir lá na frente do museu tirar foto na frente do I AMSTERDAM antes de irmos para nosso countryside tour em Volendam, com visita à fábrica de queijo.

Saldo de caminhada do dia: 11,8 km.

Beijos.

Dia 10 – Explorando Amsterdã

Acordamos depois das 9, fizemos um sanduíche com as coisas que compramos ontem, nos arrumamos e saímos. Estava cerca de 14 graus, e saímos com um casaco leve e echarpe.

Na recepção, pedimos para providenciarem o desentupimento do ralo do box, e fiquei na esperança de conseguir tomar um banho à noite sem sentir nojinho.

Caminhamos até o ponto do tram e descemos perto do mercado Albert Cuyp, que é uma “feira” ao ar livre, que ocupa algumas quadras entre Ferdinand Bolstraat e Van Woustraat na área De Pijp do distrito Oud-Zuid da cidade.

Entramos numa loja de souvenir e surtei. Acabamos comprando algumas coisas, como chaveiro, imã de geladeira, xícara e tamanquinhos holandeses. E depois fomos passando por várias barraquinhas e lojas.

Compramos queijos (embalados a vácuo) e azeitonas sem caroço temperadas com alho e orégano (para beliscarmos à noite), comemos stroopwafels feitos na hora, waffer e cachorro quente. O local é realmente enlouquecedor. Vale super a pena o passeio! Tudo o que comemos estava magnífico (tenho muitas fotos para postar aqui).

E entre uma rua e outra, encontrei 5 euros caidinho no chão. Não sei que raio de sorte é essa que sempre encontro dinheiro na rua. Contando, acham que é invenção minha. A única que pode comprovar é a Gabi, que está sempre comigo quando acho, e que fica pau da vida que nunca é ela que acha. O segredo? ANDAR NA RUA OLHANDO PARA O CHÃO!

E saindo da feira fomos caminhando até o museu Rijks, mas no meio do caminho entramos em um supermercado para olharmos. Muitas coisas legais que gostaria de levar, mas a mala já deve estar beirando o limite de peso. Pasma como determinadas coisas são baratas aqui, mesmo o euro estando tão caro.

E chegando ao museu, fomos tirar foto no famoso texto gigante “I AMSTERDAM”. Estava lotado, mas consegui uma fotinha. E resolvemos entrar no museu para vermos as obras. Compramos os ingressos e entramos.

Ficamos umas 3 horas no museu, e meu parecer final sobre a visita é: “NÃO DEIXE DE VISITAR ESSE MUSEU SE VIER PARA AMSTERDÃ!!!!!!”. Vale super a pena; o acervo é fantástico e surpreendente. Tirei muitas fotos, mas não vou postar nada hoje porque já passa de meia-noite e eu estou morta com farofa (mas tem bastantes fotos no Instagram @amportas).

E saindo do museu, fomos caminhando sem rumo e sem destino. Estávamos com fome e resolvemos catar um lugar para comer. E andando um pouco mais, chegamos numa rua chamada Nieuwendijk, que basicamente é um calçadão cheio de todo tipo de loja. E numa das ruas transversais comemos um magnífico hamburguer, que recomendo a quem vier para Amsterdã: Burger Cuddle Pub (endereço Nieuwe Nieuwstraat 20 H). O delicioso sanduíche é bem grande, tem batatas fritas bem crocantes e sequinhas (14 euros cada) e uma saladinha.

E saindo dali, fomos até uma loja de doces e sorvetes que havíamos visto: Dolce & Gelato. Gabi pegou um cheesecake de Kinder Bueno e eu um sorvete de Ferrero e Nutella. Bom, mas não imperdível. A cara estava melhor que o sabor.

E já estava no fim da tarde, e fomos catar alguns canais para tirarmos fotos. Vir à Amsterdã sem tirar foto em um canal é como ir à Roma e não ir ao Vaticano. E caminhando, acabamos indo parar no bairro da luz vermelha, onde há as famosas “lojas de sexo”, onde as prostitutas ficam em vitrines seminuas, se exibindo como produtos para chamarem a atenção dos homens. Tiramos muitas fotos bacanas dos canais, e resolvemos fazer um passeio de barco.

Gente… socorro. No nosso barco tinha um americano de seus quase 30 anos que me deixou sem fôlego. O homem era tão lindo que eu quase pedi para tirar uma foto dele, mas Gabi conseguiu roubar algumas fotos discretamente, hehehehe. E além de lindérrimo de cair o queixo, ele era super simpático. Está fazendo viagem estilo mochileiro, sozinho, e já foi pra vários países. Até a voz do desgramado era gostosa! Quem está acompanhando a viagem no Instagram percebeu que eu fiquei desnorteada e quase nem prestei atenção no passeio de barco, hahahahaha.

O passeio durou 1 hora (15 euros por pessoa). E quando saímos do barco já era noite, e estava bem frio (e a gente com casaquinho leve). Descemos e fomos andar um pouco mais pela rua das “meninas”. Fiquei pasma com as moçoilas que se exibiam; algumas muito bonitas, e outras um verdadeiro dragão cheias de botox na beiçola. Sem falar nas lojas de produtos eróticos! Cada bengala, que eu chegava a engasgar, hahahahah. Sem falar nas lojas de produtos de maconha. Tinha de tudo com maconha: chá, biscoito, chocolate, bala, bolo e o que mais sua imaginação pensar.

E os “teatros” de sexo ao vivo? Como tem voyeur nessa terra! Tinha fila para entrar! Apesar de ser uma área que parece ser barra pesada, por causa da prostituição, foi super tranquilo. É uma área turística, e tinha muita gente nas ruas, até porque tem muitos bares e restaurantes também.

Já estávamos cansadas, e resolvemos voltar para o hotel. Pegamos dois trams e cerca de meia hora depois chegamos ao hotel. Fomos direto perguntar ao recepcionista sobre o desentupimento do ralo, e a surpreendente notícia que tivemos é que havia um aviso de NÃO PERTURBE na nossa porta, e por esse motivo ninguém entrou no quarto (nem mesmo a arrumadeira). E a pergunta que não quer calar é: QUEM COLOCOU O AVISO NA PORTA, SE NÃO FOMOS NÓS???? Minha teoria? Esse ralo deve ter histórico de entupimento de longa data e nunca conseguiram consertar, então, a desculpa de hoje foi que o aviso estava na porta e ninguém entrou para consertar; amanhã o encanador estaria gripado ou teria quebrado o braço, e no último dia não conseguiriam arrumar outro que consertasse, e o final da história é que ficaríamos 4 dias com um box com ralo entupido, e eles teriam se safado do problema (eu). Só que comigo o buraco é mais embaixo.

Falei com o recepcionista que não tinha a mínima lógica pedirmos para mandarem alguém consertar o problema e nós colocarmos um aviso de NÃO PERTURBE na porta. Como iriam consertar sem entrar no quarto??? Já passava das 22 h, e eu estava morta (estou, ainda). Disse que não tomaria banho naquele box, e que se ele não conseguisse alguém que consertasse o problema imediatamente, que eu queria que nos trocassem de quarto. Percebi que ele ficou com cara de poucos amigos, embora suas palavras fossem de extrema educação. Eu me contive para não rodar a baiana, mas no final resolvemos o problema. Ele nos colocou no quarto ao lado do nosso, e que é bem maior. Só espero que não nos cobrem nenhum adicional pelo quarto ser maior, senão a porca vai torcer o rabo. Amanhã vou me certificar de que isso não acontecerá.

Tomei meu merecido banho, sem ralo entupido, fiz um sanduíche e um café com leite e deitei-me para fazer este post.

Amanhã decidiremos o que faremos. Não conseguimos ir à casa da Ana Frank porque não conseguimos comprar os ingressos (20% dos ingressos do dia são vendidos somente no dia da visita). Amanhã tentaremos insistentemente comprar para amanhã. E depois de amanhã faremos um tour pelos moinhos e iremos a uma fábrica de queijo em Volendam.

Saldo de caminhada do dia: 14,9 km (recorde).

Beijos.

Dia 9 – Amsterdã

Levantamos 6:30 hoje num frio de 6 graus. Demos uma última arrumada na mala, nos arrumamos, descemos, entregamos as chaves do quarto e saímos cerca de 7:10. Estava escuro ainda na rua, e muito frio. Fomos arrastando as malas devagar até o ponto do tram, que ficava a uns 200 metros do hotel. Por sorte conseguimos chegar a tempo de pegar o de 7:20.

Entramos e perguntamos ao conferente como poderíamos pagar, já que não havíamos comprado a passagem antecipadamente. O preço comprado antes é 6 libras por pessoa e nós pagamos 10 ali na hora; e só aceita cartão.

O conferente era muito simpático. Era italiano e estava nos contando sobre a viagem que havia feito para Amsterdã. Inclusive nos recomendou um tour para a fábrica de queijos Volendam e nos mostrou fotos da viagem dele. Pareceu bem legal.

Num dado momento o tram parou em uma estação e o tal conferente se despediu de nós e saiu de seu turno junto com o piloto, e os do turno seguinte entraram. A viagem durou cerca de meia hora até o aeroporto de Edimburgo.

Ao chegarmos à área da nossa companhia aérea (Easyjet), fomos até um totem, pesamos a bagagem, imprimimos o ticket da mala e depois entregamos a um rapaz na esteira. Foi tudo muito rápido e prático. Livres do peso das malas, seguimos para o Café Nero para tomarmos café – chegamos bem cedo, e tínhamos muito tempo pela frente. E depois do café rodamos um pouco e depois resolvemos passar pela segurança e ir para o portão de embarque. Depois de passarmos pelo raio X, seguimos em frente e entramos numa Superdrug, onde compramos algumas coisas, dentre elas, um creme dental com carvão ativado que promete clarear os dentes. Vejamos…

Demos alguns rolés pelas lojas e às 10:45 começou o embarque, que foi meio lento porque a aeronave demorou a abrir porta. Por fim entramos, nos acomodamos e voamos cerca de 1:20 até Amsterdã.

Chegando à Amsterdã, entramos na fila da imigração, que nos tomou cerca de meia hora. E ao sairmos dali, nossas malas já nos esperavam nas esteiras, uma do ladinho da outra. E saímos arrastando nossas malas até a área de trens.

Gabi foi pegar informação, mas nos enrolamos um pouco. Não saber holandês começou a complicar. Acabamos indo para o guichê de bilhetes e pedimos informação à atendente, que nos disse que para 3 dias, ficando somente na área de Amsterdã, precisaríamos somente do bilhete AMSTERDAM TRAVEL TICKET, que custou cada um 26 euros.

Descemos a escada rolante conforme ela nos indicou e pegamos um trem até a estação Central. Lá, pedimos informação no guichê de informações sobre como chegar ao VONDELPARK, que é onde fica nosso hotel, e o senhor que nos atendeu disse que teríamos que pegar o tram no. 2.

Saímos arrastando as malas no meio de muitas pessoas, e estávamos procurando o tram de número 2, mas acabamos descobrindo pelo Google Maps que era no ponto 2 que deveríamos pegar o tram de número 1 ou 11. Houve um certo estresse.

Assim como no metrô de Londres, em Amsterdã você também passa o cartão no terminal para entrar no tram e precisa passar novamente na saída para validar seu passe. Pegamos o tram 11 e descemos na estação Rhijnvis Feithstraat. Fomos caminhando devagar, arrastando nossas malas, e uns 300 metros depois chegamos ao nosso hotel, Conscious Hotel Vondelpark.

Fizemos nosso check-in, e com base no que gastamos em Londres/Escócia optamos por pagar nossa estadia aqui em dinheiro, e não no cartão de crédito, pois calculamos que também sobraria dinheiro, já que vamos ficar somente 5 dias inteiros aqui pela região.

O hotel em que estamos tem dois blocos, e nosso quarto fica no segundo bloco. Me enrolei toda para tentar entender como chega até o quarto, então prefiro andar atrás da Gabriela, que está sendo minha guia nesta viagem.

O conceito do hotel é de preservação da natureza, economia de energia, uso de produtos ecologicamente corretos e veganos e bla bla bla, e é por isso que tem esse nome. É totalmente antifumo, o que eu amei, pois odeio cheiro de cigarro.

Entramos no quarto, e apesar de ser pequeno, é bem jeitosinho. Deixamos nossas coisas no quarto, pegamos o casaco leve, já que estava 14 graus quando chegamos, e saímos para irmos ao Hard Rock, pois estávamos com fome. Passava das 15 h.

Pegamos o tram novamente na estação do palavrão acima e algumas estações depois descemos pertinho do Hard Rock. Enquanto esperávamos nossa mesa fomos até a loja, onde eu queria comprar uma camiseta (também coleciono camisetas, apesar de não ter comprado nenhuma em Edimburgo). E enquanto estava comprando a camiseta, o alerta da mesa começou a alarmar, e Gabi foi na frente. Encontrei com ela em seguida e fomos para a mesa.

Ela pediu a strawberry basil lemonade de sempre, com o copo de souvenir, e eu pedi um drink chamado Hurricake, feito com manga. Nunca tinha experimentado, e gostei, apesar de achar que praticamente não tinha álcool. Não deu nem pra ficar alegre. Ela pediu um mac & cheese e eu pedi uma fajita de carne e frango, que de forma alguma toma o lugar da minha sempre salve-salve caesar salad. Mas como eu estava com muita fome, não quis pedir a salada, senão ficaria com fome logo.

Comemos, pagamos e fomos até a loja novamente para pegar o copo. E saindo dali fomos caminhando pelos arredores do Vondelpark. Como hoje é domingo, as lojas já haviam fechado, e seguimos pela rua Pieter Cornelisz Hooftstraat, que é a rua das ryca, onde só tem loja de haute couture. Já começava a cair a noite.

Já na rua do hotel, vimos um mercadinho, e resolvemos entrar. Muita coisa diferente, e muito difícil identificar os produtos, porque obviamente está tudo em holandês, e tivemos que apelar para o Google translator para nos salvar. Decidimos levar algumas coisas para tomarmos café, pois não está incluído no preço que pagamos no hotel. Compramos pão, manteiga, queijo, peito de peru, salame, ice tea, leite achocolatado, coffee creamer, um suposto Nescafé e adoçante, que depois descobrimos ser uma mistura de Nescafé com creamer e açúcar, maravilhoso, por sinal. Como não tem frigobar no quarto, usaremos nossa geladeira natural (o peitoril interno da janela).

Na hora de pagar fomos para o self cashier, mas foi tipo 10 a 0 pro terminal. O raio do terminal não aceitava cartão Visa nem Master e tampouco dinheiro. Travou por falta de atividade, porque a gente se enrolou, e por fim desistimos de finalizar a compra ali porque não conseguimos pagar. Pegamos as tralhas todas e fomos para o caixa normal. Nos enrolamos com as moedas, minha bolsinha de dinheiro ficou pendurada aberta na minha roupa, e por pouco não perdi todo o dinheiro e cartão. Se fosse no braseeel nem bolsinha teria mais, pois dariam um jeitinho de furtar sem eu sentir. Mas como estamos em um país civilizado, onde as prisões estão virando hotéis por falta de presos, estamos seguras de que a honestidade prevalecerá.

Chegamos de volta ao hotel e perguntamos ao recepcionista se teríamos como conseguir água quente para fazermos café para nós. Ele nos entregou um kit com chaleira elétrica, xícaras, colheres e uma caixinha de chás, e depois subimos pelo “labirinto do minotauro”. Talvez eu consiga subir e descer sozinha até o último dia de nossa estadia aqui, mas por ora vou seguir a Gabriela mesmo.

Chegamos ao nosso quarto e fui direto para o banho, pois tinha que lavar meus cabelos, e foi aí que começamos a ver os pontos negativos do quarto. O ralo do box está completamente entupido e só na hora de tomar banho é que reparei que o box não tem porta – acabamos molhando tudo se não virarmos o chuveiro em direção à parede (e tomarmos banho quase grudados nela). O quarto só tem UMA tomada livre; as outras duas são do interfone e secador de cabelos, que obviamente podem ser desconectados para usarmos. Não há um cabide de parede para colocarmos os casacos; temos que usar o cabide normal de madeira que fica dentro do armário. E não é por falta de parede, porque tem de sobra, e nem quadro tem.

PS: A tomada aqui é de dois pinos como era no braseeel antes da mudança ridícula que fizeram para 3 pinos; e apesar de ser do pino grosso, o pino fino que usamos encaixa e funciona bem.

Amanhã falaremos na recepção sobre a questão do ralo entupido, e se não derem um jeito, colocarei a boca no trombone no Trip Advisor.

Ainda sobre amanhã, era dia de irmos à casa da Ana Frank, mas esquecemos de comprar os ingressos há dois meses atrás. Será praticamente impossível conseguirmos. E sobre a fábrica de queijo que nos foi recomendada, custa uma pequena fortuna: 355 euros; não é para meu humilde bico. Teremos que tentar algo mais baixa renda, heheheh.

Pelo que entendi, estamos a 5 horas de diferença em relação às terras tupiniquins (a mais). E estou tentando ver o resultado da eleição, e ainda não consegui ver nada. Estou bem apreensiva sobre isso. Espero que ao acordar amanhã eu fique feliz.

Saldo de caminhada hoje: 8 km.

Bjs.