Uma Pérola das Minas Gerais

Recentemente estava fuçando o Facebook e me deparei com um vídeo (clique no link para assistir) que chamou minha atenção. O vídeo mostrava Augusto Ribeiro, um artesão de 21 anos, de Santana do Araçuaí, Minas Gerais, que com mãos de ouro, faz lindíssimas bonecas de barro.

Assisti ao vídeo vidrada, encantada, e apaixonada. Eu precisava ter uma boneca daquelas!!!

Comecei a fuçar a página da Associação de Artesãos de Santana de Araçuaí para tentar descobrir o contato do Augusto, e acabei esbarrando em um pouco da sua história:

Desde os 4 anos de idade, Augusto tem contato com o barro, pois sua tia era aluna da mestra artesã e ceramista Dona Izabel Mendes, na pequena Santana do Araçuaí onde mora, e ele acompanhava sua tia às aulas e eventuais visitas à mestra.

Dona Izabel, que transformava argila em obra de arte, era considerada a mais famosa bonequeira das Minas Gerais. E observando a arte e a beleza das suas peças, Augusto brincava com o barro e começou a fazer pequenas pecinhas.

Uma de suas primeiras peças

A brincadeira virou paixão, e Augusto passou a se concentrar na tentativa de reproduzir os detalhes e expressões que as bonecas conseguiam transmitir. As rotinas seguiam e ele ficava cada vez mais interessado, observando e aprendendo, fazendo suas bonecas pequenas de 20 cm.

Bonecas iniciais, com 15 anos

Decidido a viver como artesão, Augusto passou a fazer bonecas maiores, de cerca de 90 cm de altura, como as que ele cresceu admirando. Suas bonecas receberam marca, técnicas e expressões próprias, e assim foram surgindo bonecas de diferentes estilos e idades, moldadas pelas suas mãos hábeis.

Hoje, depois de cerca de 17 anos de ofício, Augusto segue fazendo suas bonecas com a mesma paixão que tinha quando era um pequeno aprendiz, e sempre buscando melhorar suas técnicas, para ter bonecas cada vez melhores e mais bonitas.

Então, encantada com sua arte, eu decidi procurar o Augusto para saber como conseguir uma boneca, porque eu tinha certeza que minha casa iria ficar mais linda com uma boneca dele, já que seu tipo de arte (rústica e mineira!) é o que me atrai.

Encontrei Augusto no seu Instagram @augustoarte, e dali começamos a nos falar pelo WhatsApp (33-99916 9449).

Muito simpático e atencioso, Augusto me passou todas as informações que eu precisava, e finalmente encomendei minha Aurora (o nome da minha boneca), do jeito que eu a imaginava, e nas cores que eu queria.

Pedi que ele fosse me enviando as fotos da construção da Aurora, que durou cerca de 6 meses, e assim ela foi feita:

Base
Base com tronco
Agora, com braços

Peraí! Vamos dar uma parada aqui, gente! O que são essas flores?????? Estava tudo lindo até esse buquê entrar. Ele ofuscou toda beleza vista até então! Augusto gastou 4 dias fazendo o buquê, e pra mim, sem dúvida, ele foi a coisa mais linda que já vi numa arte em barro.

Base da cabeça
Cabeça detalhada
Cabeça encaixada no corpo

Pronta para a pintura
Pintura básica feita e boneca pronta para ir ao forno. A pintura final é feita depois da queima
Pintura básica após a queima

Depois de seis meses de espera, finalmente minha Aurora ficou pronta!

Vocês irão perceber que os brincos estão diferentes. É porque ele colocou dois tipos, para eu escolher. Eu escolhi o do lado esquerdo da foto, tipo gota. Assim que ela chegar na minha casa, colocarei a foto dela instalada em seu devido lugar. Já está reservadinho!

Custou bem caro, mas valeu cada centavinho. É uma obra de arte! Parabéns ao magnífico artesão!

Ecologicamente Correto e Funcional

Minha casa doi construída há exatos 20 anos atrás, e como toda obra feita por conta própria, sem empreitada, até hoje tenho coisas por fazer.

Fizemos na calçada em frente à casa principal, dentro do meu terreno, uma calha para escoamento da água da chuva, para a qual primariamente tínhamos a intenção de por grelhas de alumínio, tipo de piscina, para não ficar o buraco, que poderia causar um acidente. Nesses 20 anos, houve uns 2 ou 3 incidentes que não tiveram grandes consequências, mas o tempo passa, e eu não vou ser uma jovem senhora por muito tempo mais. Logo estarei me arrastando, e certamente as chances de acidentes mais graves existirão.

Quando minha mãe veio morar comigo, há uns 2 anos atrás, eu mandei fazer uma grelha de madeira, e ficou muito bom. Mas infelizmente não tirávamos quando começava a chover, como era o planejamento inicial, e com isso, como era de se esperar, a madeira apodreceu com 1 ano e meio de vida.

Como grelhas de alumínio são extremamente caras e de ferro não rolaria, já que moro em área praiana, estava sem esperanças de resolver esse problema, e cheguei até a pensar em tampar a calha. Porém, ano passado, no Instagram, me deparei com um post de uma empresa do Rio Grande do Sul chamada Ekobio Madeira Plástica, que me deixou bastante animada, não só para resolver o meu problema da calha no chão, mas também para concretizar outros projetos que eu tinha em mente.

A madeira plástica, também conhecida como madeira biossintética, é um composto plástico reciclado que se assemelha à madeira tradicional. É produzida a partir do processo de transformação de plásticos reciclados junto com fibras naturais, e pode conter os mais diversos resíduos em sua composição.

Como base para a fabricação do produto, a empresa usa 70% de polipropileno proveniente de resíduos industriais e de pós-consumo, como sacaria de ráfia, baldes e bacias plásticas e embalagens em geral. Além disso, há 25% de elementos naturais e vegetais, que dão maior rigidez aos perfis de madeira plástica, como casca de arroz ou resíduos industriais fibrosos, e ainda, 5% de aditivos, que complementam as propriedades do polipropileno, agregando maior resistência aos raios UV para proteger a resina e a cor dos perfis.

100 metros quadrados do produto equivalem a 2400 quilos de material reciclável aproveitado e 10 árvores de médio porte que são salvas.

O que achei muito legal é a opção de cores. Comecei a imaginar muitas coisas!

Empolgada com minha descoberta, entrei em contato pelo WhatsApp da empresa, e falei com a Andressa, que é a responsável. Foi muito solícita e simpática, e resolveu todos os meus problemas de maneira bem fácil. Enviei medidas e esboços do que eu queria e voilá!

Achei o preço do produto razoável, considerando a sua vida útil, e enviaram pela transportadora. Chegou bem rapidinho, e eu rapidinho coloquei no lugar pra ver. Não comprei para toda a calha, mas somente para o espaço de maior circulação, que é a porta da cozinha e a varanda.

Calha de chuva tampada com madeira plástica

Na minha onda de horta caseira, aproveitei e pedi para fazer também uns suportes de vaso. Comprei as rodinhas a um preço bem acessível pelo Mercado Livre e eu mesma as instalei. Foi super fácil. Além de ter agora um suporte que aguenta chuva e sol por muito mais tempo, ficou muito bonito e fácil de movimentar os vasos super pesados rapidamente.

Depois disso tudo, resolvi fazer também uma barreira de proteção para uma porta externa que tenho aqui em casa, que fica bem na direção do deságue da calha do telhado. Apesar de ter um toldo sobre a porta, só ele não resolve. A água da chuva cai da calha e molha toda a parte baixa da porta, apodrecendo o caixonete da porta. A cada 5 anos tenho que trocar a parte do caixonete que apodrece, pois nem mesmo uma boa pintura consegue proteger 100%. O ideal mesmo seria por uma calha no telhado, mas sabe aquela necessidade que você empurra com a barriga por achar que o dinheiro daquilo pode ser mais bem utilizado em outra coisa? (viagens, por exemplo, rsrsrsr) Pois é. Arrumei uma forma muito mais barata de proteger a porta. Agora não terei mais sala alagada. É uma porta que vive fechada e raramente uso, então, não vai ser nenhum empecilho. Problema resolvido!

Eles fizeram o projeto com as medidas que passei, e uma vez aprovado, eles fizeram e despacharam.

Projeto feito pela empresa
Peça pronta

Essa peça veio toda desmontada, já furada e com parafusos, para poder economizar no transporte. Chegando aqui, usei uma parafusadeira, e em 20 minutos estava tudo montado e já em uso, pois tem chovido nos últimos dias.

Agora, tudo que penso em fazer em madeira, já penso na Ekobio, pois não precisa verniz nem pintura (se você não quiser pintar ou envernizar).

Eu super recomendo o produto e a empresa, e se você tiver ideias legais em madeira para sua casa, mas fica desanimada com uma curta durabilidade devido à exposição à chuva ou sol, super compensa gastar um pouco mais e ter a segurança de ter um acabamento que pode facilmente enganar qualquer pessoa, pois é muito semelhante à madeira de verdade.

Para mais informações, clique no nome da empresa, que coloquei ali em cima. E para ser mais rápido, colocarei aqui o contato pelo WhatsApp: Andressa (Ekobio) 51-98585.7341. Essa é a maneira mais rápida e interativa, mas se preferir, tem também o e-mail de contato: contato@ekobioind.com.br.

Causo do dia

Quando eu estava grávida, precisei arrancar um siso. Devido à minha condição, a dentista não aplicou a anestesia normal, e disse que aplicaria um raio de uma anestesia “para grávidas”, que nunca funcionou. Fiquei quase 2 horas nessa lengalenga, porque a tal anestesia não pegava nunca, e tudo já deveras magoado por causa do tenta-tenta dela de arrancar o dente com aquele alicatão aterrorizante. No final das contas, eu rodei a baiana e mandei ela aplicar a anestesia normal mesmo, que eu me responsabilizaria. Foi a experiência mais traumatizante em dentistas, na minha vida.
Hoje, precisei arrancar outro siso. O dentista aplicou uma anestesia caprichadona que não doeu nadinha, mas as recordações “aflitantes” da minha primeira experiência “sisal” não me deixou ficar calada, e eu grunhia sem parar, como uma porca sendo abatida. Ele perguntou: “Está doendo?”. Eu (falando como se tivesse uma bola de tênis na boca): “Ão… é fó ner-ofo!” (não, é só nervoso). Ele: “Ainda bem! Mas faz um favorzinho. Não fica gemendo assim não que o pessoal lá fora que está esperando não vai entender nada.”. Resolvi baixar o volume…

Um Mal Necessário

Não sei se é por causa da pandemia, que faz a gente pensar mais e fazer menos, mas esta semana “desenterrei muitos defuntos” nos meus pensamentos e até mesmo nos meus causos contados verbalmente. Esses defuntos são aquelas pessoas que passaram pela minha vida e que hoje dou graças a Deus que tomaram outro rumo, bem longe de mim. Isso inclui ex-amigos, ex-sócios, “exs” e ex-familiares-de-ex.

Algumas pessoas passam por nossa vida e nos decepcionam. Em algumas raras situações, algumas dessas pessoas nos trazem alguma coisa boa antes de mostrarem sua verdadeira cara tempos depois (pelo menos isso, pra compensar a decepção no final de tudo.) E tem aquelas que entram na sua vida como um rolo compressor, que não fazem nada de bom, só trazem peso morto, e quando saem, deixam um rastro de destruição (e alívio).

Porém, por mais mal e decepção que essas pessoas tenham trazido para mim durante o tempo da famigerada relação, eu ainda posso afirmar que sua breve existência na minha vida conseguiu ser benéfica de alguma forma, porque é com base nas experiências que temos no passado que aprendemos a ser mais seletivos e observadores no futuro. Isso, aliado ao amadurecimento, colabora para que consigamos ter êxito em relações futuras de qualquer natureza.

Posto isso, eu posso dizer que os carmas da nossa vida nos são edificantes de alguma forma, e todas as tribulações, raivas, arrependimentos e angústias por que passamos por causa desses seres, de alguma forma nos trazem o benefício da experiência. Então, eu posso afirmar que por pior que tenham sido, meu consolo é que todas essas pessoas indesejáveis serviram de referência para que eu não volte a cair na lábia de outros lobos em pele de cordeiro.

E para fechar esse breve post, eu digo que a gente não deve lamentar por ter conhecido fulano ou beltrano. Se você for uma pessoa inteligente, certamente vai usar a experiência ruim que teve com elas para se edificar e não passar mais por situações iguais.

A Empatia Moderna (Leia-se, Fresca)

Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. Mas e quando a sua forma empática de pensar é diferente da de outra pessoa? Quando você se põe no lugar da pessoa sobre determinado assunto, e você ficaria indiferente e não se importaria com algo, contrário ao comportamento de quase todo mundo? Quando o que é normal pra você, não é normal pra todo mundo?

Infelizmente, o mundo de hoje está absurdamente mimizento e chato ao ponto de as pessoas não poderem mais expressar opiniões que sejam contrárias às de alguém que diga algo com o qual você não concorda, chegando ao ponto de pessoas mentirem para simplesmente deixar outras pessoas satisfeitas ou felizes.

Isso não é pra mim. Se eu posto algo nas redes sociais com o qual alguém não concorde ou não curta, eu poderia ter duas reações: 1) curtir o comentário da pessoa, já que acho que qualquer pessoa tem o direito de pensar diferentemente de mim; ou 2) simplesmente ignorar o comentário, já que quando um não quer, dois não brigam, e contra o silêncio não há argumentos.

O mundo de hoje está diferentemente entediante e insuportável, com tanta gente fresca e carente de atenção e de falso confete. Preferem ler e escutar mentiras do que conhecer uma forma diferente de pensar.

Contudo, reconheço que há formas e formas de se dizer que sua opinião é diferente da de alguém. Expressar uma opinião contrária de forma agressiva ou humilhante não é uma boa abordagem, mas dizê-la sem qualquer conotação de afronta, acho uma forma saudável de perceber que outras pessoas pensam de forma diversa à sua, e muitas vezes pode até lhe fazer mudar de ideia em relação a alguma coisa; pode te fazer pensar fora da caixa.

A conclusão que eu cheguei, é que o mundo de hoje está previsível demais, onde a única coisa a se fazer é simplesmente ficar calado, porque toda gente hoje fica doída por qualquer besteirinha que se fale contrária ao seu pensamento, e não só nas redes sociais, mas também no social in natura. Pra mim, a empatia moderna está fresca e melindrosa demais pro meu gosto.

É por essas e outras que eu prefiro ficar no meu mundinho, no único lugar onde me sinto bem: na minha casa. Assim, tanta gente carente de atenção e mal-amada não consegue estragar meu dia. É por isso que me apego cada vez mais aos meus gatos.

Agradeço Pelas Escolhas que Fiz

Hoje fui dormir às 3 da manhã, porque comecei a assistir a segunda temporada da série da Netflix Dirty John, que conta a história de Betty Broderick, uma mulher que assassinou o ex-marido e sua nova esposa, que era a secretária dele.

Se ninguém assistiu mas deseja fazê-lo, talvez seja uma boa ideia só ler este post depois que assistir, senão, vão me xingar pelos spoilers que lerão.

Pois bem, a série conta a história real de Betty Broderick, uma mulher que conheceu o marido, Daniel, quando ambos estudavam na mesma faculdade, em 1965 – se casaram 4 anos depois. Eles tiveram um início de casamento muito difícil, pois o investimento nos estudos de Daniel os deixou com pouco dinheiro para terem uma vida mais tranquila, ainda mais com um filho atrás do outro vindo – foram 5, sendo que um morreu logo após nascer.

Betty trabalhava enquanto Daniel estudava, e pouco depois do nascimento da primeira filha, em 1970, Daniel se formou em Medicina e manifestou o desejo de cursar Direito em Harvard, para onde se inscreveu e foi aceito. Por incentivo de Betty, Daniel pediu um empréstimo para pagar a faculdade (que começaria a ser pago após sua formatura e início de trabalho), enquanto Betty trabalhava para pagar as despesas da casa / família. Ou seja, ela se esforçou muito trabalhando e cuidando de filhos enquanto o marido investia no futuro da família.

Pouco depois de se formar em Direito, Daniel foi contratado por uma empresa de advocacia em San Diego, para onde o casal se mudou. E durante algum tempo, Betty vendia Tupperware e Avon para ajudar no sustento da família, ao mesmo tempo em que cuidava dos filhos como dona de casa.

Com o passar do tempo, Betty incentivou o marido a pedir demissão da empresa onde trabalhava (e ganhava uma ninharia) e abrir sua própria empresa, que começou pequena e foi crescendo cada dia mais. Daniel era agora um muito bem-sucedido advogado que se especializou em processos judiciais contra médicos, e era agora referência nessa área jurídica.

A essa altura, eles já tinham 4 filhos e Betty era uma mulher bem de vida, que morava em uma casa imensa e gastava rios de dinheiro com roupas e sapatos caros, e vivia saindo para almoçar e papear com 3 amigas cujos maridos eram amigos de Daniel. A relação do casal até então era muito boa, praticamente não brigavam, e passeavam bastante. Chegaram a comprar uma casa de praia.

Em 1982, Daniel contratou uma recepcionista muito bonita, chamada Linda, e num dos eventos em que foram, ao se aproximar do marido, que conversava com os amigos (maridos das amigas), ela ouviu o marido terminar uma frase com “…ela é muito linda”. Encucada, Betty tocou no assunto quando chegaram em casa, e fingindo desinteresse, Daniel disse que contratou uma recepcionista, mas nem sabia o nome dela (mentira, né!). Ali começou o inferno na vida de Betty.

Daniel estava visivelmente se apaixonando por Linda, que safadinha que era, ficava fazendo charme e dando olhares lânguidos para Daniel. E apaixonado que já estava, mudou completamente o comportamento com Betty. Ela já não fazia os carinhos que sempre fez, já não procurava a mulher, e isso estava deixando Betty em desespero, porque ela sabia que tinha caroço nesse angu. Chegou até a ir até a empresa, olhar com seus próprios olhos, quem era a linda Linda, e quase morreu quando viu o quanto ela era linda, além de jovem, claro.

Betty exigiu que Daniel escolhesse entre demitir Linda ou sair de casa. E confrontando Betty, ele disse que quem sustentava a casa e seus luxos de madame era ele, e que se alguém tinha que sair de casa era ela, e não ele.

Pouco depois, Betty descobriu que não só o marido não demitiu Linda, como a tornou sua assistente na empresa, inclusive dando uma sala só pra ela no escritório. Danadinha que era, Linda cada vez mais abusava de olhares e trejeitos sedutores para conseguir que Daniel ficasse perdidamente apaixonado. Aí, foi um caminho sem volta. Passaram-se 3 anos entre a contratação de Linda e a entrada no pedido de divórcio.

O resumo da ópera, é que para ficar (e casar) com Linda, Daniel INFERNIZOU a vida de Betty, que reciprocamente infernizou a vida não só dos pombinhos, como também dos filhos do casal, que ficaram no meio do fogo cruzado. Daniel passou a morar em outra casa (uma mansão, por sinal) com os filhos, comprou um carrão conversível e passou a ter uma vida de playboy apaixonado, fazendo viagens e coisas que nunca tinha feito antes. Ele queria tirar tudo de Betty, e basicamente deixá-la à míngua, embora nos primeiros meses de separação tenha lhe dado uma polpuda mesada. E isso era algo revoltante, porque se não fosse pelo sacrifício e incentivo de Betty, talvez o ambicioso e egoísta marido não tivesse chegado onde chegou, e certamente não tivesse o que passou a ter.

Obviamente os pombinhos não se incomodavam mais em manter a relação pública, mesmo não tendo saído o divórcio dele ainda, e já faziam planos para o futuro juntos. E influente que era no seu meio de atuação, Daniel conseguia o que queria dos juízes, e não precisa dizer que Betty vivia se dando mal, até porque não tinha dinheiro para pagar um advogado para defendê-la no caso, chegando a defender a si própria nas audiências.

A situação tomou um ritmo descontrolado quando, depois de 4 anos de batalha, o divórcio finalmente saiu, onde Betty passou a dever o rim e todos os outros órgãos para Daniel. Agora, Daniel finalmente podia se casar com Linda.

Betty ficou destruída e inconformada, porque ficou sabendo que tudo que Daniel negou a ela desde o início da sua relação com ele, ele deu à Linda, por exemplo, ele vestir um fraque pomposo no casamento, uma lua de mel no Caribe, e principalmente fazer por amor a Linda coisas que ele nunca fez por ela, o que sugeria que Daniel amava Linda muito mais do que a amou. Isso fez a depressão tomar conta de Betty, que já agia inconsequentemente sem ter muito juízo na cabeça. Não suportava tanta ingratidão e falta de reconhecimento de sua importância. E pra piorar a situação, as “amigas” já estavam ultra amiguinhas de Linda, e se afastaram de Betty por não suportarem mais ouvir suas lamúrias sempre iguais.

A gota d’água foi quando ela descobriu que Linda estava grávida, e isso foi o golpe de misericórdia, que acabou de vez com Betty.  Na madrugada de 5 de novembro de 1993, Betty pegou o revolver que comprara dias antes e com a chave da casa de Daniel, que roubara da bolsa da filha em uma das suas visitas, ela entrou na casa e matou a tiros o casal que dormia no quarto.

O caso de Betty e Daniel Broderick (divórcio e duplo assassinato) foi talvez o mais famoso de San Diego, e até hoje Betty cumpre pena na prisão, já tendo negadas duas apelações.

E eu, que ia acordar à 6:30 da manhã de hoje para levar meu irmão à empresa onde iria fazer um treinamento, acabei só tendo 3 horas de sono, porque fui dormir às 3 e acordei às 6. A cada episódio que assistia eu dizia que iria dormir quando acabasse, mas toda vez que um episódio terminava, eu ficava desesperara pra saber o que iria acontecer no próximo, e acabava começando a assistir outro, até que por fim terminei os 8 episódios em uma só tacada.

Enquanto assistia aos episódios eu vi minha vida passar, rsrsrsr. Não no quesito do divórcio conturbado, mas no quesito “como é perturbador desconfiar ou descobrir que seu marido está com outra e talvez mais feliz do que era com você”. O sentimento de que você agora não significa absolutamente mais nada pra pessoa que dizia te amar, é um dos piores que alguém pode sentir, principalmente porque nada do que você possa fazer vai fazer as coisas voltarem a ser como eram antes. Uma vez que seu par se apaixone por outra pessoa, é caixão e vela preta. Pode dizer adeus, porque dali você não espreme mais nenhuma demonstração de afeto.

No caso de Betty, essa angústia foi elevada à décima quinta potência, porque além de traí-la com alguém mais jovem e mais bonita, ele demonstrou não ter reconhecimento algum por tudo o que Betty o ajudou a construir na vida, e ainda tirou tudo dela para dar à outra.

O “engraçado” de tudo isso é que nessas horas as “amigas” nunca ficam do seu lado para te dar apoio, e sempre acabam tendo uma ótima relação com a atual do seu ex, até mesmo falando mal de você pra ela. Sim, eu vivi isso também. O sentimento de abandono é imenso, e pra Betty isso foi muito pior, porque nem os filhos ela tinha ao lado dela, porque Daniel, com a guarda definitiva dos filhos, sempre desmarcava os dias de visita a ela, desmanchando todos os seus planos e expectativas. Era um golpe atrás do outro.

Ele foi um filho da puta, como muitos ex-maridos são. Infelizmente é mais comum a vida de Betty se repetir no mundo de outras mulheres do que um divórcio onde haja honestidade e reconhecimento por parte do homem da importância que a mulher teve na vida dele.

E a cura demora… ôôô, se demora! E sozinha, sem amigos, parece que essa transição dura uma eternidade.

No meu caso, eu segui minha vida, e meu ex seguiu a vida dele, que foi muito mais fácil que a minha. Ele com suas mulheres, sempre uma “oficial” e as acessórias, e eu sozinha, por não querer mais passar com outros o que eu passei com ele.

Hoje ainda mantemos contato porque após nossa separação ficamos com um bem em comum, que exige que todo mês nos falemos.

Coincidentemente, igual ao filme, pouco tempo depois que nos separamos vim a descobrir que ele estava em uma relação séria com a ex-secretária dele, o que confirmou minhas suspeitas de que algum dia rolou algo entre eles enquanto nós ainda estávamos juntos. Toda a tristeza e vontade que eu sentia de um dia tê-lo de volta se tornou um quase ódio. Passei a detesta-lo mais que tudo na vida. Até que enfim o tempo finalmente deu a mim a oportunidade de me vingar de uma forma que me aliviou a alma. Não vou entrar em detalhes porque é uma longa história, mas hoje tenho o prazer de ouvi-lo dizer que eu fui a mulher que ele mais amou, e que ele tem o sentimento de que um dia ficaremos juntos de novo. Eu só rio, porque é a última coisa que quero na vida. A confiança que tive nele, sem dúvida alguma nunca mais terei. Nunca. Mas me encho de alegria por saber que (se não for mais uma mentira dele) ele gostaria de me ter de volta, porque esse gostinho não vou dar a ele. Uma vez mentiroso e traidor, será sempre um mentiroso e traidor. Ele teve a oportunidade dele, e agora, como ele dizia, a Inez é morta, rsrsrsrs.

Tudo isso mudou sobremaneira minha forma de pensar em relação às pessoas. Todo mundo é bom até que prove o contrário, mas olha, é difícil achar uma pessoa que preste hoje em dia. De homem nem quero chegar perto (no sentido homem x mulher). Amigos, vou mantendo os poucos que tenho até que provem não ser dignos da minha amizade.

E assim vou levando minha vida, feliz por saber que a escolha que fiz me permitirá nunca mais sentir a imensa angústia de ser trocada como um sapato velho. A angústia de ter que conviver com uma pessoa que eu não sei se estará falando verdades ou não pra mim. Ou talvez a angústia de ser obrigada a me relacionar com pessoas que visivelmente só me suportam, como os familiares ou amigos dele, porque não sou o que elas esperam que eu seja, ou porque elas não me aceitam como eu sou.

Agradeço a Deus todos os dias por reconhecer que todo o meu sofrimento não foi em vão. Fui esmagada pela depressão e tristeza, e até mesmo pensei em morrer, mas hoje eu sou feliz porque acredito que tomei a decisão certa pra minha vida. E até quando Deus permitir, eu serei uma pessoa sozinha (leia-se EM PAZ) e feliz, como tantas vezes já falei aqui.

Apesar do spoiler longo, recomendo assistirem a série da Netflix.

=*

Povo x Povinho

Dizem que os norte-americanos são soberbos e que se acham melhores do que os outros. Com todo respeito, eu concordo. Tirando os lunáticos e abestados que há por lá, a grande maioria da população é exatamente como eu adoraria que o povo brasileiro fosse.

Fui muitas vezes pra lá, e posso afirmar que a mentalidade do povo americano é invejável. São pessoas que se importam com as outras, são solícitas, solidárias, amigas (depois que se quebra o gelo), e muito, muito gentis.

Aqui no braseeel, você percebe qual é o retrato do povo quando vc navega pelo Facebook. Você faz um comentário, e sem necessidade nenhuma, um abestado vai lá e pá! Te dá uma patada gratuita.

Se você passar mal na rua, pode contar que vai morrer ali mesmo. Ninguém se coça pra te socorrer. É mais fácil ver dois, três abestados filmando com seu celular, do que ver uma alma compadecida te socorrer.

É mais fácil encontrar no braseeel pessoas que querem te ver por pra baixo, do que pessoas que mesmo vendo sua fraqueza conseguem te dar apoio moral pra melhorar.

Sou administradora no grupo do meu bairro no Facebook, e antes de eu entrar o grupo era uma verdadeira zona. A própria dona do grupo disse que já estava prestes a abandonar o grupo, até que enfim cheguei pra colocar ordem na casa, já que com família e deveres domésticos, ela não tinha tempo de gerenciar o grupo. É claro que não preciso dizer que depois que me tornei administradora muitos haters surgiram, por não concordarem com meu sistema mais rigoroso de conduzir o grupo, que antes era “largado”.

Depois que eu me tornei administradora, ninguém pode mais repostar o mesmo post que postava toda semana, ou todo dia. Se navegássemos pelas postagens do grupo, veríamos o mesmo post dezenas de vezes em algumas poucas rolagens de mouse. Agora, tem que dar UP nos comentários para fazer subir o post anterior. Não pode mais postar duplicado.

Esta semana uma pessoa postou um anúncio de produtos que não deu pra entender nada do que ela estava vendendo. Ela só dizia que o cento, dúzia ou unidade custavam tanto, mas não dizia o que vendia. Recusando a publicação do post, eu disse a ela que não fora aceito porque não estava completo o post. A pessoa logo mandou um inbox perguntando o que havia de errado com o post dela.

Dizendo: “BOM DIA PRA VOCÊ TAMBÉM”, para apontar sua falta de educação na abordagem, eu disse a ela que recusei a publicação porque não entendi o post dela, e informei isso na justificativa para recusa. Em vez de ser coerente e EDUCADA, ela se limitou a dizer “OK, NÃO VOU POSTAR MAIS NADA”. Eu disse: “OK, SE PREFERE FAZER PIRRAÇA A CONVERSAR COMO PESSOA CIVILIZADA, FAÇA COMO QUISER”. Ou seja, a imbecil, em vez de conversar com educação e humildade, quis demonstrar sua revoltinha dizendo que não postaria mais nada. Pergunto: QUEM SAIU PERDENDO NESSE CASO? Não fomos nós administradores do grupo, com certeza. O orgulhozinho de brasileira dela fez ela entrar pelo cano, porque eu levo ao pé da letra tudo. Se disse que não postará mais nada, NÃO VOU MAIS ACEITAR NADA QUE VENHA DELA. Ajoelhou, tem que rezar!

Custava ter sido educada e conversar direito, sem pirracinha? Agora a idiota vai deixar de vender num grupo com muitas pessoas, porque preferiu manter sua posição de pessoa irreversível e irrefutável, que não segue regras.

Este foi só um exemplo. Vemos milhares de pessoas com esse comportamento nos comentários no Facebook. Posso afirmar, que seguindo esse comportamento é muito mais difícil conseguir qualquer coisa.

Ser humilde, reconhecer estar errado ou inadequado, é uma coisa que não arranca pedaço. Aprendemos assim, para não errarmos mais, mas mesmo assim a soberba brasileira não permite que ninguém seja amigável ou sensato.

E assim estão os brasileiros hoje. E é isso que me faz cada dia mais lamentar ter nascido num país lindo, mas que não presta, por causa do povinho que nele vive. E é realmente uma pena que eu já esteja velha demais pra mudar minha vida e mudar de vida, morando em um lugar com pessoas educadas e sensatas.

É a vida…

Eu Sobrevivi!

Não lembro por que motivo, mas há algumas semanas eu comecei a pesquisar sobre a vida de Michael Hutchence, ex-vocalista do INSX que se enforcou num hotel em Sidney em 22 de novembro de 1997. O cara tinha uma voz linda, inconfundível e única! Eu amava as músicas do INSX.

Quando soube da morte dele em 1997 eu, assim como milhões de fãs, não me conformei. Como alguém, na fina flor da idade (37 anos), famoso e com vida confortável, é capaz de pendurar as chuteiras e desistir da vida? Alguns afirmam que foi só um fetiche de sadomasoquista, outros dizem que foi depressão mesmo. O coquetel de drogas e remédios controlados nunca pode ter um final feliz. E qualquer que seja a verdadeira versão, é alarmante a percepção do que uma depressão faz.

Eu mesma já tive meus momentos de depressão. Nesses momentos, morrer é tudo o que almejamos. A visualização da não-existência, muitas vezes é confortante, e quando se consegue dar fim à vida, o que resta é só a tristeza de quem fica.

Eu passei por momentos de depressão, completamente sozinha. Não tinha amigos e nem a quem pedir socorro. Todos os “amigos” me abandonaram quando me separei do ex-marido, e ninguém nunca sequer me ligou pra saber se eu estava bem. Minha sorte é que minha fé foi mais forte do que eu, e sozinha eu consegui vencer o desejo incontido de não mais existir.

É certo que minha consciência me ajudou muito, pois eu jamais conseguiria deixar este mundo sabendo que minha filha ficaria à deriva, mesmo tendo um pai. Não, eu não poderia fazer isso. Seria muito egoísmo.

No caso de Michael Hutchence, ele tinha uma filha de cerca de um ano de idade, e o que quer que tenha pensado na hora de se pendurar no seu cinto na porta do hotel em que estava, ele não pensou em Tiger Lilly, sua filha.

Eu tenho um amigo que recentemente entrou numa depressão profunda. Eu nunca perco a oportunidade de passar para outras pessoas minha experiência de quase-morte, de mostrar às pessoas descrentes da vida, que um momento de tristeza não vale o valor que uma vida tem.

Conversei muito com esse amigo, e com a ajuda de um terapeuta, ele chegou à conclusão que seus fantasmas estão dentro dele mesmo. Somente a própria pessoa pode se salvar contra si mesma. Fato é que a vida é perfeita demais. Por mais problemas que tenhamos, o dom da vida é algo que nunca deveríamos menosprezar.

Meu maior medo enquanto desejava a morte, era o de me arrepender quando fosse tarde demais. Por isso eu tive força suficiente para raciocinar e evitar o pior.

Não me arrependo. Com todos os problemas que o país enfrenta hoje, aliás, o mundo, eu não me arrependo de ter escolhido a vida. Viver é uma dádiva divina, e nós, mortais, não sabemos se realmente existe um paraíso ou uma nova vida pela frente. Viver é algo “nirvânico”. Por mais que tenhamos dificuldades na vida, aprendi que nossa fé em Deus pode nos salvar em muitos momentos.

Sinto uma profunda tristeza quando tomo conhecimento da morte de alguém por suicídio. A primeira coisa que penso é: e se houvesse alguém com essa pessoa, será que ela teria dado cabo da própria vida?

Isso me faz pensar no quanto outras pessoas são importantes na vida de alguém. Quando desejamos a morte, o que pensamos é “DANE-SE!!!”. Só queremos exterminar o mal que nos atormenta. Não pensamos muito no que os outros vão sentir. E o fato de não pensarmos mais adiante é que estraga tudo.

Toda tormenta e tristeza uma hora tem fim. Precisamos ser fortes o suficiente para acreditar que tudo vai melhorar.

Nesta pandemia, onde muitas pessoas se veem encurraladas, entediadas e deprimidas, o que mais deve ter passado nas cabeças é um fim rápido para os problemas (= suicídio). O desespero leva as pessoas a tomar atitudes precipitadas.

Uma coisa que aprendi com o suicídio de muitas pessoas, é que dívida não leva ninguém à prisão. Pra tudo tem jeito na vida. As coisas podem ficar difíceis, mas uma hora elas vão melhorar. E muitas vezes melhoram tanto que a gente fica pensando: “Putisgrila, e se eu tivesse tido coragem (de me matar)? Hoje não estaria aqui, feliz, curtindo esse momento”.

Eu fico imaginando o que as almas vagantes sofrem quando percebem que é tarde demais. Não tem mais volta! 

Hoje, por mais difícil que seja a situação, eu sempre me lembro de tudo o que passei e de tudo o que me livrei. Lembro de como tudo melhorou, e de como fui cinco vezes mais feliz do que jamais tinha sido antes. Basta só a gente se dar uma oportunidade e acreditar que tudo vai melhorar.

Mesmo SOZINHA, eu me dei essas oportunidades. Não uma só vez, mas duas vezes. Por duas vezes eu acreditei que a vida valia a pena. Por duas vezes eu aceitei o fato de que as coisas podiam mudar pra melhor. E mudaram!

Vemos tantos exemplos de pessoas que não conseguiram pensar assim e jogaram a toalha: Marvin Gaye, Whitney Houston e sua filha Bobby Brown, Flávio Migliaccio, Getúlio Vargas e tantos outros que não aguentaram a fama e as durezas da vida.

Nossa mente é nosso maior inimigo, ou amigo. Somente nós podemos nos salvar das agruras da vida. E não ser egoísta é algo que pode nos ajudar nos momentos mais difíceis. Se não somos egoístas, conseguimos nos lembrar que outras pessoas poderão sofrer com nossa ausência. E cá pra nós, a dor de quem fica, tentando entender por que outra pessoa não gritou por socorro quando precisou, é muito grande. A gente fica se perguntando onde poderíamos ter feito diferença na vida da pessoa naquele momento.

Uma prima minha se jogou do 14° andar. Foi uma tristeza muito grande… Hoje ela poderia estar aqui, tomando umas e rindo das coisas passadas. Mas ela não aguentou os trancos da vida, e não tinha ninguém perto na hora pra salva-la.

A vida é mutante. A vida é inconstante. Agora está difícil, mas ali na frente tudo será diferente. Na hora do sofrimento e da tristeza não conseguimos pensar em nada bom. Não conseguimos  trazer à tona nada que possa nos salvar. Não conseguimos pensar em ninguém que dependa de nós, em ninguém que possa sofrer com nossa ausência, ou que possa se culpar por não ter estado conosco quando mais precisávamos.

Enquanto tanta gente quer acabar com a própria vida, há tantas outras que se agarram a todos os fiapos de vida que restam, porque o câncer ou outra doença letal as está levando sem dó nem piedade. Querem tanto ficar, mas não conseguem. Isso é muito triste. Quanto desperdício de vida. Vida plena, vida feliz, vida viva!

Fato é que enquanto vivemos, nossa vida é única; uma vida em que tudo pode ser aproveitado da melhor forma possível. Podemos compartilhar momentos com pessoas que fazem parte da nossa vida, que nos amam. Podemos fazer diferença na vida de outras pessoas. Podemos fazer diferença na vida de animais abandonados. Podemos fazer muito bem a quem precisa de carinho e atenção.

Precisamos só nos conscientizar de que a vida é breve, e que ela é um dom divino que muitas vezes desperdiçamos por bobeira. Precisamos aceitar o fardo que recebemos para carregar, e acreditar que nós mesmos podemos mudar o curso da nossa vida. Basta a gente querer.

Bjs.

 

Reaproveitando Latas – Latas Vintage *UPDATE*

Pois é, people. Cá estou mais uma vez.

Depois que meu gato morreu, fui pra casa da minha filha no Hell de Janeiro, e lá fiquei um mês.  A quarentena logo começou, e infelizmente o ritmo de trabalho diminuiu muito e o que tinha lá pra fazer era assistir American Horror Story e vídeos tutoriais no Youtube. E eu vi muitos tutoriais legais, mas sem recursos para fazer qualquer coisa, eu comecei a surtar, porque não tinha como eu fazer nada num apartamento tão pequeno, além do que, eu não podia sair à rua pra comprar nada. Sendo assim, eu resolvi voltar pra minha casa, porque aqui, pelo menos, tenho muito espaço e muito o que fazer, além de material de trabalho com fartura. Sugeri que minha filha viesse comigo, e para minha alegria ela quis vir. E junto com ela, chegou um novo membro na família, TOFU, um gatinho SRD adotado para ser o novo companheiro do Harry.

Depois de uma semana de chiliques do Harry, finalmente os dois se entenderam e já estão amiguinhos.

A primeira coisa que fiz de diferente foi queijo minas! Gente, fica show, show, show. Há alguns meses eu queria experimentar fazer, e já tinha comprado a forma e o coalho, mas não tinha comprado o leite ainda, pois precisa ser de saquinho e ter um bom teor de gordura. Eu preferi experimentar fazer com o mesmo leite que vloguer do tutorial usa pra fazer os queijos dela (marca Boa Nova, comprado no supermercado Zona Sul no Hell de Janeiro). E o melhor desse queijo caseiro é que como não tem conservantes ele não fica melequento como muitos queijos minas que a gente compra nos mercados. Além disso, você pode adicionar qualquer coisa no queijo, como cebolinha e salsa, ou alho, ou qualquer outro tipo de ingrediente que te agrade, pra fazer um delicioso queijo temperado. Os queijos que eu fazia sumiam rápido. E ficam melhores assim que são feitos, porque ficam bem molinhos, fazendo nheco-nheco nos dentes. Se você também quiser aprender, assista ao vídeo abaixo. A Marilene, autora do vídeo, tem tantos tutoriais surtantes, que é impossível não se inscrever no canal dela!

Depois da novidade dos queijos, foi a vez das máscaras. Eu tinha feito umas com elástico, mas estavam machucando as orelhas. Eu tinha visto em um grupo de costura no Facebook alguém comentando sobre usar fio de malha (o mesmo que é usado para fazer cestos de crochê), pois não machucavam as orelhas, e é verdade. Gostei tanto da máscara que aproveitei para gastar um pouco dos mais de 140 cortes de tecido que tenho em casa (já que eu também faço capas de cafeteiras e vendo no Mercado Livre), para fazer e vender máscaras onde moro, por encomenda. Vendi muito, porque além de super confortáveis, minhas máscaras eram bonitas e custavam somente 5,00.

Resolvi vender as máscaras porque no grupo do meu condomínio (que tem cerca de 700 casas) tinha gente fazendo e vendendo máscaras entre 10,00 e 20,00. Eu achei um ABSURDO se aproveitarem de uma pandemia para ganharem dinheiro descaradamente às custas dos outros. Bem sabemos que a situação financeira de muitos virou um verdadeiro caos, e mal sobra para comer, então, porque essa gente mesquinha e avarenta quer extorquir dinheiro, se para fazer uma máscara não se gasta mais de 4,00 no custo total? Bem sabemos, também, que a máscara é um item essencial para a proteção contra o COVID-19, e não uma peça de vestuário da moda, onde a pessoa compra se quiser. Compra, porque precisa, e dependendo de quanto tempo ficará na rua, precisará trocar a cada 2 horas, então, haja máscara! Como eu vendi a 5,00 somente, quase sem lucro algum, para acabar com a festa dos extorquidores, eu acabei vendendo cerca de 450 máscaras. Teve gente que comprou 30, e muita gente comprou mais de uma vez.

E como o povo todo já estava munido de máscaras boas, bonitas e baratas, as encomendas acabaram. Uma vez ou outra aparece alguém pedindo, mas não é tão frequente. E como as atividades pararam, resolvi catar outra coisa pra fazer, e ficava toda noite, antes de dormir, garimpando coisas legais no Pinterest. E como achei coisas maneiras!

A bola da vez agora eram latas vintage. Achei cada rótulo mega maneiro no Pinterest, e fiquei doida com cada um que via. Logo catei informações de como se faz, e logo iniciei a produção. E as latas são tão lindas, que já imaginei uma prateleira estrategicamente instalada na minha sala de jantar, próxima ao teto, cheeeeeia dessas latas, deixando mais transadinha a minha sala decorada com itens peculiares. Lá no final eu coloquei a foto da prateleira já começando a ser populada.

Bem, tendo aprendido a fazer as latas, postei uma no Instagram, e logo me pediram para ensinar a fazer aqui no blog, e é o que vim fazer aqui hoje. Lamento se não foi vídeo no Youtube, mas não tenho prática com essas coisas de canal no Youtube, então, segue aqui o tutorial com FOTOS!

Antes de qualquer coisa, você vai precisar dos rótulos. Eu garimpei dezenas de rótulos super maneiros no Pinterest, os inverti horizontalmente, os coloquei em algumas páginas e mandei imprimir A LASER COLORIDO numa loja de impressão (NÃO PODE ser impressão por jato de tinta!). Criei uma pasta no Google Drive e lá coloquei todos os rótulos em .jpg prontos para você baixar e montar num Photoshop da vida e mandar imprimir. Para montar a página com seus rótulos preferidos, é preciso deixar cada rótulo com pelo menos 7-7,5 cm de altura. Algumas imagens são maiores ou menores que isso, então precisa redimensionar, senão o rótulo não vai caber ou ficar bom na lata. Lá no Drive, deixei também algumas páginas já prontas com alguns rótulos já preparados, no tamanho correto, que basta baixar e enviar pra impressão, que tem que ter a melhor qualidade possível, senão não vai prestar.

Observe que todas as imagens estão INVERTIDAS horizontalmente (como uma imagem de espelho) porque ao serem transferidas para a lata, ficarão na posição correta.

Depois de ter seus rótulos impressos e cortados, você vai precisar das latas, claro. Eu tratei de oferecer no meu condomínio uma lata pronta para quem me desse latas vazias, e por sorte uma confeiteira tinha um bom lote (11 latas).

Então, o primeiro passo é preparar a lata. Prefiro a lata de leite Ninho por causa do seu formato e da tampa transparente, que combina com qualquer cor que você usar para pintar a lata. Muita gente nem usa a tampa porque usa a lata para colocar coisas que ficam pra fora da lata, como lápis, talheres, flores, pincéis, estecas, tesouras, etc. Mas eu acho melhor deixar a tampa, porque se alguém quiser guardar algo que precise tampar, poderá.

A lata de leite em pó tem essa borda interna de reforço, que eu particularmente não gosto, então, eu prefiro tirar (além do que fica mais fácil pintar a lata por dentro, e gasta menos tinta). Então eu usei um abridor de girar para tirar essa borda. É importante que seja usado esse tipo de abridor para que não fiquem rebarbas na lata que possam machucar a mão. Mas se você preferir deixar a borda, faça como achar melhor.

Depois de tirar a borda, é só lavar por dentro e tirar o rótulo e a cola do rótulo. Usei uma faca de lâmina fina para raspar a cola dura, e completei a limpeza usando um pano com aguarrás. Sequei com um pano e deixei secar ao ar livre mais por uma hora mais ou menos, para secar bem.

Depois, é a vez da pintura. Usei 4 marcas de tinta spray: Colorgin (350 ml), TEK (350 ml), Montana  (400 ml) e Paris 68 (400 ml), nas cores marfim, branco, creme, areia, argila e caramelo. De todas as marcas, as que mais gostei foram a Montana e a Paris 68, que secaram rápido e não escorreram como as outras duas (e se não estou doida, as duas tinham um cheiro meio perfumado). Não lembro quanto paguei nas outras três, mas a Montana custou 31,00 e tem 50 ml a mais que a Colorgin e a TEK, o que é um ponto positivo, pois rende mais latas pintadas, apesar de eu AINDA não ter computado quantas latas dá para pintar com cada marca (mas vou fazer isso com a Montana/Paris 68, pois não pretendo mais comprar das outras marcas. Depois eu atualizo o post).

O que eu achei estranho, e muita coincidência, é que a qualidade da Montana e da Paris 68 é idêntica, inclusive, ambas as marcas têm cheiro perfumado (e não de tinta), baixa pressão e um número estampado na lata. Fiquei tão encucada com isso, que achei que ambas eram fabricadas pela mesma empresa, mas acabei descobrindo que a Montana é espanhola, e distribuída no braseel, e a Paris 68 é brasileira, do Paraná. Terá a Paris 68 sido cópia da Montana? Achei a Paris 68 a um preço excelente na Capsula Graffiti: 18,00. Certamente custa muito mais barato do que onde comprei, no Hell de Janeiro, e eles têm praticamente todas as cores e muito lindas (já que são uma loja de material para grafiteiros). Acabei comprando mais umas online, e o envio de 4 latas ficou pra mim em 32,00. Ainda assim vale mega a pena!

Continuando, para fazer a pintura, por se tratar de produto químico, é importante usar luvas (para não pintar seu esmaltes de unha, rsrsrsr) e o mais importante, máscara e óculos de proteção. É PERIGOSO INALAR A TINTA PULVERIZADA!!!!

Como tenho um jardim grande, coloquei um balde velho emborcado na mesa do jardim e pintei a lata em cima dele. Foram 2 ou 3 demãos de tinta, e a terceira só era necessária nas cores mais claras, e quando eu percebia alguma eventual falha. O bom de usar tinta spray é que a pintura sempre fica uniforme, lisinha e linda, com acabamento perfeito, além de secar beeem mais rapidamente.  Você pode usar outra tinta também, e pintar com o rolinho, mas eu acho a spray mais prática e melhor. Pintei por dentro e no fundo por fora, também.

O número de demãos vai depender da sua expertise na pintura. E depois de deixar pelo menos umas duas horas secar bem (as minhas secaram ao sol), é hora de iniciar os trabalhos. Para esta nova etapa, vamos precisar de cola, pincel chato, um pedaço de plástico e um paninho embolado (pode ser um Perfex).

Agora, usando o pincel, você deve passar cola na lata mais ou menos na área que o rótulo vai ocupar, e também no próprio rótulo.

 

Agora, posicione o rótulo sobre a superfície da lata com a cola e grude o rótulo, ajeitando para não ficar torto. E faça isso rápido antes que a cola comece a secar, senão vai rasgar o papel.

Depois, coloque o plástico por cima do rótulo, e usando o paninho embolado, deslize o paninho sobre o plástico, do centro para as bordas, comprimindo bem o rótulo para que ele grude bem nas depressões da ondulação que a lata tem. Se não grudar nas depressões, o resultado vai ficar uma porcaria. FAÇA TODO POSSÍVEL PARA NÃO MOVER O PLÁSTICO EM CIMA DO RÓTULO. Qualquer bobeada, vai rasgar o rótulo.

Conforme você vai deslizando / comprimindo o rótulo sobre a superfície da lata, o excesso de cola entre a lata e o rótulo vai sair pela borda do rótulo. Portanto, não passe cola demais para não virar uma bagunça na hora de comprimir o rótulo, e nem passe cola de menos, para a cola não secar na lata enquanto você passa cola no rótulo.

Quando tiver certeza de que o rótulo está bem aderido na superfície da lata (nas elevações e depressões da ondulação), tire o plástico com cuidado e limpe qualquer excesso de cola expelido usando um paninho molhado, sem passar o pano por cima com papel. Eu aplico o rótulo usando o próprio paninho já molhado, para não perder tempo na hora de fazer essa limpeza. É mais fácil remover a cola molhada do que já seca.

Agora é deixar secar BEM. Deixo umas duas horas pelo menos. E a próxima etapa agora será retirar toda a fibra do papel, deixando na lata somente o toner da impressão da imagem. Para isso, você precisará de uma esponja ÚMIDA com água, que você usará para umedecer o papel dando apertadinhas na esponja sobre o rótulo (melhor não deslizar, para não “dar ruim”). Você observará que o papel ficará meio transparente, e conseguirá já ver as cores do rótulo sob as fibras do papel.

Quando tiver certeza de que todo o papel está úmido, DELICADAMENTE E SEM PRESSA, vá esfregando o dedo suavemente sobre o rótulo umedecido, removendo as fibras do papel. Não faça pressão demais, senão você arrancará também o toner e vai estragar todo o seu trabalho. Preste especial atenção nas depressões. Você precisará esfrega-las com cuidado para não arrancar o toner das elevações. Use a ponta do dedo com cuidado, ou se tiver em casa daqueles lápis com uma borrachinha na ponta, use. Se eu tivesse, usaria pelo menos para experimentar, apesar de achar que a gente deve ter mais noção do quão forte está esfregando se usar o dedo, já que lápis não tem tato, heheheh.

Você vai precisar umedecer o rótulos várias vezes durante o processo, que pode levar uma hora ou mais para ser concluído. Nas bordas do rótulo, não esfregue em vai-vem, pois no que você vier, pode descolar e rasgar a borda do rótulo, aí vai perder seu trabalho. Nas bordas do rótulo, esfregue o dedo sempre no sentido do centro para fora.

Esse é um trabalho lento. Você precisará deixar o rótulo secar para ver onde você precisa tirar mais fibras de papel.  Você identificará facilmente essa área porque depois de seca ela estará esbranquiçada, por causa das fibras do papel que ainda restam.

Rótulo seco mostrando onde precisa tirar mais fibras de papel

Neste caso, umedeça a ponta do dedo na esponja molhada e esfregue SUAVEMENTE onde precisar. Não passe a esponja de novo sobre o rótulo, porque quanto menos você molhar demais o rótulo, melhor. Tire o máximo que conseguir, sempre tomando cuidado para não arrancar o toner. Após deixar secar novamente e estar satisfeita com o resultado, é hora de passar para a próxima etapa.

Rótulo pronto, com falhas pela remoção do toner

Na foto acima, vocês verão alguns pontos de falha, onde o toner saiu porque eu passei a esponja para molhar o rótulo para fazer a remoção fina da fibra, e não umedeci o dedo como deveria. Neste caso, dou uma disfarçada usando a próxima etapa abaixo.

Agora é deixar secar e passar para a fase de “enferrujar” a lata. Para isso, vamos precisar de betume (usei à base de água), um pedacinho de esponja picotada com tesoura (para criar depressões) ou um pincel redondo plano, uma pinça para segurar a esponjinha, um godê ou pires (usei uma forma de gelo) e criatividade! Usei também uma gotinha de corante amarelo para quebrar um pouco o marronzão do betume.

Efeito ferrugem usando o pincel chato redondo

Colocando “ferrugem” em cima de uma cola teimosa, para disfarçar o relevo

Usando a esponjinha para “enferrujar”

Particularmente, eu prefiro o efeito da ferrugem feita com o pincel. Se não tiver muito cuidado com a esponja, acaba ficando muito grosseiro o acabamento. Apesar de que com o pincel precisa tomar cuidado para ele não escorregar na superfície da lata, senão ele faz riscos, e não é isso que queremos. Tem que ter muita paciência nessa etapa, e percepção de como fica melhor a ferrugem. Geralmente, eu passo “ferrugem” em toda a borda superior e inferior da lata, e algumas vezes até internamente também.

Agora é hora de proteger o rótulo, usando verniz spray. Como eu usei tinta fosca, usei também verniz fosco. E cá pra nós, para dar um ar de velho eu acho que tem que ser fosco mesmo, porque acho que o brilho vai estragar o “ar de coisa velha”. Eu borrifei somente uma boa camada de verniz, e somente sobre o rótulo e um pouco ao redor dele. Não vejo necessidade de passar na lata toda, já que a tinta usada é uma tinta de acabamento. O bom do verniz é que, além de proteger o rótulo, o esbranquiçado de qualquer resíduo de fibra de papel nele desaparece.

Agora mostro o rótulo pronto, já com uma boa borrifada de verniz fosco seco somente sobre o ele. Percebam que o esbranquiçado remanescente das fibras de papel sumiu e ficou um acabamento perfeito? Vejam o disfarce da falha do toner extraído. Melhor ficaria se não tivesse tirado o toner, mas agora a Inez é morta, hehehehe. Alternativamente, pode passar tinta acrílica fosca Nature Colors da Acrilex usando um pincel fininho para preencher o “buraco” no rótulo, usando uma cor que mais se aproxime. O melhor é misturar cores para fical igualzinho.

E como podem ver, tenho muitas latas ainda com que me ocupar e divertir, hehehehe.

E depois de prontas as latas podem ser usadas para os mais diversos fins, como eu citei lá em cima. Aqui em casa, como eu falei, deixarei as latas com tampa em cima de uma prateleira próxima ao teto, que colocarei na minha sala de jantar. Mas também uso uma para colocar folhas “fake” de ervas para enfeitar minha cozinha.

Também pode ser usada como vaso, como usei na foto abaixo. Essa latona, é de Mucilon, que é maior que a de leite Ninho. A única diferença, é que na lata abaixo eu imprimi o rótulo direito (sem inverter horizontalmente), e simplesmente colei o rótulo na lata, sem fazer todo o trabalho de retirar as fibras do papel. Só passei o verniz por cima para proteger. A vantagem de simplesmente colar o papel é que a cor de fundo do rótulo fica nítida, e não “some” e “se mistura” com a tinta de cobertura da lata. Sem contar que dá muito menos trabalho, e o resultado fica tão lindo quanto.

Se quiser, pode dar uma incrementada colocando uma alça de arame galvanizado, como se fosse um baldinho (foto abaixo). Como essa lata precisa de um furo pequeno, com uma furadeira comum não dá pra fazer. Usei uma Dremel para fazer os furos.

Aliás, a Dremel é uma ferramenta que eu indico para todo mundo ter em casa. Com ela, você faz coisas que nem imagina. Desbasta, amola, lixa, corta madeira, vidro e chapas de ferro (só se esses itens forem de pouca espessura), faz furos de pequenos diâmetros, pole, e muitas outras coisas, basta ter os acessórios corretos. Posso dizer que hoje não saberia viver sem minha Dremel. Minhas facas de cozinha agradecem, porque só as amolo agora com a Dremel.

E assim começou a ficar minha prateleira de latas vintage:

Bem, galera, espero que apesar de não ter vídeo-aula, a aula tenha ficado a contento. Espero que entendam direitinho, e se tiverem qualquer dúvida falem comigo. Divirtam-se com as estampas no Google Drive!

=*

Viva Estou

Fui cobrada dar as caras por aqui, mas é tal caso… minha vida nunca tem nada de excepcional quando não estou viajando. Por isso lhes poupo de um Big Brother cibernético sem graça.

Tirando a rotina do meu dia a dia, aconteceram algumas poucas coisas que eu só vou contar porque foram coisas que saíram da minha rotina.

A primeira coisa é que meu gato maine coon, o Troy, morreu. Eu acredito em negligência da veterinária, que era uma garota nova, com seus 20 e poucos anos, que apesar do título de cirurgiã, demonstrou uma imensa inexperiência.

O gato começou a ficar com a respiração ofegante de repente, e ficava quieto no canto dele, apático, coisa que nunca fez. Ele sempre foi o gato acolhedor da casa. Sempre pedia colo (inclusive de visitas), e chegava até a encher o saco da gente. Vendo esse comportamento anormal, eu resolvi leva-lo à clínica veterinária. Lá, a médica o examinou, e com base num quadro clínico de dezembro passado, que não fora solucionado, ela passou remédio para problema gástrico. No dia seguinte, não tendo melhorado, eu levei novamente à clínica e ela enfim passou antibiótico. Como ele não melhorou, na tarde  do mesmo dia eu resolvi interna-lo, mas foi tarde demais. Ele morreu na madrugada do dia seguinte. Foi um choque. Recebi a ligação, passava de meia-noite, e obviamente não consegui mais dormir de tanta tristeza.

Comentando o fato com a dona do gatil onde o comprei, ela, que nem veterinária é, falou de cara que o problema era no pulmão. E foi justamente o resultado da autópsia: pulmões altamente infeccionados, com muito pus.

Não pude conter minha raiva. Fiquei muito revoltada. Mas mesmo que eu tivesse levado ele para outro médico, não teria dado tempo, porque o problema dele foi avassalador. Não deu tempo nem de pestanejar. Parece até esse coronavírus.

Enfim, muito triste, deixei para pega-lo na segunda-feira (ele morreu na madrugada do domingo). Pedi à moça que cuidava deles quando eu viajava para levá-lo para casa. Fiz uma mortalha para ele com um tecido, e ela foi comigo busca-lo. Combinei com o meu jardineiro de ele ir enterra-lo no meu jardim, e assim o fiz. Foi muito, muito, muito, muito triste, mas tive que ver. Pelo menos sei que ele está na minha casa, tadinho.

Isso me ensinou uma lição. Não confiar no primeiro veterinário que você for, por mais “especialização” que ele/ela possa ter. O resultado disso é que eu tive que fazer exames no outro gato, que agora está sozinho comigo, o Harry.

Só sei que gastei mais de 2,5 mil reais nessa faina. Tive que fazer raio X e exames de sangue e comprar remédios, depois que ele começou a espirrar.

No dia seguinte ao enterro, não aguentando ficar em casa, peguei minhas tralhas e o gato que sobrou e vim  pra casa da minha filha. Estou aqui desde o dia 10 de março. E não pude voltar porque começou essa novela de quarentena por causa do coronavírus.

Como vi no Facebook, estou em ritmo de galinheiro: quando apaga a luz, durmo, quando acende a luz fico procurando comida e só como. Tá osso! Já devo ter engordado uns 10 kg.

Ano passado eu decidi que iria começar a caminhar, e procurei no grupo no Face do meu condomínio alguém que quisesse caminhar comigo, já que eu não tinha afinidade com ninguém de lá. Uma mulher mais velha que eu um pouco se ofereceu para caminhar comigo, e começamos.

Já no primeiro dia de caminhada, ela começou a contar os perrengues da vida dela. Tinha separado do marido havia um mês, e estava no mais perfeito quadro de dor de cotovelo. O resumo da ópera, é que o marido dela estava tendo um caso com a faxineira bem debaixo do nariz dela, e após alguns estimados meses (ou talvez anos), ele, que até então era altamente confiável, finalmente resolveu dizer que queria se divorciar. Ele não explicou o motivo, mas a filha dela um dia viu os dois pombinhos juntos no centro da cidade.

Foi um baque muito grande, assim como foi pra mim quando aconteceu comigo; e eu, já escaldada, tentei a muito custo ajudá-la a sair da lama, já que eu heroicamente me curei sozinha da dor de cotovelo, que pra mim durou mais de um ano, já que eu nunca tive amigas para desabafar. Mas mesmo falando tudo por que eu passei, e dando toda força que eu poderia dar, ela insistia em tentar achar outra pessoa em sites de relacionamento, que pra mim provou ser uma GRANDE FURADA.

Ela tem quase 60 anos, parou de trabalhar há 11 anos, e não tem qualquer perspectiva de vida agora. O ex-marido é funcionário da Petrobras, e lhe dava uma vida de semiluxo, com direito a viagens internacionais e coisas caras. Hoje, ela se vê no mais puro quadro de miséria, porque, sem fonte de renda, ela aguarda a pensão pós-divórcio, que está sendo enrolada na justiça.

Eu tenho ajudado o quanto posso, pagando remédios pra ela (incluindo antidepressivos) e a “contratando” para fazer uns servicinhos na minha casa, mas infelizmente eu não vou poder ser tábua de salvação dela pra sempre, porque eu tenho meus próprios problemas e despesas. Além do mais, ela tem duas filhas, uma das quais é minha vizinha. Não acho justo eu, que sou só amiga, tentar ajudar financeiramente, quando ela tem parentes para assumirem esse papel. Mas é foda… Ver a pessoa na merda é duro. Se eu fosse rica, já estaria na miséria, porque eu quero sempre ajudar todo mundo.

É muito complicado ver uma pessoa em uma situação em que eu estive. E eu digo a ela que ela tem sorte de me ter por perto, para tentar ajuda-la a superar o pé na bunda. Eu mesma tive que me curar sozinha, porque não tinha amiga nenhuma para me ajudar. Foi uma baita provação pra mim.

Mas quando a vejo caçando homem em site de relacionamento, eu perco a paciência. A pessoa nem se curou de um e já está querendo arrumar outro problema! Eu sou uma pessoa boa, mas não tenho sangue de barata.

Sobre o rapazinho que estava de olho em mim, eu cortei o papo. Eu caí na real e vi que não é pra mim arrumar essa dor de cabeça. Ele continuou querendo ciscar no meu terreiro, mas eu cortei o barato dele. Não quero entrar numa canoa furada. Deixei a razão me levar, e não a emoção.

E sobre a quarentena… puxa! Há um mês atrás eu tinha um conhecido que estava passeando alegremente pela Itália. Enquanto ele postava fotos em lugares icônicos, eu o avisava para ter cuidado com o vírus, pois as notícias do surto já inundavam a mídia, e ele só fazia rir de mim. Depois que voltou, não vi mais postagens dele, e fico pensando se ele voltou com a doença. Era somente um conhecido muito superficial, e eu realmente não tenho a mínima intimidade com ele. Mas fico imaginando sua risada se tornou seu fim.

E eu, que pensava em fazer aquela viagem à Itália e Grécia, que anunciei tempos atrás, obviamente dou graças a Deus que não fechei nada. Até a viagem que eu tornaria a fazer a Dallas este ano eu desisti, já que os EUA estão numa situação quase pior do que a do epicentro na China. E o dólar, passando de 5 reais. Ninguém merece! Vou pensar em uma nova viagem somente depois que tudo tiver passado.

A única coisa que posso fazer agora é rezar, como tenho feito. Rezar para que essa pandemia maldita acabe, e rezar para que os velhinhos teimosos não fiquem pulando muros e tentando arrombar fechaduras, como tenho visto bastante na internet. Será o fim dos tempos?

Enquanto isso, socada no apertamento da minha filha, faço uns trabalhinhos que chegam, assisto algumas séries na TV e aprendo novos artesanatos. Agora estou fazendo macramê, e quero fazer reaproveitamento de latas de tomates pelados. Mas preciso voltar pra minha casa!