Reaproveitando Latas – Latas Vintage *UPDATE*

Pois é, people. Cá estou mais uma vez.

Depois que meu gato morreu, fui pra casa da minha filha no Hell de Janeiro, e lá fiquei um mês.  A quarentena logo começou, e infelizmente o ritmo de trabalho diminuiu muito e o que tinha lá pra fazer era assistir American Horror Story e vídeos tutoriais no Youtube. E eu vi muitos tutoriais legais, mas sem recursos para fazer qualquer coisa, eu comecei a surtar, porque não tinha como eu fazer nada num apartamento tão pequeno, além do que, eu não podia sair à rua pra comprar nada. Sendo assim, eu resolvi voltar pra minha casa, porque aqui, pelo menos, tenho muito espaço e muito o que fazer, além de material de trabalho com fartura. Sugeri que minha filha viesse comigo, e para minha alegria ela quis vir. E junto com ela, chegou um novo membro na família, TOFU, um gatinho SRD adotado para ser o novo companheiro do Harry.

Depois de uma semana de chiliques do Harry, finalmente os dois se entenderam e já estão amiguinhos.

A primeira coisa que fiz de diferente foi queijo minas! Gente, fica show, show, show. Há alguns meses eu queria experimentar fazer, e já tinha comprado a forma e o coalho, mas não tinha comprado o leite ainda, pois precisa ser de saquinho e ter um bom teor de gordura. Eu preferi experimentar fazer com o mesmo leite que vloguer do tutorial usa pra fazer os queijos dela (marca Boa Nova, comprado no supermercado Zona Sul no Hell de Janeiro). E o melhor desse queijo caseiro é que como não tem conservantes ele não fica melequento como muitos queijos minas que a gente compra nos mercados. Além disso, você pode adicionar qualquer coisa no queijo, como cebolinha e salsa, ou alho, ou qualquer outro tipo de ingrediente que te agrade, pra fazer um delicioso queijo temperado. Os queijos que eu fazia sumiam rápido. E ficam melhores assim que são feitos, porque ficam bem molinhos, fazendo nheco-nheco nos dentes. Se você também quiser aprender, assista ao vídeo abaixo. A Marinele, autora do vídeo, tem tantos tutoriais surtantes, que é impossível não se inscrever no canal dela!

Depois da novidade dos queijos, foi a vez das máscaras. Eu tinha feito umas com elástico, mas estavam machucando as orelhas. Eu tinha visto em um grupo de costura no Facebook alguém comentando sobre usar fio de malha (o mesmo que é usado para fazer cestos de crochê), pois não machucavam as orelhas, e é verdade. Gostei tanto da máscara que aproveitei para gastar um pouco dos mais de 140 cortes de tecido que tenho em casa (já que eu também faço capas de cafeteiras e vendo no Mercado Livre), para fazer e vender máscaras onde moro, por encomenda. Vendi muito, porque além de super confortáveis, minhas máscaras eram bonitas e custavam somente 5,00.

Resolvi vender as máscaras porque no grupo do meu condomínio (que tem cerca de 700 casas) tinha gente fazendo e vendendo máscaras entre 10,00 e 20,00. Eu achei um ABSURDO se aproveitarem de uma pandemia para ganharem dinheiro descaradamente às custas dos outros. Bem sabemos que a situação financeira de muitos virou um verdadeiro caos, e mal sobra para comer, então, porque essa gente mesquinha e avarenta quer extorquir dinheiro, se para fazer uma máscara não se gasta mais de 4,00 no custo total? Bem sabemos, também, que a máscara é um item essencial para a proteção contra o COVID-19, e não uma peça de vestuário da moda, onde a pessoa compra se quiser. Compra, porque precisa, e dependendo de quanto tempo ficará na rua, precisará trocar a cada 2 horas, então, haja máscara! Como eu vendi a 5,00 somente, quase sem lucro algum, para acabar com a festa dos extorquidores, eu acabei vendendo cerca de 450 máscaras. Teve gente que comprou 30, e muita gente comprou mais de uma vez.

E como o povo todo já estava munido de máscaras boas, bonitas e baratas, as encomendas acabaram. Uma vez ou outra aparece alguém pedindo, mas não é tão frequente. E como as atividades pararam, resolvi catar outra coisa pra fazer, e ficava toda noite, antes de dormir, garimpando coisas legais no Pinterest. E como achei coisas maneiras!

A bola da vez agora eram latas vintage. Achei cada rótulo mega maneiro no Pinterest, e fiquei doida com cada um que via. Logo catei informações de como se faz, e logo iniciei a produção. E as latas são tão lindas, que já imaginei uma prateleira estrategicamente instalada na minha sala de jantar, próxima ao teto, cheeeeeia dessas latas, deixando mais transadinha a minha sala decorada com itens peculiares. Depois mostro pra vocês como ficou.

Bem, tendo aprendido a fazer as latas, postei uma no Instagram, e logo me pediram para ensinar a fazer aqui no blog, e é o que vim fazer aqui hoje. Lamento se não foi vídeo no Youtube, mas não tenho prática com essas coisas de canal no Youtube, então, segue aqui o tutorial com FOTOS!

Antes de qualquer coisa, você vai precisar dos rótulos. Eu garimpei dezenas de rótulos super maneiros no Pinterest, os inverti horizontalmente, os coloquei em algumas páginas e mandei imprimir A LASER COLORIDO numa loja de impressão (NÃO PODE ser impressão por jato de tinta!). Criei uma pasta no Google Drive e lá coloquei todos os rótulos em .jpg prontos para você baixar e montar num Photoshop da vida e mandar imprimir. Para montar a página com seus rótulos preferidos, é preciso deixar cada rótulo com pelo menos 7-7,5 cm de altura. Algumas imagens são maiores ou menores que isso, então precisa redimensionar, senão o rótulo não vai caber ou ficar bom na lata. Lá no Drive, deixei também algumas páginas já prontas com alguns rótulos já preparados, no tamanho correto, que basta baixar e enviar pra impressão, que tem que ter a melhor qualidade possível, senão não vai prestar.

Observe que todas as imagens estão INVERTIDAS horizontalmente (como uma imagem de espelho) porque ao serem transferidas para a lata, ficarão na posição correta.

Depois de ter seus rótulos impressos e cortados, você vai precisar das latas, claro. Eu tratei de oferecer no meu condomínio uma lata pronta para quem me desse latas vazias, e por sorte uma confeiteira tinha um bom lote (11 latas).

Então, o primeiro passo é preparar a lata. Prefiro a lata de leite Ninho por causa do seu formato e da tampa transparente, que combina com qualquer cor que você usar para pintar a lata. Muita gente nem usa a tampa porque usa a lata para colocar coisas que ficam pra fora da lata, como lápis, talheres, flores, pincéis, estecas, tesouras, etc. Mas eu acho melhor deixar a tampa, porque se alguém quiser guardar algo que precise tampar, poderá.

A lata de leite em pó tem essa borda interna de reforço, que eu particularmente não gosto, então, eu prefiro tirar (além do que fica mais fácil pintar a lata por dentro, e gasta menos tinta). Então eu usei um abridor de girar para tirar essa borda. É importante que seja usado esse tipo de abridor para que não fiquem rebarbas na lata que possam machucar a mão. Mas se você preferir deixar a borda, faça como achar melhor.

Depois de tirar a borda, é só lavar por dentro e tirar o rótulo e a cola do rótulo. Usei uma faca de lâmina fina para raspar a cola dura, e completei a limpeza usando um pano com aguarrás. Sequei com um pano e deixei secar ao ar livre mais por uma hora mais ou menos, para secar bem.

Depois, é a vez da pintura. Usei 4 marcas de tinta spray: Colorgin (350 ml), TEK (350 ml), Montana  (400 ml) e Paris 68 (400 ml), nas cores marfim, branco, creme, areia, argila e caramelo. De todas as marcas, as que mais gostei foram a Montana e a Paris 68, que secaram rápido e não escorreram como as outras duas (e se não estou doida, as duas tinham um cheiro meio perfumado). Não lembro quanto paguei nas outras três, mas a Montana custou 31,00 e tem 50 ml a mais que a Colorgin e a TEK, o que é um ponto positivo, pois rende mais latas pintadas, apesar de eu AINDA não ter computado quantas latas dá para pintar com cada marca (mas vou fazer isso com a Montana/Paris 68, pois não pretendo mais comprar das outras marcas. Depois eu atualizo o post).

O que eu achei estranho, e muita coincidência, é que a qualidade da Montana e da Paris 68 é idêntica, inclusive, ambas as marcas têm cheiro perfumado (e não de tinta), baixa pressão e um número estampado na lata. Fiquei tão encucada com isso, que achei que ambas eram fabricadas pela mesma empresa, mas acabei descobrindo que a Montana é espanhola, e distribuída no braseel, e a Paris 68 é brasileira, do Paraná. Terá a Paris 68 sido cópia da Montana? Achei a Paris 68 a um preço excelente na Capsula Graffiti: 18,00. Certamente custa muito mais barato do que onde comprei, no Hell de Janeiro, e eles têm praticamente todas as cores (e são muito lindas). Acabei comprando mais umas online, e o envio de 4 latas ficou pra mim em 32,00. Ainda assim vale mega a pena!

Continuando, para fazer a pintura, por se tratar de produto químico, é importante usar luvas (para não pintar seu esmaltes de unha, rsrsrsr) e o mais importante, máscara e óculos de proteção.

Como tenho um jardim grande, coloquei um balde velho emborcado na mesa do jardim e pintei a lata em cima dele. Foram 2 ou 3 demãos de tinta, e a terceira só era necessária nas cores mais claras, e quando eu percebia alguma eventual falha. O bom de usar tinta spray é que a pintura sempre fica uniforme, lisinha e linda, com acabamento perfeito, além de secar beeem mais rapidamente.  Você pode usar outra tinta também, e pintar com o rolinho, mas eu acho a spray mais prática e melhor. Pintei por dentro e no fundo por fora, também.

O número de demãos vai depender da sua expertise na pintura. E depois de deixar pelo menos umas duas horas secar bem (as minhas secaram ao sol), é hora de iniciar os trabalhos. Para esta nova etapa, vamos precisar de cola, pincel chato, um pedaço de plástico e um paninho embolado (pode ser um Perfex).

Agora, usando o pincel, você deve passar cola na lata mais ou menos na área que o rótulo vai ocupar, e também no próprio rótulo.

 

Agora, posicione o rótulo sobre a superfície da lata com a cola e grude o rótulo, ajeitando para não ficar torto.

Depois, coloque o plástico por cima do rótulo, e usando o paninho embolado, deslize o paninho sobre o plástico, do centro para as bordas, comprimindo bem o rótulo para que ele grude bem nas depressões da ondulação que a lata tem. Se não grudar nas depressões, o resultado vai ficar uma porcaria.

Conforme você vai deslizando / comprimindo o rótulo sobre a superfície da lata, o excesso de cola entre a lata e o rótulo vai sair pela borda do rótulo. Portanto, não passe cola demais para não virar uma bagunça na hora de comprimir o rótulo, e nem passe cola de menos, para a cola não secar na lata enquanto você passa cola no rótulo.

Quando tiver certeza de que o rótulo está bem aderido na superfície da lata (nas elevações e depressões da ondulação), tire o plástico com cuidado e limpe qualquer excesso de cola expelido usando um paninho molhado. Eu aplico o rótulo usando o próprio paninho já molhado, para não perder tempo na hora de fazer essa limpeza. É mais fácil remover a cola molhada do que já seca. Tome cuidado para não molhar o rótulo, senão a vaca vai pro brejo.

Agora é deixar secar BEM. Deixo umas duas horas pelo menos. E a próxima etapa agora será retirar toda a fibra do papel, deixando na lata somente o toner da impressão da imagem. Para isso, você precisará de uma esponja ÚMIDA com água, que você usará para umedecer o papel dando apertadinhas na esponja sobre o rótulo (melhor não deslizar, para não “dar ruim”). Você observará que o papel ficará meio transparente, e conseguirá já ver as cores do rótulo sob as fibras do papel.

Quando tiver certeza de que todo o papel está úmido, DELICADAMENTE E SEM PRESSA, vá esfregando o dedo suavemente sobre o rótulo umedecido, removendo as fibras do papel. Não faça pressão demais, senão você arrancará também o toner e vai estragar todo o seu trabalho. Preste especial atenção nas depressões. Você precisará esfrega-las com cuidado para não arrancar o toner das elevações. Use a ponta do dedo com cuidado, ou se tiver em casa daqueles lápis com uma borrachinha na ponta, use. Se eu tivesse, usaria pelo menos para experimentar, apesar de achar que a gente deve ter mais noção do quão forte está esfregando se usar o dedo, já que lápis não tem tato, heheheh.

Você vai precisar umedecer o rótulos várias vezes durante o processo, que pode levar uma hora ou mais para ser concluído. Nas bordas do rótulo, não esfregue em vai-vem, pois no que você vier, pode descolar e rasgar a borda do rótulo, aí vai perder seu trabalho. Nas bordas do rótulo, esfregue o dedo sempre no sentido do centro para fora.

Esse é um trabalho lento. Você precisará deixar o rótulo secar para ver onde você precisa tirar mais fibras de papel.  Você identificará facilmente essa área porque depois de seca ela estará esbranquiçada, por causa das fibras do papel que ainda restam.

Rótulo seco mostrando onde precisa tirar mais fibras de papel

Neste caso, umedeça a ponta do dedo na esponja molhada e esfregue SUAVEMENTE onde precisar. Não passe a esponja de novo sobre o rótulo, porque quanto menos você molhar demais o rótulo, melhor. Tire o máximo que conseguir, sempre tomando cuidado para não arrancar o toner. Após deixar secar novamente e estar satisfeita com o resultado, é hora de passar para a próxima etapa.

Rótulo pronto, com falhas pela remoção do toner

Na foto acima, vocês verão alguns pontos de falha, onde o toner saiu porque eu passei a esponja para molhar o rótulo para fazer a remoção fina da fibra, e não umedeci o dedo como deveria. Neste caso, dou uma disfarçada usando a próxima etapa abaixo.

Agora é deixar secar e passar para a fase de “enferrujar” a lata. Para isso, vamos precisar de betume (usei à base de água), um pedacinho de esponja picotada com tesoura (para criar depressões) ou um pincel redondo plano, uma pinça para segurar a esponjinha, um godê ou pires (usei uma forma de gelo) e criatividade! Usei também uma gotinha de corante amarelo para quebrar um pouco o marronzão do betume.

Efeito ferrugem usando o pincel chato redondo

Colocando “ferrugem” em cima de uma cola teimosa, para disfarçar o relevo

Usando a esponjinha para “enferrujar”

Particularmente, eu prefiro o efeito da ferrugem feita com o pincel. Se não tiver muito cuidado com a esponja, acaba ficando muito grosseiro o acabamento. Apesar de que com o pincel precisa tomar cuidado para ele não escorregar na superfície da lata, senão ele faz riscos, e não é isso que queremos. Tem que ter muita paciência nessa etapa, e percepção de como fica melhor a ferrugem. Geralmente, eu passo “ferrugem” em toda a borda superior e inferior da lata, e algumas vezes até internamente também.

Agora é hora de proteger o rótulo, usando verniz spray. Como eu usei tinta fosca, usei também verniz fosco. E cá pra nós, para dar um ar de velho eu acho que tem que ser fosco mesmo, porque acho que o brilho vai estragar o “ar de coisa velha”. Eu borrifei somente uma boa camada de verniz, e somente sobre o rótulo. Não vejo necessidade de passar na lata toda, já que a tinta usada é uma tinta de acabamento. O bom do verniz é que, além de proteger o rótulo, o esbranquiçado de qualquer resíduo de fibra de papel nele desaparece.

Agora mostro o rótulo pronto, já com uma boa borrifada de verniz fosco seco somente sobre o ele. Percebam que o esbranquiçado remanescente das fibras de papel sumiu e ficou um acabamento perfeito. Vejam o disfarce da falha do toner extraído. Melhor ficaria se não tivesse tirado o toner, mas agora a Inez é morta, hehehehe.

E como podem ver, tenho muitas latas ainda com que me ocupar e divertir, hehehehe.

E depois de prontas as latas podem ser usadas para os mais diversos fins, como eu citei lá em cima. Aqui em casa, como eu falei, deixarei as latas com tampa em cima de uma prateleira próxima ao teto, que colocarei na minha sala de jantar. Mas também uso uma para colocar folhas “fake” de ervas para enfeitar minha cozinha.

Se quiser, pode dar uma incrementada colocando uma alça de arame galvanizado, como se fosse um baldinho (foto abaixo). Como essa lata precisa de um furo pequeno, com uma furadeira comum não dá pra fazer. Usei uma Dremel para fazer os furos.

Aliás, a Dremel é uma ferramenta que eu indico para todo mundo ter em casa. Com ela, você faz coisas que nem imagina. Desbasta, amola, lixa, corta madeira, vidro e chapas de ferro (só se esses itens forem de pouca espessura), faz furos de pequenos diâmetros, pole, e muitas outras coisas, basta ter os acessórios corretos. Posso dizer que hoje não saberia viver sem minha Dremel. Minhas facas de cozinha agradecem, porque só as amolo agora com a Dremel.

Bem, galera, espero que apesar de não ter vídeo-aula, a aula tenha ficado a contento. Espero que entendam direitinho, e se tiverem qualquer dúvida falem comigo. Divirtam-se com as estampas no Google Drive!

=*

Viva Estou

Fui cobrada dar as caras por aqui, mas é tal caso… minha vida nunca tem nada de excepcional quando não estou viajando. Por isso lhes poupo de um Big Brother cibernético sem graça.

Tirando a rotina do meu dia a dia, aconteceram algumas poucas coisas que eu só vou contar porque foram coisas que saíram da minha rotina.

A primeira coisa é que meu gato maine coon, o Troy, morreu. Eu acredito em negligência da veterinária, que era uma garota nova, com seus 20 e poucos anos, que apesar do título de cirurgiã, demonstrou uma imensa inexperiência.

O gato começou a ficar com a respiração ofegante de repente, e ficava quieto no canto dele, apático, coisa que nunca fez. Ele sempre foi o gato acolhedor da casa. Sempre pedia colo (inclusive de visitas), e chegava até a encher o saco da gente. Vendo esse comportamento anormal, eu resolvi leva-lo à clínica veterinária. Lá, a médica o examinou, e com base num quadro clínico de dezembro passado, que não fora solucionado, ela passou remédio para problema gástrico. No dia seguinte, não tendo melhorado, eu levei novamente à clínica e ela enfim passou antibiótico. Como ele não melhorou, na tarde  do mesmo dia eu resolvi interna-lo, mas foi tarde demais. Ele morreu na madrugada do dia seguinte. Foi um choque. Recebi a ligação, passava de meia-noite, e obviamente não consegui mais dormir de tanta tristeza.

Comentando o fato com a dona do gatil onde o comprei, ela, que nem veterinária é, falou de cara que o problema era no pulmão. E foi justamente o resultado da autópsia: pulmões altamente infeccionados, com muito pus.

Não pude conter minha raiva. Fiquei muito revoltada. Mas mesmo que eu tivesse levado ele para outro médico, não teria dado tempo, porque o problema dele foi avassalador. Não deu tempo nem de pestanejar. Parece até esse coronavírus.

Enfim, muito triste, deixei para pega-lo na segunda-feira (ele morreu na madrugada do domingo). Pedi à moça que cuidava deles quando eu viajava para levá-lo para casa. Fiz uma mortalha para ele com um tecido, e ela foi comigo busca-lo. Combinei com o meu jardineiro de ele ir enterra-lo no meu jardim, e assim o fiz. Foi muito, muito, muito, muito triste, mas tive que ver. Pelo menos sei que ele está na minha casa, tadinho.

Isso me ensinou uma lição. Não confiar no primeiro veterinário que você for, por mais “especialização” que ele/ela possa ter. O resultado disso é que eu tive que fazer exames no outro gato, que agora está sozinho comigo, o Harry.

Só sei que gastei mais de 2,5 mil reais nessa faina. Tive que fazer raio X e exames de sangue e comprar remédios, depois que ele começou a espirrar.

No dia seguinte ao enterro, não aguentando ficar em casa, peguei minhas tralhas e o gato que sobrou e vim  pra casa da minha filha. Estou aqui desde o dia 10 de março. E não pude voltar porque começou essa novela de quarentena por causa do coronavírus.

Como vi no Facebook, estou em ritmo de galinheiro: quando apaga a luz, durmo, quando acende a luz fico procurando comida e só como. Tá osso! Já devo ter engordado uns 10 kg.

Ano passado eu decidi que iria começar a caminhar, e procurei no grupo no Face do meu condomínio alguém que quisesse caminhar comigo, já que eu não tinha afinidade com ninguém de lá. Uma mulher mais velha que eu um pouco se ofereceu para caminhar comigo, e começamos.

Já no primeiro dia de caminhada, ela começou a contar os perrengues da vida dela. Tinha separado do marido havia um mês, e estava no mais perfeito quadro de dor de cotovelo. O resumo da ópera, é que o marido dela estava tendo um caso com a faxineira bem debaixo do nariz dela, e após alguns estimados meses (ou talvez anos), ele, que até então era altamente confiável, finalmente resolveu dizer que queria se divorciar. Ele não explicou o motivo, mas a filha dela um dia viu os dois pombinhos juntos no centro da cidade.

Foi um baque muito grande, assim como foi pra mim quando aconteceu comigo; e eu, já escaldada, tentei a muito custo ajudá-la a sair da lama, já que eu heroicamente me curei sozinha da dor de cotovelo, que pra mim durou mais de um ano, já que eu nunca tive amigas para desabafar. Mas mesmo falando tudo por que eu passei, e dando toda força que eu poderia dar, ela insistia em tentar achar outra pessoa em sites de relacionamento, que pra mim provou ser uma GRANDE FURADA.

Ela tem quase 60 anos, parou de trabalhar há 11 anos, e não tem qualquer perspectiva de vida agora. O ex-marido é funcionário da Petrobras, e lhe dava uma vida de semiluxo, com direito a viagens internacionais e coisas caras. Hoje, ela se vê no mais puro quadro de miséria, porque, sem fonte de renda, ela aguarda a pensão pós-divórcio, que está sendo enrolada na justiça.

Eu tenho ajudado o quanto posso, pagando remédios pra ela (incluindo antidepressivos) e a “contratando” para fazer uns servicinhos na minha casa, mas infelizmente eu não vou poder ser tábua de salvação dela pra sempre, porque eu tenho meus próprios problemas e despesas. Além do mais, ela tem duas filhas, uma das quais é minha vizinha. Não acho justo eu, que sou só amiga, tentar ajudar financeiramente, quando ela tem parentes para assumirem esse papel. Mas é foda… Ver a pessoa na merda é duro. Se eu fosse rica, já estaria na miséria, porque eu quero sempre ajudar todo mundo.

É muito complicado ver uma pessoa em uma situação em que eu estive. E eu digo a ela que ela tem sorte de me ter por perto, para tentar ajuda-la a superar o pé na bunda. Eu mesma tive que me curar sozinha, porque não tinha amiga nenhuma para me ajudar. Foi uma baita provação pra mim.

Mas quando a vejo caçando homem em site de relacionamento, eu perco a paciência. A pessoa nem se curou de um e já está querendo arrumar outro problema! Eu sou uma pessoa boa, mas não tenho sangue de barata.

Sobre o rapazinho que estava de olho em mim, eu cortei o papo. Eu caí na real e vi que não é pra mim arrumar essa dor de cabeça. Ele continuou querendo ciscar no meu terreiro, mas eu cortei o barato dele. Não quero entrar numa canoa furada. Deixei a razão me levar, e não a emoção.

E sobre a quarentena… puxa! Há um mês atrás eu tinha um conhecido que estava passeando alegremente pela Itália. Enquanto ele postava fotos em lugares icônicos, eu o avisava para ter cuidado com o vírus, pois as notícias do surto já inundavam a mídia, e ele só fazia rir de mim. Depois que voltou, não vi mais postagens dele, e fico pensando se ele voltou com a doença. Era somente um conhecido muito superficial, e eu realmente não tenho a mínima intimidade com ele. Mas fico imaginando sua risada se tornou seu fim.

E eu, que pensava em fazer aquela viagem à Itália e Grécia, que anunciei tempos atrás, obviamente dou graças a Deus que não fechei nada. Até a viagem que eu tornaria a fazer a Dallas este ano eu desisti, já que os EUA estão numa situação quase pior do que a do epicentro na China. E o dólar, passando de 5 reais. Ninguém merece! Vou pensar em uma nova viagem somente depois que tudo tiver passado.

A única coisa que posso fazer agora é rezar, como tenho feito. Rezar para que essa pandemia maldita acabe, e rezar para que os velhinhos teimosos não fiquem pulando muros e tentando arrombar fechaduras, como tenho visto bastante na internet. Será o fim dos tempos?

Enquanto isso, socada no apertamento da minha filha, faço uns trabalhinhos que chegam, assisto algumas séries na TV e aprendo novos artesanatos. Agora estou fazendo macramê, e quero fazer reaproveitamento de latas de tomates pelados. Mas preciso voltar pra minha casa!

 

 

 

Há vida depois dos 50

Desde que entrei na casa dos 40 eu comecei a achar que minha vida começou a andar pra trás – uma impressão, talvez errada, de quem um dia foi e se sentiu linda, e hoje se sente uma tiririca do brejo, com sobrepeso e algumas rugas a mais. Não conseguia imaginar-me vivendo uma das coisas mais gostosas da vida, que é viver uma fogosa paixão, ainda mais uma “impossível”.

Pois bem. Vamos voltar aproximadamente ao ano de 2000. Nesse ano eu mandava meu computador para ser reparado em uma loja de informática na minha cidade; e meu computador vivia com algum problema, então, eu vivia na tal loja. Acabei conhecendo o técnico que consertava o computador, e acabei ficando amiga dele. Ele era um rapaz bem bonitinho de 17 anos. Eu tinha 34.

Esse rapaz já estava cursando os últimos semestres da faculdade, e andava desgostoso com a sobrecarga de trabalho. Eu conversei muito com ele, depois que ele resolveu desabafar comigo, uma pessoa que já era “da casa”. Eu o incentivei a terminar a faculdade e abrir sua própria empresa de informática, e prestar serviço para empresas à base de contratos.

Os anos se passaram, e ele fez exatamente o que eu sugeri. Ele se formou, abriu sua empresa de informática, e seu primeiro cliente foi a empresa em que meu ex-marido trabalhava, e da qual era gerente. O rapaz fechou um contrato de manutenção e começou a dar seus primeiros passos no ramo.

Não preciso dizer que eu continuei sendo uma cliente dele, só que sem contrato; pagava por serviço prestado. Os anos se passaram, passaram, passaram. E hoje, em 2019, 19 anos após o início do meu contato com ele, ele ainda presta serviço pra mim. E apesar de seus 36 anos, além de não parecer que ele tem isso tudo, ele continua bonitinho. Então, estamos praticamente empatados, porque dizem que eu também não pareço ter 53.

Nesse meio tempo, ele casou e separou, e recentemente ele vinha tendo problemas com um funcionário dele, e eu dei vários toques sobre questões trabalhistas, com base no meu conhecimento de legislação trabalhista adquirido na faculdade de administração que fiz. E assim, mantive minha condição de “consultora” e incentivadora dele. Sempre o considerei um amigo, mas nunca o tinha olhado com outros olhos.

Em um dos serviços que ele fez pra mim na minha casa, ele passou praticamente o dia inteiro em casa. E percebendo isso, eu o convidei para almoçar comigo e com a minha diarista, que estava aqui no dia. Ele ficou hipnotizado pela minha farofa de ovos. Perguntou como fazia e disse que gostava de cozinhar.

Eu expliquei a ele como fazia, e ele me perguntou se eu não daria aulas de culinária para ele. Quando ele disse isso, a minha diarista (praticamente uma amiga já), me olhou com aquele olhar de quem diz “aí tem!”. Eu ri, e disse que poderíamos marcar uma aula de risoto.

Uns dias depois, ainda em contato sobre o problema que eu tinha no sistema de câmeras na minha casa, acabamos marcando um jantar, onde eu o ensinei a fazer um risoto de alguma coisa. Tomamos uns vinhos, conversamos muito e rimos. O início de uma amizade além das demandas profissionais. 

Em conversas com minha diarista, ela dizia que havia sentido “algo no ar”. Comentou sobre os olhares do frangote para mim, e eu disse que ela estava vendo coisas. E o tempo passou.

Ele viajou para a Itália e Grécia recentemente, e eu lhe pedi que trouxesse um macarrão de uma determinada loja na Itália. Ele, fofinho, trouxe. E marcamos um jantar para finalmente degustarmos o meu presente.

No dia marcado, ele chegou trazendo o macarrão e muita disposição para comer guacamole e tomar umas margaritas. E foi assim a noite toda. Muitas margaritas e muita conversa, que incluiu sua decisão por não ter ninguém, pois havia ficado um quê traumatizado com o breve casamento que teve.

Num dado momento, depois de muita conversa sobre assuntos diversos, inclusive relacionamentos, eu perguntei a ele o que ele queria de mim, pois havia algum tempo que eu sentia ele “interessado” na minha pessoa por algum motivo. Não prestou…

O frangote de 17 anos menos que eu me tacou um beijo e eu arriei os 4 pneus. Gente do céu, o frangote conseguiu desbancar meu rei do beijo, que foi um cara que conheci em 1989. Até então, ninguém nunca tinha me beijado tão gostoso, suave e deliciosamente; vixe Maria!!!

Obviamente eu não deixei passar do beijo, mas confesso que só de pensar nos montes de beijos que trocamos, o resultado é um estrago grande, se é que me entendem.

Eu, que tinha uma certa aversão em pensar na possibilidade de ter um rala e rola com o frangote, já que percebia que ele tinha um certo interesse em mim, agora me vejo completamente apaixonada pelo beijo dele. Alerta máximo!

Gente, eu tenho 17 anos a mais que ele, pqp! Papa anjo! Ai Senhor, que delícia foi essa experiência. É tão magnífico quando a gente se sente desejada!

Perguntei, durante nossa conversa, o que ele via em mim, e foi uma grande massagem no ego ouvi-lo dizer que ele me admirava porque eu dei conselhos a ele que edificaram sua vida, que ele me achava linda e inteligente. Ok, esse papo de homem é clássico, mas sabe que eu acreditei nele? O conheço há muitos anos para saber que ele está sendo sincero.

Mas como eu disse a ele que eu não quero (e não quero mesmo) ter relacionamento com homem nenhum, tenho medo de acabar não conseguindo mais dar um repeteco nessa deliciosa sessão de beijos. Infelizmente eu terei que esperar o tempo passar para ver no que isso vai dar.

Enfim, eu hoje acredito que mesmo socada dentro de casa, “insociável”, milagres acontecem! Portanto, não percam a esperança jamais!

 

 

New Orleans – Goodbye

Antes de dormirmos na noite anterior, arrumamos nossas malas e já as deixamos prontas para a viagem de volta.

Acordamos cerca de 7 da manhã novamente, tomamos nosso banho e saímos para tomar o último café no Cafe Beignet, desta vez, outra filial, na Bourbon Street. Tivemos a sorte de chegar quando ainda estava vazio, pois não demorou muito e entrou um bando de velhinhos que fez a fila ir parar lá fora na rua.

Pedimos desta vez um sanduíche de croissant para cada uma, e mais um trio de beignets, que desta vez passaram um pouco do tempo de fritura, e não estavam tão macios quanto dougnuts, como foi no café do dia anterior, na filial de St. Peter.

Depois demos mais um rolé na Walgreens, onde compramos mais umas bobeirinhas, e seguimos para o hotel, de onde saímos pouco antes das 10 da manhã.

Chegamos ao aeroporto, despachamos nossa bagagem e aguardamos nosso voo, que sairia às 14:05. Seguimos até Atlanta, onde esperamos o próximo voo, que saiu às 19:30. Para o azar da Gabi, o seu vídeo não estava funcionando direito, e o pessoal de bordo teve que reiniciar o sistema duas vezes, o que foi suficiente para ela conseguir pelo menos assistir a um filme. Mas como começou a dar problema novamente, ela acabou desistindo e foi dormir.

Apesar de todos os contratempos que tivemos desde que iniciamos a viagem, a Delta aparentemente saiu com boas soluções, mas temos que aguardar o desenrolar dos fatos para sabermos se vão mesmo cumprir com o prometido ou não. No caso do cancelamento voo, é saber se eles realmente vão nos ressarcir com 100 dólares para cada uma.

As refeições na Delta são o que há de melhor. Tudo relacionado a refeições na Delta é muito bom. Servem um aperitivo (bebida) antes da refeição, servem a refeição com boa sobremesa, e durante o voo ainda servem uns mini Toblerones. O café da manhã é simples, mas muito bom. Na ida e na volta foi sanduíche de croissant com um queijo adocicado tipo o queijo Reino, delicioso, e tão quente que dá até pra queimar a boca, se não tiver cuidado.

Chegamos no braseeel 7 e pouca da manhã, e para a minha infelicidade, minha mala novíssima, primeira viagem dela, chegou sem uma rodinha. E como hoje é domingo, não tinha praticamente ninguém atendendo. Foi um parto achar uma salinha da Delta escondidinha ali no cantinho do aeroporto, onde pude abrir uma reclamação sobre a mala. A solução que deram foi me pagar 970,00 por uma mala nova, que foi o preço que paguei por ela, conforme mostrei na nota fiscal que recebi por email da Samsonite em outubro deste ano, quando comprei a mala. Agora vou tentar ver com a Samsonite se a garantia cobre a perda da rodinha. Mesmo que não cubra, vou gastar no máximo uns 150,00 para consertar, que será o preço da rodinha mais o envio à loja (e devolução). Embolsarei o valor do reembolso como compensação pelas coisas ruins que ocorreram durante esse viagem, em relação à companhia aérea.

Uma coisa é certa: as milhas da Delta nunca expiram, e eu confesso que apesar dos contratempos, vou continuar dando prioridade à Delta nas minhas próximas viagens aos EUA. A qualidade do serviço de alimentação vale a preferência.

Então é isso, galera. Até a próxima viagem!

New Orleans – Dia 5

Neste dia, acordamos por volta das 7:30. Tomamos nosso banho e saímos para irmos tomar café na nova filial do Cafe Beignet que abriu na rua Saint Peter, onde usaremos a cortesia de café com leite que recebemos no tour para Oak Valley. E enquanto caminhávamos, víamos a sujeira que os bebuns deixam todo santo dia nas ruas. A sorte é que essa sujeira não fica na rua, pois igualmente todo santo dia as ruas são lavadas com jatos de água e sabão, sim, isso mesmo, sabão. Depois da limpeza fica uma delícia caminhar pelas ruas, porque além de ficarem “brilhando”, ainda cheiram a sabão em pó.

E depois de caminharmos algumas quadras, logo chegamos ao nosso destino: Café Beignet. Um lugar tão aconchegante e cheios de passarinhos DENTRO da lanchonete, ao som de piano, que nem dá vontade de sair. Um lugar super gostoso em todos os sentidos. Banheiro limpíssimo e espaçoso.

O piano toca sozinho. Super show.

Dividimos um sanduíche de croissant com omelete e bacon que estava tão maravilhoso quanto os beignets que comemos depois. E tomar café desse jeito, com passarinhos pidões invadindo o ambiente e música linda, é um privilégio para poucos. Um sonho real que jamais esquecerei.

E saindo do Café, paramos em uma loja para comprar umas bobeirinhas, no caminho até o ponto de encontro para o nosso tour de vudu, que era em uma lanchonete 1/4 de boca que fica em frente ao parque Armstrong. Após a nossa chegada, não demorou muito para Maggie chegar. Maggie é uma sacerdotisa de vudu. Assim como os “cavalos” do candomblé, ela recebe espíritos de orixás. era quase da minha altura, bem branquinha, com lábios carnudos pintados de um vermelho muito vivo, olhos bem claros e cabelos compridos com mexas. Usava uma saia rodada, uma sapatilha e uma camiseta, e tinha uma bolsa tiracolo atravessada no corpo, com uma garrafa de água e um bonequinho de vudu. Apesar de falar bem rápido, consegui entender muito do que ela disse.

Basicamente, o que ela fez foi contar a origem e a história do vudu em New Orleans, de uma forma que faz a gente entender que os vudus que “pintam” nos filmes é algo que não é verdade.

O vudu, assim como o candomblé brasileiro, foi levado para NOLA por escravos africanos, e não é magia negra, como muitos pensam, mas uma religião igual ao candomblé, com algumas pequenas diferenças. O vudu segue os mesmos orixás (Exu, Ogum, Xangô, Iemanjá, etc.) e segue basicamente os mesmos princípios do candomblé. Em síntese, o vudu é um clamor aos ancestrais divinos, que cuidam e equilibram nossas energias, em busca de cura e boas conquistas. O bonequinho que eles usam, são feitos de musgos, gravetos e tecido, e precisam ter o DNA da pessoa que será “trabalhada”. Os alfinetes? Servem para afastar o mal que está na pessoa. Por exemplo: se eu tiver dor de cabeça, eu faço um bonequinho de vudu meu e coloco alguns fios de cabelo meus no corpo do bonequinho, e espeto um alfinete na cabeça do meu bonequinho vudu para afastar a minha dor de cabeça. Pode-se, por exemplo, usar óleo essencial de lavanda (não pode ser sintético, que não funciona), para ajudar no “tratamento” da dor de cabeça. Se a dor é nos rins, o alfinete é espetado atrás, na altura dos rins. É basicamente isso. Não tem esse negócio de espetar no coração e a pessoa morrer. Isso seria magia negra.

Enfim, achei que esse tour foi muito esclarecedor, e de certa forma já não me assusta mais sequer pronunciar a palavra vudu. Não é uma religião do mal, como a maioria das pessoas pensa.

Durante o tour, fomos até a casa onde morou Marie Laveau, a rainha do vudu, e passamos por algumas lindas construções.

Para encerrarmos o tour, fomos à loja que Maggie considera a melhor na cidade:  Authentica.

Achei tudo muito interessante. Como curiosidade, Maggie nos contou que os escravos faziam os bonecos de vudu e diziam aos seus patrões que eram bonecas para os filhos brincarem, de forma que eles pudessem continuar seguindo com seus rituais e suas crenças sem serem perturbados pela descrença dos patrões católicos.

Gabi comprou um livro sobre incensos, óleos e infusões e seus usos. Bem interessante.

Da loja, fomos caminhando de volta para o hotel, porque eu queria deixar minha linda bolacha de ferro fundido com uma flor de lis no meio. Quando chegar em casa eu coloco foto aqui. Está na mala, ainda, sabe-se lá onde. Como a bolacha é de ferro fundido, pesa quase um quilo, e estava pesando muito na minha bolsa. Preferi deixar no hotel e de lá seguirmos para nosso próximo destino, que seria o shopping onde tem o Cheesecake Factory.

Do hotel pegamos um Lyft. Até o shopping custou cerca de 20 dólares. Caro pra dedeu, mas pelo menos o Cheesecake Factory faz valer cada centavo. A comida é simplesmente um escândalo de gostosa, assim como são as do Hard Rock. Sem falar na sobremesa, neah???

Chicken Marsana & Mushroom pasta

O prato serve muito bem para quem está faminto. Se a fome não for muito grande, dá para duas pessoas de boa. O prato (literalmente o prato), é imenso. O garfo parece até garfinho de bolo perto do prato. E como era comida demais (e eu comi tu-di-nho), eu pedi o salve-salve cheesecake de red velvet para viagem, mas acabei roubando uma lasquinha pra matar o desejo. E fui comendo no decorrer do dia, enquanto esperava Gabriela sair de alguma loja.

Red Velvet Cheesecake

Fomos ainda na Bath & Body Works, que é outra loja que gosto de ir, para comprar mini spray de aromatizante de ambiente concentrado. Eu sempre compro o de Limoncello, que tem cheiro de, hmmmmm, LIMÃO! Eu gosto de usar quando troco o lixinho da pia da cozinha. Lavo a lixeira e dou uma borrifada com esse aromatizante antes de colocar um novo saco. Ajuda a deixar o lixo cheiroso, hehehehehehe.

Nesse mesmo shopping tinha uma loja da Disney, ao lado de uma Williams Sonoma, que é uma loja que vende utensílios para casa e cozinha, que eu adoro. Então, enquanto Gabi ia para a Disney, eu estava lá olhando tudo. Comprei um mini fuet, resistente e compacto, de qualidade muito difícil de se encontrar normalmente.

E dali pegamos outro Lyft e fomos para outro shopping, onde queríamos ir na Bed Bath & Beyond, na Target e Dollar Tree. Amo a BBB!!! Aliás, qualquer loja que venda coisas de casa me atrai. Impossível sair da BBB sem alguma coisa, e eu comprei um shaker de farinha; aquela canequinha de inox com tampa furadinha, pra polvilhar farinha ou açúcar.

E dali fomos para a Target, onde comprei um monte de coisas. Mas na Target eu fiquei tão entretida que esqueci de fotar (sorry!). A Target é uma das minhas lojas preferidas. É uma loja de departamentos, onde normalmente eu compro os meus sutiãs. Mas como renovei meu estoque em Dallas, não em julho deste ano, não comprei sutiãs desta vez. Mas comprei várias outras cositas. Comprei uma mini máquina de fazer waffle muito lindinha, do tamanho de um pires de xícara de chá. Minha filha adora waffle.

E depois de umas 2 horas na Target, fomos até a Dollar Tree. Já passava das 18 horas, e já estava escuro lá fora. Não demoramos nadinha lá (estava bem ruinzinho de produtos), e logo pegamos um Lyft de volta para o hotel.

Ao chegarmos no hotel era quase 20 horas. Tiramos a roupa, tomamos um banho e começamos a guardar as coisas na mala. Seria nossa última noite em NOLA. Depois que guardamos tudo, vimos que ainda tínhamos 20 quilos de bagagem para utilizar, e com dor de corna, falei pra Gabi se vestir para irmos ao Walmart comprar mais coisas. E foi o que fizemos.

Também não tirei fotos, mas basicamente comprei uns rolos de papel toalha (AMOOOOO o papel toalha americano – tem folha mais larga que a dos nossos, e são mais resistentes), que além de ser um produto ultra útil, que eu amo, serviria ainda para preencher os espaços vazios na mala sem pesar tanto, já que as malas tinham muitos itens pequenos e pesados. Precisávamos de volume para as coisas não ficarem batendo dentro da mala. Comprei também mais temperos sem glutamato monossódico (vários tipos), massas de cupcakes e brownies, mais uns remedinhos, heheheheh, e outras bobeirinhas que achei legais. Ai, esses mercados americanos…

Saímos do WM passava das 21:30. Esse WM específico fechava as 22h, mas as portas já estavam sendo fechadas às 21:30. Chegamos de volta ao hotel passava das 22:30, e estávamos tão cansadas que não tive disposição (e nem teria tempo) para postar nada nesse dia. Achei melhor postar quando voltasse.

E como Gabi não conseguiu comer todo o seu almoço da Cheesecake Factory, ela pediu para embrulhar para viagem a metade que sobrou. E foi isso e o restinho dos nossos cheesecakes que foram o nosso jantar dessa noite.

E assim terminou nossa última noite em NOLA.

Resumo da viagem no meu ponto de vista:

Achei a cidade interessante de se conhecer, não só pela sua história muitíssimo interessante, mas também por causa da sua arquitetura, culinária, dos beignets e do vudu. É o tipo de cidade que, na minha opinião, deve-se ir pelo menos uma vez para conhecer. Eu mesma não pretendo voltar a New Orleans.

A noite da cidade não é do meu agrado, como eu falei nos posts anteriores. Muita confusão de estilos musicais, muito barulho e muita gente bêbada e drogada nas ruas. Tem muitas casas de prostituição nas imediações, e segundo nos informaram, a presença da polícia não é tão intensa quanto deveria ser, apesar de nada ter acontecido conosco, mesmo voltando para o hotel depois das 23 horas. Mas tem muita gente mal-encarada, que dá pra assustar.

Poucas das lojas que estamos acostumadas a frequentar para comprar as coisas que queremos ficam muito longe, tendo que gastar cerca de 20 dólares para ir até elas. O Walmart, apesar de ser um Supercenter, não era tão bem abastecido quanto tantos outros que já fui, mas quebrou um bom galho.

Achei as pessoas amistosas e bem receptivas. Em nenhum momento fomos maltratadas por sermos estrangeiras. O hotel Chateau Le Moyne é super recomendado; amplo, com boa localização e com pessoal prestativo e atencioso.

Gastamos uma média de 225 dólares por dia, entre compras e refeições (não inclui o tour a Oak Valley, que custou 212,00 por pessoa). Para fins de referência, a média de uma refeição nos restaurantes era na faixa de 20 dólares, e uma Coca Cola, 5 dólares.

 

 

 

New Orleans, Dia 4

Hoje acordei 6 e pouca da manhã, e logo depois, Gabi. Tomamos nosso banho, arrumamos algumas coisas e eu fiz uns sanduíches para nós comermos durante o dia. Logo, saímos em direção à CVS, porque eu precisava comprar umas coisas que minha cunhada me pediu.

Como estava 14 graus, resolvemos sair hoje só com o casaco de moletom, e foi a conta certinha. No meio do caminho rolou um pequeno estresse com Gabriela por falta de paciência dela com minha surdez, e acabou que eu entrei sozinha na CVS e liguei o dane-se. Uns 10 minutos depois a vi entrando pela porta da farmácia, com olhos suspeitosamente chorosos, mas isso não me abalou, afinal de contas, quem começou tudo foi ela. E fui só pegando as coisas que eu precisava. De repente ela se aproxima e começa a fazer comentários e a apontar para produtos como se nada tivesse acontecido, e eu respondia desinteressada, porque estava muito aborrecida com a falta de sensibilidade dela para minha deficiência física. Mas como isso estava engasgado em mim, eu disse a ela que eu não pediria desculpas porque era ela que me devia desculpas por ser insensível à minha condição de surda. Então ela me pediu desculpas e tudo voltou a ser o que era antes.

Acho que o problema das pessoas hoje em dia é basicamente esse. Muitas vezes o orgulho ou fazer de conta que não é consigo, impede as pessoas de pedirem desculpas e colocarem os pingos nos is em discussões por coisas relativamente bobas. Pra mim não foi bobo, porque eu sou surda e ponto. Não posso fingir que entendi o que a pessoa disse se eu não entendi. Tenho que perguntar uma, duas, três ou mais vezes (como já aconteceu), se eu não conseguir entender alguma frase ou palavra. Faz parte da vida do surdo isso. Se o locutor não tem paciência para repetir, melhor não dizer nada, para não ser questionado.

Enfim, depois do pedido de desculpas (e espero que tenha sido sincero, com arrependimento), fingimos que nada aconteceu e voltamos às boas. Seguimos para o self-cashier, mas pra variar, na hora de pagar, a máquina de cartão deu um piti com o nosso cartão pré-pago e não aceitou o pagamento. Aí, acabamos indo para o caixa normal, que tentou duas vezes também, sem sucesso. E quando eu já estava quase entrando em desespero por ter que pagar com cartão de crédito normal, por sorte, na terceira vez conseguimos fazer o pagamento. O problema aqui nos EUA com cartões pré-pagos em algumas lojas, é que às vezes você tem que simplesmente apertar o botão verde da maquininha sem digitar a senha, porque, não sei o motivo, a máquina não aceita o pagamento após digitar a senha.

E ao sairmos da farmácia, encontramos algo muito interessante na calçada: um cronograma de eventos importantes ocorridos na rua principal que divide o French Quarter do “American” Quarter, a Canal Street (que não tem canal nenhum – começo a achar que o pessoal da Louisiana adora uma mentirinha, rsrsrsr).

Fomos caminhando de volta até o hotel para deixar as coisas e saímos novamente, desta vez, em direção ao Museu da Farmácia, que fica a algumas quadras do hotel. Fui mais para acompanhar a Gabriela mesmo, e desta vez, sem reclamar, porque da última vez que fui resmungando a um museu porque eu não queria ir tive que morder a língua, porque amei o programa. Foi no Museu da Embalagem em Londres, ano passado.

Por 5 dólares por pessoa, a gente entrou no museu e começou a explorar tudo, passando a saber dos absurdos que se praticavam na medicina dos primórdios, como por exemplo, usar produtos radioativos para “curar” ou como produto de beleza. Usava-se mercúrio, chumbo, arsênico (isso mesmo, como produto de beleza), e até os ricos mandavam “encapar” os comprimidos com ouro ou prata para demonstrarem sua riqueza, mas que no final das contas resultava em nada, porque com a carapaça do metal, o organismo não absorvia o conteúdo do tal comprimido de riquinho.

Ficamos lá cerca de uma hora, e quando vimos tudo, saímos. Fomos caminhando até alguma loja onde eu pudesse comprar o tempero do Gumbo, que comi ontem no Hard Rock, pois quero fazer essa receita em casa. E depois de andar algumas quadras, consegui achar uma loja que vendia os temperos (Gumbo e Cajun), pelos quais paguei quase 16 doletas.

Gabi queria ir almoçar e comer um beignet no Café Beignet, e lá fomos nós. Mas no meio do caminho, encontrei uma peça rara…

Viram as “unhas”?

Gostei tanto do Gumbo do Hard Rock, que resolvi comer um Gumbo no Cafe Beignet também. Parecia água de lavagem. Ou a comida do Hard Rock é realmente fenomenal, ou eu sempre dou azar quando não como lá. Gumobozinho fajuto, pequeno e caro, nesse Cafe Beignet. Eu só esperava que pelo menos os beignets (foto abaixo) fossem bons, já que eram classificados no Tripadvisor como o melhor beignet de NOLA, competindo com o beignet do Cafe du Monde. Desse eu gostei!

O Beignet é uma massa frita e coberta com açúcar impalpável. É uma massa idêntica à massa de donut, só que quadrado, A massa é bem macia, sedosa e sequinha, mas pro meu gosto, falta o charme da canela que tem o tradicional bolinho de chuva braseeeleiro. De qualquer forma, aprovadíssimo. Muito gostoso (até porque, amo donuts).

E dali fomos até o píer, que seria onde pegaríamos o ônibus do tour para a Oak Alley Plantation, que é um casarão muito bonito, construído há quase 200 anos, que era a casa-sede de uma grande plantação de cana-de-açúcar, com várias casinhas de escravos. Pegamos nossos bilhetes e aguardamos cerca de 50 minutos até embarcarmos no busão rumo à plantação (chegamos um pouco cedo).

Nosso guia era o Jim, um cara muito simpático e pintoso, a quem entendi completamente do início ao fim. Falava devagar e claramente, então foi super fácil entender tudo. De NOLA até a plantação (que na verdade não é mais plantação – era, na época da fundação da casa) foram cerca de 2 horas. E no meio do caminho ele ia contando algumas curiosidades sobre diversos assuntos, enquanto eu devorava um dos sanduíches, pois aquele Gumbinho safado não venceu a fome. Ganhamos, inclusive, um brinde: um café com leite gratuito na nova filial do Cafe Beignet, em outro canto da cidade.

E chegando à plantação, nós pegamos nossos ingressos e fizemos o tour pela casa. Desta vez, não tive muita sorte, porque a moça que nos guiou no tour falava meio rápido demais. Então, fiquei só olhando as coisas enquanto ela tagarelava e eu pescava algumas palavras, tentando entender pelo contexto.


Vista olhando da frente do casarão

Não era permitido tirar nenhuma foto dentro do casarão, somente de fora. De qualquer forma, vou ficar devendo a foto do casarão, porque eu esqueci de tirar, mas eu filmei um 360 graus nesses arvoredos, que pega a frente da casa. Posto quando voltar pra casa.

O tour no casarão durou uma hora, e logo saímos para ir olhar as casas dos escravos, mas eu não fiz o tour, porque estava sem saco. Só olhei muito rapidamente, e segui para a loja de souvenirs.

Não tinha muita coisa interessante, então não tirei muitas fotos. Tinha muita coisa de noz pecan, e foi assim que descobri que a Louisiana é um grande produtor de pecans. Por isso eu vi óleo de noz pecan em muitas lojas, para vender.

A gente tinha duas horas para fazer todos os tours e voltar para o busão. Como eu não estava com saco de ficar saracoteando por aqui e por ali, eu fui ao banheiro e me sentei numa cadeira próxima à área onde o busão estava, esperando Gabi voltar de seu próprio tour fotográfico (depois vou roubar umas fotos dela pra por aqui).

Logo deu a hora de embarcarmos de volta para NOLA, e voltamos – mais duas horas de viagem, com direito a um engarrafamento de hora do rush (só Jesus na causa). O que aliviou a tensão foi saber que logo estaríamos no Hard Rock novamente para repetir o Gumbo maravilhoso de ontem.

Erm… no entanto, hoje o prato veio diferente. Veio com tanta pimenta que eu tremi nas bases. E o medo de desandar a bagaça toda de novo que já estava quase boa? Acabei nem comendo tudo, e bebi 1 litro e meio de chá preto pra diluir a pimenta. Mas mesmo assim não adiantou, porque o que estava sólido voltou a ser líquido, aff. Voltei à estaca zero na minha “condição delicada”. Lá vamos nós começar tudo de novo.

Amanhã vamos a um shopping. Queremos ir na Target, Bed Bath & Beyond e Cheesecake Factory, pra eu terminar de ferrar tudo de vez.

 

 

 

New Orleans – Dia 3

Acordei perto das 6 da manhã, e logo em seguida acordou Gabi. Ela ficou meio cismada com algo que havia reparado em sua “condição delicada”, e preferiu abrir uma ocorrência junto à Assist Card, que é a empresa do nosso seguro viagem. Eu até tenho pelo meu cartão de crédito direito a seguro viagem “gratuito”, desde que eu compre a passagem aérea usando o cartão, mas como esse da Assist Card foi muito baratinho, se comprado junto com o pacote viagem da Decolar, preferimos usa-lo. Confesso que não me arrependi de pagar 200 reais a mais!

Gente, fiquei boquiaberta com o atendimento. Basta instalar o aplicativo AssistCard Telemed no celular e a gente é atendida por um médico (muito fofinho o senhor, aliás). A gente narra o que está acontecendo, e ele determina que enviará uma receita para o seu caso, para que você possa ir a uma farmácia comprar o medicamento. Foi o que fizemos.

Ligamos,  explicamos a ele tudo o que sentíamos e bla bla bla, ele fez as devidas recomendações para nosso quadro. Em seguida ligaram para o hotel onde estamos para nos informarem o endereço da farmácia que teremos que procurar e o remédio que teremos que tomar (cada uma teve que fazer sua própria videoconsulta). Teremos que pagar pelo remédio, e quando voltarmos ao braseeel, devemos apresentar a notinha para que sejamos reembolsadas.

Achei um serviço super eficiente e rápido, e o melhor de tudo é que não precisamos exatamente ter que ficar presas no hotel esperando pela visita física de um médico, já que nosso caso não era nada grave, e não precisaria de medições de pressão ou algo do gênero.

Não tenho dúvidas de que procurarei sempre comprar o seguro viagem da Assist Card. Foi amor à primeira consulta virtual!

Tomamos nosso banho e saímos para mais um walking tour, desta vez, ao cemitério, mas antes, fizemos uns sanduíches de pão branco com peito de peru para comermos de café da manhã, e também para levarmos conosco para a rua, porque já imaginávamos que não iríamos conseguir encontrar nada que nos fosse permitido comer.

Saímos e fomos na Walgreens primeiro, porque queríamos comprar o remédio que o médico nos recomendou. E saindo da Walgreens, fomos encontrar o nosso grupo do tour, que desta vez não era liderado pela Stacey, heheheheh, desta vez era Elizabeth. Seguimos para o cemitério, que não é muito longe de onde estamos hospedadas.

Gente, pode ser que Gabi tenha curtido o tour, mas eu não curti nadinha. Imagine um cemitério pequeno, com túmulos cujo cadáver mais antigo, ou seja, o primeiro a ser enterrado lá, data de 1800! Apresento a vocês o Antoine Bonabel, morto em 5 de fevereiro de 1800.

O cemitério era pequeno e devido à idade dos túmulos e estava bastante mal conservado pela igreja católica, que é a responsável pela sua conservação. Muitos jazigos quebrados, rebocos caindo aos pedaços e mato. Não sei como o cemitério não cobra uma taxa de manutenção das famílias, considerando que, segundo a guia, até hoje pessoas são enterradas lá.

As duas únicas coisas que chamaram minha atenção, além do total limbo que está o cemitério, foram o túmulo de Nicolas Cage (sim, você leu corretamente, o ator que ainda está vivinho da Silva) e o túmulo da “Rainha do Vudu”, Marie Laveau, que, segundo o título que teve, foi tida como a principal sacerdotisa dessa religião (Vudu) que existe até hoje em New Orleans, e que é prima distante do candomblé brasileiro.

O papo do Nicholas Cage, é que ninguém entende a fixação que ele tem com New Orleans, já que ninguém da família dele tem qualquer vínculo com a cidade, mas mesmo assim, ele começou a comprar imóveis por NOLA (e perdeu todos por falta de pagamento de impostos), e até comprou seu espaço no cemitério e mandou fazer o seu jazigo, que é em formato de pirâmide feito em mármore branco, “porque faraós eram enterrados em pirâmides”. Eu até gosto dele como ator, e achei que ele era meio estranho por causa de seus papéis que fazia, mas hoje concluí que o cara é despirocado das ideias. Tire suas próprias conclusões depois de ler sua biografia na Wikipedia.

Como minhas expectativas sobre esse tour não foram exatamente alcançadas, eu acabei perdendo o interesse pelo tour e passei a não prestar mais atenção no que a guia falava, e meio que me desgarrei do rebanho lendo desinteressadamente os nomes e datas escritos nas lápides para passar o tempo entediante. Soltei fogos quando finalmente o tour terminou.

E após darmos mais 10 dólares para a guia (acho que vou ser guia turística de “free” walking tours na próxima encarnação), fomos caminhando até o hotel, que não era muito longe. Achamos melhor deixar a bolsa no hotel e pegar outras sacolinhas mais leves para ir retirar meu pacote que havia chegado no Amazon Locker que fica perto do hotel.

Ao chegarmos no hotel, a camareira estava limpando nosso quarto. Eva, uma simpática hondurenha baixinha, gorduchinha e com cabelos cheios de minitrancinhas, não se incomodou com nossa presença, porque a deixamos à vontade. Só queríamos mesmo deixar nossas coisas e trocar de casaco, porque o dia hoje estava mais quente, e achamos melhor deixar o casaco pesado no hotel. E para isso, levantei sozinha uma das minhas malas que estava no chão e pus mais no alto, para que eu pudesse abrir e retirar meu casaco de moletom que estava dentro. Essa levantadinha na mala definiu o resto do meu dia.

Bem, fizemos o que tínhamos que fazer e demos linha na pipa. Seguimos até o Amazon Locker, retiramos minha caixa e saímos em direção ao Hard Rock para comprar meu copo e minha camiseta, já que não rolaria almoço mesmo. Chegando lá, enquanto eu escolhia a camiseta, lá vem Gabi toda feliz, dizendo que a gente conseguiria comer light se mudasse algumas coisas nos pratos, o que foi confirmado pela recepcionista do restaurante. Então, é pra já! Larguei tudo e fui me sentar à mesa radiante. Comer até papel preparado pelo Hard Rock deve ser delicioso!

Escolhi um salmão grelhado com purê de batatas, que apesar de estar um pouco demais caprichada no sal, estava magnífico. E a pior escolha do cardápio que fiz, mas que eu resolvi arriscar assim mesmo, foi a minha salve-salve pink lemonade de sempre. Desarranjo intestinal não combina com frutas como morango e nem muito açúcar, mas fosse o que Deus quisesse. Para levar o copo para casa, sai infinitamente mais barato se você tomar a bebida que é vendida nele do que se comprar ele sozinho na loja. E abaixo, a cara de uma aventureira feliz.

Devidamente alimentadas, passamos na loja do HR, peguei minha camiseta e meu copo, e saí “satisfeitissíssima”, e fomos caminhando pela Royal Street, que começava cheia de lojas de antiguidades de cair o queixo. Cada coisa que me deixou até depressiva por ser pobre.

Uma das muitas galerias de arte na Royal Street

E depois de alguns brechós, vieram galerias de arte, lojas de souveirs e várias outras, onde fomos entrando e saindo para ver se achávamos algo do nosso interesse. E eu achei uma loja suuuper legal, para quem curte cozinhar spicy food: Magnolia Sugar & Spice.

Vejam esse “pequeno frasquinho” de Tabasco. Para quem não sabe, o estado da Louisiana é a terra da Tabasco, e é fabricada na Ilha de Avery (que de ilha só tem o nome), que fica a cerca de 260 km de New Orleans. Por toda parte aqui você consegue encontrar de miniaturas a galões de molho de pimenta, como esse da foto acima.

E apesar de ter adorado tudo, não comprei nada, porque eu já comprei tempero em outra loja, e se não usar empedra ou então fica com sabor de coisa velha. E saímos rodando mais lojas.

Loja de famosos doces locais (Pralines)

 

Tabasco até no chocolate

New Orleans é famosa pelo Mardi Gras, o carnaval de rua que é celebrado em toda a Louisiana, e muito se parece com o carnaval de Veneza (no quesito “trajes”, pelo menos). Há muitas lojas que vendem as lindas máscaras Venezianas, cheias de plumas coloridas, com a única diferença que elas são made in China, e são feitas de “prástico”, e não de papel machê, como é em Veneza. Como muitas aqui devem saber, eu coleciono máscaras, e as minhas preferidas são justamente as de Veneza (e de quem não é?). Eu fiquei doida com muitas máscaras lindas, mas além de eu não ter mais espaço na minha casa para mais uma máscara, eu fiquei com medo de quebrar as plumas nas malas cheias de molho de salada Caesar e potes de Coffee Mate, rsrsrsr. Até que eram relativamente baratas; cerca de 20 dólares as maiores. Tinha que ser barato; afinal de contas, é “prástico”!

E seguimos em direção ao Lafitte’s, novamente (o bar dos piratas que sobreviveu aos dois incêndios de NOLA), porque Gabi queria tirar fotos durante o dia. E lá fomos nós, olhando a linda arquitetura dos prédios.

E a gargalhada do dia ficou por conta dessa casa na foto abaixo, que estava à venda. Duas placas de dois corretores diferentes penduradas uma abaixo da outra, e uma outra plaquinha, embaixo das duas, com um inusitado aviso: de que a casa não é assombrada, rsrsrsrsrsr. Rimos tanto que tivemos que fotar isso.

Achamos graça, mas verdadeiramente há quem diga que há muitas casas assombradas em NOLA, onde à noite se vê portas abrindo sem vento, luzes piscando, coisas que mudam misteriosamente de lugar, se sente cheiros ou se ouvem barulhos incomuns à casa. Mas pra comprar casa aqui, tem que ser assombrada, neah, senão perde o glamour da coisa. E caminhando, logo chegamos ao Lafitte’s novamente.

Tiramos as fotos, Gabi foi ao banheiro. Fiquei imaginando se teria baldes de madeira com alças de corda em vez de vasos sanitários, rsrsrsrsr. Mas ela disse que é um banheiro normal (óbvio), bonitinho e limpo.

E saindo dali, seguimos para o French Market, onde fomos ontem, para podermos ver qual era. E no meio do caminho, passávamos por várias das muitas charretes da cidade.

E chegando ao French Market, entrei para ver o que tinha lá. Sinceramente, é blé! Primeiramente tem uma parte de comidas, depois uns artesanatos meio bregas, como cabeças e patas de jacarés empalhadas, roupas bicho grilo e coisas assim. Achei meio brejinho, mas certamente há quem goste. Como todos sabemos, gosto não se discute.

Nesse ponto do dia, eu estava sentindo uma dor nas costas muito grande e já caminhava me arrastando. Em toda viagem é batata eu sentir dor nas costas, mas essa estava diferente das tantas outras que já senti. Meu celular caiu no chão, e quando fui me abaixar pra pegar quase vi Jesus. Senti uma dor tão grande que achei que tinha morrido. Sabe aquela dor que dá uma travada em você, que se você se mexer um milímetro parece que você nunca mais vai conseguir sair do lugar? É essa mesma!

Eu sentei várias vezes enquanto Gabi olhava as coisas. E fiquei tentando imaginar que diacho tinha causado isso. Adivinha! Quem leu o post com atenção desde o início vai acertar de primeira, senão, eu falo. Foi a bendita mala pesada que eu, super heroína, levantei sozinha sem a mínima postura correta. Mas ainda assim eu consegui me arrastar até uma loja que só vende enfeites natalinos. Eu acho esse lance de Natal legal, e tal, mas não sou super fã de Natal. Mas qualquer ser que entre nessa loja fica simplesmente doido. Tem cada coisa linda pra enfeitar árvores e a casa. Se eu fico doida, imagino como deve ficar quem ama Natal.

Eu filmei mais do que tirei fotos, então, mais detalhes vocês só conseguirão ver melhor nos vídeos que eu vou postar quando voltar pra casa.

Eu não estava me aguentando em pé. Comprei uma rena para uma amiga e resolvi ir embora. Como Gabi não queria ir comigo, eu resolvi pegar um Lyft sozinha e ir, enquanto ela continuava a bater a perna dela. Levei duas horas pra conseguir sentar no carro, e até fiquei com vergonha, porque eu realmente estava parecendo a esposa de Matusalém. E sair do carro foi tão difícil quanto entrar. E eu, ainda heroína, disse para o motorista que ele não precisava sair para me ajudar, mesmo tendo se oferecido. Enfim, cheguei no hotel eram 4 horas da tarde. Foi um parto tirar a roupa. Tomei um banho e me acomodei na cama para descansar as costas. Tomei um Aleve (relaxante muscular) para aliviar a dor e aproveitei meu momento de solidão para atualizar o post de hoje. A boa notícia é que descobri que o remédio que o médico passou foi sucesso total, rsrsrsrrs. E por conta disso vamos comer novamente no Hard Rock, porque o frango grelhado com purê de batatas foi a comida mais barata que comemos até agora: 10 doletas. Como não amar? Barata e deliciosa. E pensar que eu comi a merrrrrrda daquele prato de ontem por 20 dólares.

Saímos e fomos caminhando até o Hard Rock. Como estava mais frio, saímos com o casaco pesado. E chegando lá, eu arrisquei comer um prato local chamado Gumbo, que é um ensopado caprichado no caldo com tempero Cajun, frango e linguiça andouille, que é tipo a nossa calabresa grossa no braseel, e arroz. Não achei muito apimentado e eu simplesmente amei o trem. E como não me fez mal algum, eu me animei a comer no dia seguinte.

 

New Orleans – Dia 2

A noite me foi tenebrosa. Não foi uma boa ideia comer aquele Muffuletta com a minha situação “delicada”. O problema foi a azeitoninha… Pois é, eu parecia mais uma violeta, não saía do vaso, rsrsrsrs. Quase tomei uma overdose de remédios para poder contornar a situação para estar inteira para o dia seguinte. Apelei até para acupuntura, com orientações da minha cunhadinha no braseeel. E com certeza algum dos métodos funcionou, porque durante o dia não precisei mais ficar sobressaltada, apesar da condição ainda requerer cuidados.

Levantamos numa temperatura de 11 graus, tomamos um banho, nos arrumamos e saímos. Fomos caminhando até uma Walgreens que tem aqui perto, e lá compramos uns biscoitos e isotônicos. O ponto do “bonde” ali do ladinho, e por 1,25 doletas embarcamos, descendo no ponto Washington, no Garden District, onde iríamos encontrar nosso novo guia para mais um walking tour, cujo ponto de partida era na esquina do primeiro cemitério da cidade.

Como chegamos meia hora mais cedo, entramos em um pequeno shopping para dar uma olhada, mas não compramos nada.

 

Logo encontramos Daniel, um sujeito muito simpático, a quem eu conseguia entender lindamente. Esperamos o grupo se reunir todo e começamos o tour pelo cemitério, que estava fechado para reformas. Mas apesar disso, ele nos contou a história pelo lado de fora do portão mesmo. E dali fomos caminhando até encontrarmos algumas casas, que pertenceram a um governador e até a Nicholas Cage, que, pasmem, perdeu a casa para a prefeitura da cidade, porque devia 6 milhões em impostos nunca pagos.

Fiquei maravilhada com a arquitetura, e principalmente com a riqueza de detalhes. Tinha uma casa com a cerca em ferro fundido toda feita de “espigas de milho” e ervilhas (depois posto as fotos). Aliás, muitos detalhes lindos das caras eram feitas em ferro fundido. Muitas das casas por NOLA têm amarradores de cavalos, e algumas com mais de 10 amarradores na calçada. Esses amarradores são basicamente postezinhos em ferro fundido, com uma cabeça de cavalo no topo e uma argola na boca, onde se amarravam as rédeas dos cavalos selados.

Em vez de postes com nomes das ruas, os nomes estão nas calçadas em cada esquina

O tour durou 2 horas, e não terminou no ponto de partida como foi o tour do dia anterior. Gabi queria ir conhecer um determinado restaurante, e quem sabe almoçarmos lá, mas o cardápio não ajudava muito, e a sopa do dia era couve-flor com queijo brie. Adorei a sugestão, mas nada boa para nossa “condição delicada”. Mas certamente farei dia desses na minha casa – de preferência no inverno, heheheh.

Pegamos um Lyft, e por 8 doletas chegamos ao Walmart, que era bem próximo, mas não o suficiente para eu não chegar morta se tivesse ido a pé.

Não era um Walmart como o de Dallas, mas deu pra quebrar um galho. Achei que a variedade de itens deixou um pouco a desejar, mas pelo menos consegui comprar meu adaptador para o notebook, que salvou nosso diário de viagem. Ficamos cerca de 2 horas e meia lá, e após pegarmos tudo o que nos interessava, fomos para o caixa pagar. Tive um “prejuízo” 270 dólares no mercado, rsrsrsrs.

Pegamos outro Lyft até o hotel. Mais 11 doletas, com direito a um motorista ultra simpático, em um carro em cujo porta-malas poderia até  dormir um casal, de tão grande que era. E ao chegarmos, pegamos o carrinho de bagagens do hotel e colocamos as sacolas para levarmos para o quarto.

Como a “lady Murphy” nunca nos abandona, ao chegarmos na porta do quarto nenhuma das duas chaves-cartão funcionaram. Eu, doida pra sentar e arrancar a roupa, tive que esperar uns 10 minutos até Gabriela voltar. Enquanto esperava, eu olhava para o final do longo corredor, na expectativa de ver Gabriela voltando. No meio do caminho havia um carrinho das arrumadeiras cheios de tralhas em cima. De dentro de um quarto na frente do carrinho saiu um casal, que até então não tinha me visto. O homem, que estava de costas para mim, passou a mão em algo do carrinho e enfiou dentro do quarto. E nesse momento a mulher me viu e fez aquelas caras e bocas para o marido para sinalizar que havia alguém olhando. Nesse momento, depois de já ter posto o treco dentro do quarto, o cara olhou para trás e me viu. Isso incomodou a vocês? Nem a ele. E eu pensei… “é… tem gente safada em todo canto!”. E enquanto eu xingava os safados em pensamento, ali vinha Gabriela com as chaves que finalmente já funcionavam.

Passava das 16 horas quando colocamos todas as coisas no chão do quarto e arranquei minha roupa do corpo. E enquanto Gabriela levava o carrinho lá embaixo, eu fui fazer um sanduíche de pão de forma branco com peito de peru defumado. Até então não tínhamos comido nada, e eu estava urrando de fome. Gabi resolveu atacar o frango assado que comprou.

De estômago cheio, comecei a arrumar a mala com as coisas recém-compradas e vi que ainda há espaço para mais coisinhas, heheheh. Ainda temos o shopping pra ir.

Depois de tudo arrumado, deitei um pouquinho para esticar a coluna e comecei a atualizar o post de ontem, mas tive que interromper porque Gabriela tinha agendado outro walking tour. Desta vez, um ghost tour, que iniciaria às 19:30.

Vestida novamente, descemos e fomos caminhando até a praça Jackson novamente, onde encontramos quem??? STACEY! Isso mesmo, a mesma guia de ontem, hehehehe.

Ela é uma moça bem gorducha de seus cerca de 25 anos, que ontem usava um vestido todo largão e ultracolorido, com barra da saia cheia de pontas, umas botas de glitter e um poncho de tricô. Hoje ela usava o mesmo poncho marfim e cinza sobre uma blusa de tricô de manga comprida preta com somente a parte do tronco (frente e costas) pintada de dourado (só as mangas pretas), e uma saia de tecido leve relativamente normal (mais “normal”, com cores menos alarmantes), mas desta vez estava de chinelos porque tinha acabado de pintar as unhas de esmalte com glitter vermelho, rsrsrs. Uma figuraça!

E fomos caminhando, já noite pela cidade, onde ela contou detalhes sobre o porquê de a cidade ser famosa por aparições fantasmagóricas. Basicamente tudo se deve à época dos incêndios, onde morreu muita gente, com 80% das casas destruídas. Dizem que até hoje pessoas veem fantasmas, e em um determinado restaurante, de 2005 pra cá, segundo a guia, teve o mesmo fenômeno ocorrido 5 vezes, que é uma taça de vinho levitar e ser atirada contra uma parede. Sinceramente, eu acho que só acreditaria vendo. Essas histórias de fantasmas são interessantes, mas acho que a gente só crê mesmo se a gente mesmo presenciar.

Enfim, foram muitas histórias interessantes, que fazem o tour valer a pena (só a peculiaridade da guia já faz valer a pena). E apesar de o tour ser “gratuito”, é sugerido que você contribua com o que achar que pagará pelo que você recebeu no tour. E de ontem pra hoje, ela recebeu de nós 25 dólares. Nem quero converter isso em real, senão surto. Vou fazer de conta que são 25 reais, porque pra eles, são meros 25 dólares.

Já passavam das 22 horas quando voltamos caminhando pelas ruas, observando a vida noturna da cidade. Não tinha muita gente. Aliás, achei as ruas bem vazias, com duas dúzias de gatos pingados. Na área que tem bares, cada bar tocava sua música, de estilos para todos os gostos, e em um volume tão alto que a gente quase não conseguia distinguir uma música da outra. Era uma salada musical. E não mentiram quando falaram dos bêbados. É muita gente bêbada ou bicho-grilo nas ruas. Aqui maconha é liberada, e tem inclusive uma loja que vende, lá na meiúca.

Entramos num mercadinho para olhar, e compramos umas bobeirinhas. E voltando a caminhar, resolvemos procurar um restaurante para comermos algo. Olhamos alguns mas nenhum tinha nada interessante. Achamos um “marromeno” e entramos. Expliquei à garçonete que não podíamos comer comida com muito tempero, e ela sugeriu-me um linguine com molho de tomate, frango, cogumelos… faltou falar da linguiça. E quando meu prato chegou, descobri que algo não iria cair bem. Só não ficou mais gostoso porque não usaram molho de tomate natural. Ninguém merece macarrão com molho de tomate pronto. Me perdoe (de joelhos) quem gosta, mas acho que é assim a melhor forma de destruir a maravilha que é uma boa massa.

E preocupada com o prato semiapimentado que acabara de comer, paguei a conta e voltamos para o hotel, onde tirei minha roupa, tomei meu banho e deitei para escrever o post de hoje. Então, agora, só estou devendo as fotos.

Amanhã acordaremos para mais um walking tour, desta vez no cemitério. Até lá.

New Orleans – Enfim, Dia 1

Depois de termos chegado em casa às 4 da manhã, acabei acordando às 7 horas. Como disse ontem, algo nos desarranjou, e além disso, eu estava sentindo tanta dor no corpo que parecia que eu tinha levado uma surra. Isso quase me fez desistir da viagem, porque eu estava realmente muito mal. Eu só decidi viajar porque eu havia comprado algumas coisas pela internet para entrega no hotel e no Amazon Locker, e tinha que buscar tudo, já que não foi barato.

Usando o voucher que a companhia aérea nos deu, às 18 horas pegamos um táxi para o aeroporto. Passamos por todo o processo novamente, até o embarque, e eu estava mais morta do que viva. Mal conseguia ficar em pé

Desta vez, tudo correu bem, e conseguimos embarcar e decolar. Estava com medo de comer, mas estava com muita fome. No jantar, serviram carne seca desfiada com arroz e abóbora, com um cheesecake com goiabada. Arrisquei e comi. Tudo correu bem, com exceção da dor no corpo e dor de cabeça, que não me abandonaram, e por causa disso, dormi muito, muito mal. Na verdade, dormir em avião nunca é bom, né. Querer ir deitada sozinha nas poltronas do meio toda vez é pedir demais, não é mesmo?

Gabi levantava toda hora para ir ao banheiro, e isso foi mais uma coisa que me impediu de descansar direito, porque eu estava sentada no corredor. Eu devia ter sido mais inteligente e trocado de lugar com ela, para eu não ter que levantar toda hora. E o resumo da ópera, é que esse foi um dos piores voos que já fiz na vida. Mas entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

 

Chegamos em Atlanta e demos a sorte de sermos umas das primeiras 50 pessoas de uma fila que devia ter mais de 500 na imigração. Carimbamos nossos passaportes e saímos para recolher as malas e redespachamos para New Orleans (NOLA). Gabi acabou sendo “sorteada” para um full screaning, ou seja, abrir a mala para verem o que ela levava. Eu saí e fiquei bastante tempo esperando por ela. Cheguei até a começar a me preocupar. Mas depois de uns 15 minutos, lá vinha ela, com a mala sem a capa, que ela teve que recolocar para despachar para NOLA.

Passamos mais uma vez pelo raio-X e seguimos para nossa conexão para New Orleans. O voo foi rápido, mas não deu tempo de pegar o ônibus que sai do aeroporto e que vai para o French Quarter, que é a zona turística de New Orleans. Depois das 9 horas, o próximo ônibus é somente às 14h, e foi realmente uma lástima, porque o preço do busão era 3 dólares. Acabamos, então, pagando 33 doletas num Lyft, que é um concorrente da Uber nos EUA, até o hotel.  E pertinho do hotel, fica o hotel em parceria com o Hard Rock, que recentemente desmoronou durante a construção, matando alguns trabalhadores, que foi notícia em todo o mundo.

 

Em torno de 10 e pouca da manhã chegamos ao hotel, New Orleans Chateau Le Moyne, que tem um quarto bem espaçoso, com uma cama de casal para cada uma. A única coisa que não gostei muito é que a temperatura da água é deveras temperamental. Ora fica fria, ora quente demais. Não ficava na temperatura que eu gostaria que ficasse, mesmo não mexendo no registro.

Enfim, tomamos um banho e caímos na cama, porque nossa condição de saúde realmente acabou com qualquer boa disposição que normalmente teríamos num início de viagem. Dormimos até 13 horas mais ou menos, porque Gabi tinha agendado um tour a pé.

Nos arrumamos e saímos caminhando rumo ao ponto de encontro, na Praça Jackson. Por toda a cidade, em muitas lojas e até em casas, podem-se ver essas lamparinas, sendo que muitas delas são originais, e datam de 1830. Hoje a grande maioria é a gás, desde aquela época (algumas adotaram a modernidade das lâmpadas). Segundo a guia, uma empresa de gás se instalou na cidade naquela época, e todos substituíram os “óleos fedorentos” pelo gás.

Andávamos e íamos observando os arredores. Passamos pelo Museu da Farmácia, que pretendemos visitar depois.

Em várias ruas, há os seus antigos nomes escritos em azulejos pintados, de quando NOLA era capital da Louisiana espanhola.

Estávamos morrendo de sede, e fomos até o famoso Cafe Du Monde (CDM), para comprar um refrigerante. Era tudo o que menos podíamos tomar, mas eles não vendiam água. Acabamos pedindo uma coca zero mesmo. Pretendemos voltar no CDM depois que ficarmos boas.

Logo, chegamos à Praça Jackson, onde encontramos Stacey e um pequeno grupo de pessoas. Logo saímos para o tour, que durou cerca de 2 horas.

Passamos por vários pontos de interesse histórico da cidade, que tem 300 anos (sim, Hell de Janeiro é mais antigo 150 anos). Eu fui acompanhando o tour, mas confesso que não entendia patavinas do que Stacey falava, porque ela falava rápido demais, e eu ainda tenho meu problema de surdez.

Muitos prédios de esquina aqui são muito parecidos; são arredondados e têm sacadas onde penduram samambaias. Ficam simplesmente lindos.

Penso que todos tais prédios sejam comerciais – pelo menos os que prestei atenção, eram.

Enfim, chegamos à Praça Jackson, e encontramos Stacey, que nos contou que a Praça foi palco de muitas manifestações e condenações / tortura. Os torturados tinham todos os seus ossos quebrados, com o cuidado de não danificarem nenhum dos órgãos internos, para que o torturado sofresse o máximo possível até morrer. O que viveu mais tempo durou 9 dias.

Dali ela foi nos contando algumas curiosidades sobre a cidade, mas de todas elas, a que mais curti foi o Lafitte’s Blacksmith Shop, o primeiro bar dos Estados Unidos, construído entre 1722 e 1732. O bar, juntamente com o convento, foram as duas únicas construções que sobreviveram aos dois incêndios que destruíram a cidade. Coincidência?

O bar era muito frequentado por piratas, e até hoje, apesar de fios elétricos estarem à vista nas paredes e tetos, devido aos aparelhos de som e eletrodomésticos, a iluminação interna é toda a luz de velas, como era naquela época, o que torna o lugar mais aconchegante, apesar da sua cara de Outlander (muito antiga).

Terminado o tour, por volta de 16h, fomos procurar um bar de 105 anos chamado Napoleon House. Segundo a guia do tour, era lá que vendia o Muffuletta mais gostoso da cidade. É basicamente um sanduichão italiano, recheado com queijos, presunto e salami, com um molho de azeitonas, de-li-ci-o-so!  Como a moça havia dito que o sanduíche inteiro era do tamanho de um prato, já sabíamos que deveríamos pedir metade. Foi a conta para nossa fome.

O único problema de você viajar para uma cidade cuja culinária é famosa por ser muito condimentada, é que na condição em que estamos, com intoxicação alimentar, nada é muito recomendado para comermos. Passamos por tantos restaurantes de frutos do mar, e eu não posso nem pensar em chegar perto de um camarão ou um molho cajun.

Bem, saímos do bar e fomos a uma CVS para comprarmos mais lenços umedecidos. Eles nunca nos serviram tanto, rsrsrsr. Aproveitei e comprei um remédio para tratar da nossa “condição delicada”. Espero de verdade que a gente consiga pelo menos aproveitar os últimos dias da viagem bem.

Da farmácia, viemos para o hotel, onde eu deitei para dormir um pouco – era cerca de 19 horas. Apesar do desânimo, mais tarde um pouco levantei e resolvi escrever. O problema agora seria encontrar um adaptador de tomada para meu notebook, senão não poderia mais escrever os próximos posts.

 

New Orleans – A volta das que não foram

*** 12:20h ***

E a aventura começa hoje: New Orleans.

Para quem não sabe, Nova Orleans é a cidade mais populosa do estado da Louisiana, nos EUA. Foi fundada originalmente por exploradores franceses, em 1718, com o nome de Nouvelle Orléans. A cidade é o centro portuário mais movimentado do Estados Unidos, e o quarto mais movimentado do mundo, devido à sua localização próxima ao Golfo do México e do famoso Rio Mississipi. Além da indústria petroleira, o turismo é a fonte primária de renda da cidade, que é muito conhecida pela sua música e culinária de origem Cajun/Créole. Se quiser saber mais um pouco dessa cidade, clique aqui.

Fomos dormir quase às 2 da manhã de hoje. Eu estava ainda fazendo um trabalho, e como queria entregar logo, acabei indo dormir tarde, e mortinha. E não diferente de sempre, às 7 da manhã eu já estava de pé, pois perdi o sono. Já vi que a noite será punk.

Sairemos de casa hoje por volta das 17 horas. O voo é quase às 23 horas, mas como eu não gosto de ficar pensando que vamos perder o voo mais uma vez, como aconteceu uma única vez na minha vida, ou que vamos passar pelo perrengue de chegar em cima do laço, prefiro chegar mais cedo e ficar lá no aeroporto de bunda-lelê esperando com calma para não haver atropelos.

Como fiz na minha última viagem para Dallas em junho deste ano, vou ficar mais uma vez na sala VIP do aeroporto, onde a espera é muito mais confortável (e apetitosa). Gostei da brincadeira de passar o tempo de espera pelo voo desfrutando de conforto, comidas e bebidas à vontade, e descobri que se comprar o voucher pela internet sai 25,00 mais barato do que pagando lá na hora. Para os usuários do aeroporto do Galeão, deixo aqui o link para a compra do voucher.

Você pode ficar lá por 3 horas (no site diz 2 horas, mas eles dão 1 hora a mais de cortesia – e isso não está informado no site). Eu achei que vale super a pena, e com certeza eu ficarei lá sempre, antes de cada viagem. Dá até para tomar banho se a pessoa quiser, pois tem instalações/facilidades para isso.

Vou atualizando os posts diários conforme forem acontecendo os fatos.

** 20:16 **

Tirei um cochilinho à tarde porque estava um caco da noite mal dormida. Acordei perto de 17 horas, e comecei a arrumar tudo para sairmos às 18 h. Já que teríamos que entrar na sala VIP às 19, daria tempo de fazer o checki-in, despachar a bagagem e fazer o check de segurança.

Entramos na sala VIP exatamente às 19 horas, e já cheguei pegando uma taça de vinho branco geladinho, o que não fiz da vez anterior. Gabi ficou maravilhada com o glamour e conforto do ambiente, e tirou muitas fotos e fez muitas postagens no seu Instagram. Eu fui mais singela, e postei só uma foto, porque eu já tirei muitas fotos daqui quando vim da outra vez.

Hoje comi frango ao curry com batatas coradas, e depois petisquei um pouco de pão de queijo e wrap de frango. Infelizmente, desta vez não tinha aquele bolo de fubá com goiabada cremosa que comi da outra vez, mas de certa forma achei até bom, hheheheheh, porque minha cota de calorias foi toda nas 3 taças de vinho que tomei. Pra não sair de pernas cambaleantes, parei na terceira taça (cheia) mesmo, e depois ataquei um capuccino. Falta pouco mais de uma hora para iniciar o embarque, e estamos aqui relaxando, esperando a hora de embarcar. Enquanto isso, navego pela internet e rio à toa sob o efeito inebriante do pouco de vinho que tomei, porque é muito bom estar aqui, e saber que amanhã de manhã estarei em solo americano, iniciando uma jornada que espero ser inesquecível.

Eu realmente não posso querer muito mais da minha vida. Tirando as arrobas a mais no corpitcho, minha vida está mais do que perfeita. Como sempre digo, se morresse hoje, morreria feliz. Viajar é o que mais amo na vida, depois da minha filha, e viajar com ela é tudo de mais perfeito no mundo, pra mim.

*** 01/12/2019 ***

Pois é gente, voltei pra casa. Embarcamos às 22:30, e quando estávamos já todos acomodados, a decolagem foi sendo constantemente adiada, até que, após quase 4 horas de espera, informaram que o voo seria cancelado. Eram 2 da manhã quando pegamos nossas bagagens e pegamos um voucher de táxi para voltar para casa e para voltar para o aeroporto hoje à noite, quando tivemos nosso voo remarcado.

A novela agora é o dia de hotel que perdemos, e que queremos que a companhia aérea ou reembolse a diária perdida ou nos acomode em outro hotel, já que o hotel onde ficaremos não tem disponibilidade para nos acomodar por mais um dia.

Aí vem a neura: mais uma coisa me impedindo de viajar???? Aff! Se eu nunca mais escrever aqui no blog, já sabem que o avião caiu, rsrsrsrrs

E olhem que coisa “boa”. Além de termos perdido o voo, amanhecemos desarranjadas. Não sabemos se foi a comida do almoço ou a da sala VIP. Acho que traumatizei. E agora, é saber se vamos conseguir viajar decentemente, já que estamos nessa condição periclitante de saúde.

Sempre tem uma primeira vez. Isso nunca aconteceu conosco. Agora é esperar.

Cenas dos próximos capítulos.