Em Busca do Sonho

Desde que minha filha voltou do seu intercâmbio de 3 meses na Disney em Orlando no final de 2014, ela chama o Mickey de boss. Eu fiquei fascinada quando conheci a Disney, mas nada se compara à fascinação que minha filha incorporou lá.

Ela voltou de lá com um objetivo em mente, terminar a faculdade e fazer o intercâmbio de pós-formação na faculdade.

Lá pra outubro do ano passado finalmente abriram as inscrições. Como ela já estava às vésperas de se formar, ela se inscreveu, juntamente com a amiga de infância que mora no mesmo prédio que ela, e que também fez o intercâmbio junto com ela em 2014. Foi um processo seletivo contínuo, onde pessoas se inscreviam e eram aprovadas ou reprovadas semana a semana.

Apesar de a amiga dela ter se inscrevido depois dela, o resultado dela saiu antes. E isso começou a causar uma angústia muito grande na minha filha, porque ela começou a ser tomada por dúvidas e insegurança. Por que motivo a amiga recebeu o resultado antes?

Um belo dia, eu estava esperando minha filha para almoçar num restaurante perto do trabalho dela. Enquanto esperava, eu batia papo com a simpática senhora que entregava as comandas na porta do pequeno restaurante. De repente minha filha chegou e se sentou à mesa onde eu estava sentada esperando por ela. Assim que ela sentou, o telefone dela vibrou e ela olhou. Instantaneamente ela abriu um berreiro. O e-mail que recebera informava que lamentavelmente ainda não tinha sido desta vez que ela seria aceita para o intercâmbio, e ela ficou inconsolável. Chorava quase de soluçar. E a senhora que estava sentada a uns 2 m de distância olhava a cena com tristeza, talvez imaginando, assim como eu, o motivo do “berreiro”.

Eu tomei um susto. Achei logo que tinha morrido alguém. E depois de arrancar o telefone da mão dela, já que ela não conseguia me contar o que tinha acontecido, eu me acalmei e comecei a conversar com ela. O que tem que ser, será. Se não foi desta vez, é porque não era o momento. E apesar de ela ter sido rejeitada, no e-mail eles perguntavam se ela ainda estaria disposta a esperar caso surgisse outra oportunidade, para o que ela respondeu que sim.

Ela praticamente perdeu a fome, e comeu muito pouco. E a senhora, coitada, olhava para ela com tristeza, sabe-se lá o que se passava pela sua cabeça.

Depois que pagamos e entregamos os canhotos da comanda para a senhora, ela começou uma longa dissertação sobre não se decepcionar com pessoas, pois as pessoas têm o poder de fazer outras pessoas sofrerem. E até contou um caso por que passara sua filha, e bla bla bla. Eu e Gabi nos entreolhávamos, e quase rimos, porque a senhora nem sabia do que se tratava, e engatou uma primeira e acelerou num “motivo” que não tinha nada a ver com o motivo da tristeza da Gabi.

Saímos dali tristes e rindo, ao mesmo tempo. Ela triste porque não fora aprovada. Eu triste porque ela estava triste.

Passou o Natal, passou o Ano Novo, passou o Carnaval. Muitos dos amigos da Gabi que ela conheceu lá na Disney em 2014, que também tinham se inscrevido, já tinham desistido de esperar o chamado e já estavam seguindo outros planos.

Um belo dia eu estava esperando Gabi sentada lá no fundo da Starbucks, esperando ela comprar nossas bebidas. Eu estava distraída olhando o telefone, quando de repente vem Gabi correndo até mim, e mais uma vez aos prantos. Dessa vez a coisa foi pior. Ela já estava soluçando e já tinha a cara toda esbugalhada de choro. Todos à nossa volta olharam assustados sem entender o que se passava, e eu chacoalhava ela, desesperada querendo saber o que tinha acontecido. Ela chorando e rindo ao mesmo tempo me mostrou o e-mail que dizia que ela tinha sido aprovada. Era uma felicidade que não cabia no peito dela.

Data de apresentação: 4 de junho de 2018. Isso mesmo. Amanhã!

Desde o dia em que ela foi aprovada até esta manhã ela contava os segundos, principalmente para pedir demissão do seu emprego, que ela já empurrava com a barriga havia semanas, por causa da contagem regressiva para a viagem. E eu quase não fui ao Rio me despedir dela por medo de não conseguir voltar por causa da crise de combustíveis. Como tudo meio que normalizou na sexta-feira, eu acabei arriscando e indo.

Era 6 da manhã de hoje quando ela me acordou com um sorriso na fuça. E checando e rechecando as malas, estava inquieta esperando dar 8:30 para sair de malas e cuias para o aeroporto.

Ela me pediu para ir com ela, mas assim como em 2014, eu não conseguiria ir. Seria muita “sofrência” para mim. Primeiro, por vê-la partir. Segundo, por vê-la partir SEM MIM, que estou há anos seca pra voltar pra Orlando para conhecer as novidades que foram lançadas desde que estive lá pela última vez em 2013.

A felicidade dela era inversamente proporcional à minha. Quer dizer… eu estou muito désolée, e a única felicidade que consigo sentir é por saber que ela está extremamente feliz.

Enquanto ela estava no aeroporto eufórica com o novo sistema de inspeção de passaportes do Galeão (e-gate), eu estava dirigindo em direção à minha casa, a 200 km de distância dela.

Agora são 17h e eu estou aqui, imaginando como ela está se sentindo, viajando sozinha e “espalhada”, já que a poltrona ao lado dela estava desocupada. Com certeza não iria pregar os olhos, tamanha euforia. Não sei como ela vai se virar sozinha com os novos totens na imigração do aeroporto de Orlando, que não existiam quando ela esteve lá da última vez, mas tenho certeza que ela vai tirar de letra.

Enquanto ela vai ralar muito, feliz da vida, perto do boss, eu vou ficar aqui com dor de corna, esperando passarem esses três meses, não só para amassar minha filhota de novo, mas também para eu sair da seca e poder viajar novamente também, com ela. Sortuda é ela, que volta pro braseeel no final de agosto, fica um mês e viaja de novo, desta vez, para a Europa.

Fico muito feliz por ela. Foram momentos de angústia e tristeza, que foram compensados porque ela não perdeu a esperança e não deixou seu sonho morrer.

Vou ficar todos esses três meses “chocando” minha filha, querendo saber o que fez, o que viu, o que conheceu, o que comeu, o que comprou, etc. Vou basicamente viver o sonho dela por tabela, desejando que eu pudesse estar lá também para voltar a ser criança de novo…

 

 

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Um Som mais Alto

Eu tenho uma doença chamada otosclerose, herdada do meu avô, pai da minha mãe.

A ostoclerose provoca o crescimento de três ossos no ouvido interno e um desses ossos, o estribo, cresce de forma anormal impedindo que estruturas dentro do ouvido trabalhem de um modo correto causando, portanto, perda auditiva. Essa doença é hereditária, mas pode existir até mesmo sem histórico da doença na família. Ambos os ouvidos podem ser afetados, e se não houver tratamento a perda auditiva pode aumentar causando surdez completa.

Meu problema começou na adolescência, e eu percebi que já não ouvia bem. Fui a pelo menos uns 3 médicos na época, e ninguém sabia o que eu tinha. O último médico me recomendou que eu procurasse um especialista bam-bam-bam, chamado Dr. Shiro Tomita. E lá fui eu para Botafogo, na época, para consultar com o médico.

Dr. Shiro não só sabia o que eu tinha, como me explicou o que era a doença, e disse que eu tive sorte de tê-la tido primeiro em um ouvido e não nos dois juntos, que era o que normalmente acontecia. Ele me falou que eu poderia fazer uma cirurgia para retirar o estribo e colocar uma prótese no lugar, e que desta forma eu tornaria a ouvir.

Eu fiz a cirurgia na época pelo plano de saúde, e foi uma cirurgia em que eu fiquei acordada o tempo todo, mas tive que ficar com a cabeça imóvel, e ouvindo todos os ruídos dos trecos que enfiavam no meu canal auditivo. Foi meio agoniante, mas saí da mesa de cirurgia quase duas horas depois e ouvi o primeiro som que marcou essa vitória, que foi o barulho de um avião do lado de fora do hospital. Tive a impressão de que podia ouvir o bater de asas de uma mosca.

Lembro que durante a recuperação saía muito sangue no chumaço de algodão que tinha que ficar enfiado no canal auditivo, mas confesso que outros detalhes da recuperação, como tempo e sintomas, foram apagados da minha memória.

Depois de alguns anos, o outro ouvido começou a ter perda auditiva. Fui no Dr. Shiro novamente, desta vez na Barra da Tijuca, crente crente que seria só operar e voilá! Infelizmente não tive a mesma sorte. Ele me passou uns remédios que de nada adiantaram, e 3 meses depois voltei lá para ouvi-lo dizer que a doença tinha se desenvolvido de forma diferente da do outro ouvido, e que para meu caso ali só mesmo usando aparelho auditivo.

Meu chão caiu. Fiquei meio desnorteada e tendo a certeza de que usar aparelho seria algo que eu realmente não faria nunca. E vida segue.

Mudei do Rio, e segui trabalhando. Alguns anos depois, comecei a perceber que a situação estava ficando feia pro meu lado, pois meu chefe falava comigo sentado à mesa dele para mim, sentada à minha, a uns talvez 4 metros de distância, e eu não conseguia entender patavinas do que ele dizia. Eu precisava levantar da minha mesa e ir perto dele para entender o que tinha falado.  E foi então que eu caí na real de que se eu não parasse com a palhaçada do preconceito contra o aparelho auditivo, eu ia acabar perdendo meu emprego.

Fui na loja, fiz o molde do canal auditivo e comprei o aparelho. Quando comecei a usar, parece que as nuvens no céu dissiparam e vi um lindo dia de sol. Tudo ficou claro e perfeito. Estava ouvindo maravilhosamente bem. E segui feliz por vários anos, até que meu gato resolveu achar que o aparelho era um inseto perigoso e destroçou o aparelho.

Quando eu retirava o aparelho do ouvido eu abria o compartimento da bateria do aparelho par não gastar. Eu só tirava o aparelho para tomar banho e dormir. Caso o compartimento não ficasse totalmente aberto, o aparelho emitia um som muito agudo, que eu não conseguia ouvir, mas o gato sim.

Um belo dia, tirei o aparelho para tomar banho e deixei na minha mesinha de cabeceira. Troy deve ter ouvido o zumbido do aparelho, que não ficou com a portinha totalmente aberta, e abocanhou o aparelho. Quando saí do banho passei quase meia hora procurando onde eu havia deixado o aparelho, e não consegui entender por que eu não estava encontrando. Olhei até dentro do vaso sanitário! Depois que desisti de procurar, ainda sem entender o que tinha acontecido, desci até a cozinha, e no meio do caminho percebi uns pedaços esquisitos perto da cama do gato; e ali jaziam meus 3 mil reais, triturados pelos dentes vorazes do gato, que deve ter achado que conseguiu exterminar um inimigo.

Fiquei com ódio mortal do gato, e minha vontade foi de matar o desgraçado. E a raiva aumentou mais ainda quando tentei fazer um novo aparelho e descobri que os aparelhos de tecnologia moderna não serviam para mim. Eu usava e não escutava nada. Ou seja, de lá pra cá, assumi a surdez e pronto. E com o passar dos anos, a surdez foi só aumentando.

Dado o meu recente grau de perda auditiva no ouvido direito, com o qual eu já nada ouvia, há cerca de três meses eu resolvi que iria ao Dr. Shiro novamente, para ver se ele se sensibilizaria e resolveria meu problema. Sei que ele disse que cirurgia não adiantaria, mas como se passaram 30 e tantos anos, quem sabe a tecnologia moderna não teria uma solução melhor.

Sem plano de saúde, paguei a consulta (vale quanto pesa) de 700 reais mais o exame de audiometria, e ele mais uma vez me passou um remédio para tomar por 3 meses, que como da primeira vez não resolveu nada. Por fim, quase chorei na frente dele pedindo pelamordi que fizesse a cirurgia, mesmo ele tendo dito que podia dar certo ou não, e que se desse certo não traria toda a minha audição de volta. Paguei para ver, e muito caro.

Consegui reduzir o custo da cirurgia em 1/3 do valor trocando o hospital do procedimento da zona sul do Rio para Niterói e contando com a piedade do médico, que me deu ainda a prótese de presente. Foi mais um pai do que um médico pra mim.

Há 3 semanas atrás eu fiz a cirurgia. Foi diferente desta vez; foi anestesia geral e tive um corte na minha orelha. Acordei na cama do hospital sem ouvir absolutamente nada, diferente do barulhinho do avião que eu nunca esqueci. Ali já fiquei com pé atrás.

Tudo foi diferente mesmo. O ouvido dava uns estalados esquisitos e ficou sangrando vários dias. Meu paladar foi afetado, e eu já não sentia o gosto das comidas direito. Era como se eu estivesse comendo comida de biscuit. Tudo isso só me desanimava ainda mais.

Na semana seguinte fui ansiosa para a consulta de revisão. Lá, Dr. Shiro limpou meu canal auditivo, bateu num diapasão e colocou na frente da minha orelha. “Está ouvindo alguma coisa?”, ele perguntou. Respondi que não. Percebi pelo semblante dele que, ops, tem algo errado. Sendo questionado, ele me disse para esperar umas 3-4 semanas, e para ficar tranquila que o meu paladar voltaria com o tempo.

Na semana seguinte, nada. Fiquei arrasada, acreditando que acontecera o que eu temia: gastei um dinheirão para não ter resultado positivo nenhum. E continuei usando meu tampão de algodão, e vendo meu ouvido ainda soltar secreções e estalando doidamente. Eu realmente não cri que voltaria a ouvir, porque na cirurgia anterior não demorou tanto tempo para eu voltar a ouvir, e nem estalava ou soltava tanta secreção.

Ontem, tomei meu banho (com o tampão no ouvido, como sempre), e ao sair do banho e tirar o tampão para trocar por um novo, algo caiu no chão. Ouvi o barulho tão alto para os meus padrões normais de audição, que eu resolvi estalar os dedos na frente da orelha operada. Ouvi muito alto (para quem não ouvia absolutamente nada). Tampei o outro ouvido e estalei de novo os dedos. OUVI!!!!!

Na mesma hora peguei o telefone e liguei pra minha filha. GENTEM, EU CONSEGUI USAR O TELEFONE NA ORELHA DIREITA PELA PRIMEIRA VEZ EM UNS 20 ANOS E TER UMA CONVERSAÇÃO NORMAL! Eu ouvia tudo! Um som meio estranho, ok, mas entendia tudo. Uma vez ou outra perguntei “o que?”, mas comecei e terminei a conversa com o ouvido operado. Aliás, no início nem foi uma conversa, foi mais um sequência de “ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!”, “não acreditoooooooooooooooo!!!!!”, “socorrooooooo”, do que um diálogo. E Gabriela sem entender nada, até que por fim eu disse que estava falando com ela pelo ouvido operado.

Estava realmente desenganada, acreditando que só porque foi tudo diferente nessa cirurgia, que nada daria certo. Mas eu estava enganada, ainda bem. Acredito que esteja com tipo 50% de audição, mas 50% é melhor do que os 5% que eu tinha.

Agora, e esperar a cicatrização total e fazer os exames. Dia 28 vou no médico novamente, e verei o que será feito.

Estou bastante empolgada. Mesmo que eu não recupere mais muita audição, o médico havia dito que a cirurgia seria suficiente para eu poder usar aparelho novamente. Então, assim que estiver tudo cicatrizado, vou procurar uma empresa de aparelhos auditivos e ver se vai dar certo.

Essa foi uma grande vitória, e foi um sinal de que mesmo já tendo perdido as esperanças, o Deus em que creio me foi fiel!

E a vida segue, agora, ouvindo os passarinhos cantando um pouco mais alto! Yay!!!!

Filosofias do Vinho

Eu já passei por MUITA coisa na minha vida. Muita mesmo. Já perdi as contas de quantas vezes fiquei deprimida e desejei morrer. É surpreendente como nossos estados emocionais têm o poder de exercer uma influência tão forte na nossa vida, de forma que num determinado momento em que tudo o que a gente mais deseja é eliminar a existência da nossa vida, como se isso fosse a melhor decisão a se tomar. Já perdi as contas de quantas vezes eu quis isso.

Hoje eu resolvi tomar um vinho. Eu amo vinho, não só porque é uma bebida dos deuses, deliciosa, mas também porque ele me faz meditar e filosofar sobre a VIDA.

Dizem que é quando você está bêbado é que seu verdadeiro eu aparece. É nessa hora que você realmente mostra o que você deseja da sua vida. Quis morrer muitas vezes, por angústia, tristeza, falta de perspectiva, e por aí vai. Mas fato é que quando eu bebo meu vinho e fico bêbada, tudo o que eu sinto é uma alegria muito grande, e um agradecimento imenso pelo dom da vida.

O dom da vida é uma dádiva! Conseguir viver (com saúde) é uma bênção divina. É claro que uma hora algo vai começar a “pocar”.  A velhice vai chegar, e junto com ela, algumas doenças. Diabetes, artrose, problemas do sedentarismo, e por aí vai. Mas enquanto as doenças não vêm, temos que agradecer todos os dias pela vida.

Quando eu bebo meu vinhozinho eu fico tão feliz! Agradeço tanto a minha existência! Agradeço tanto tudo que eu tive e tive a oportunidade de fazer e ver! Por todos os lugares legais que conheci, por tantas pessoas bacanas com quem convivi pessoalmente e virtualmente, e pelo tanto que aprendi!

Tudo que eu fiz na minha vida. fiz com a consciência de quem sempre tentou fazer o que é correto, sem prejudicar ninguém. E eu realmente espero que nossa vida terrena seja somente um patamar da escada do aperfeiçoamento espiritual.

Não sei se nascemos mais de uma vez. Não sei se existem anjos da guarda. Não sei explicar tantas coisas esquisitas e inexplicáveis que já vi na minha vida, mas uma coisa é certa: a vida é como um livro muuuuuuuuuuuuito longo, tipo 300.000 páginas. Tem hora que o livro fica empolgante e você o devora; tem hora que o livro fica um pé no saco e dá sono; tem hora que o livro é esquecido na gaveta enquanto você acha algo mais interessante pra fazer.

A vida é uma bênção! Não consigo entender como ela é ao mesmo tempo tão insignificante. Tem havido tantas mortes estúpidas e desnecessárias, que eu “bugo”. Assassinatos…. será que precisamos mesmo ter a vida desperdiçada desta forma? Será que todo esse papo de Deus é balela? Se existe um Deus, por que Ele permite que pessoas que são tão boas tenham um fim tão amargo e triste? A cabeça dá nó!

Eu rezo todo dia, pedido a Deus que não permita que eu tenha uma morte violenta. Odeio e amo minha vida, mas a última coisa que eu gostaria é ter uma “morte matada”.

O ser humano mudou muito nas últimas décadas. As pessoas se tornaram egoístas demais, e já não têm o mínimo apreço e respeito pelos outros, e consequentemente, pouco se importam com a vida alheia. Agora é tipo cada um por si e Deus por todos. E o mais engraçado é que se vê muita gente que reclama disso nos outros, e é também egoísta e desrespeitosa. Então, a hipocrisia também impera. É tipo a pessoa que reclama da corrupção do governo, mas não pensa duas vezes para usar o seu bebê para furar aquela fila gigantesca da Caixa Econômica.

É muito triste imaginar que o futuro na Terra será devastador. De certa forma sinto um certo alívio, porque não imagino (nem espero) que eu chegue a ter ainda 30 anos mais de vida, mas eu tenho certeza de que quando eu estiver lá na frente, vou me lembrar do dia de hoje como dias saudosos, porque certamente no futuro tudo estará muito pior. É o ser humano se degenerando, e também degenerando a natureza.

Fiquei muito triste há algumas semanas atrás quando soube que Sudan, o último rinoceronte branco macho do mundo, morreu no Quênia, extinto pela vaidade humana. E fiquei alarmada quando vi a matéria sobre o degelo das calotas polares. E terremotos começam a ser sentidos no braseeel. Tudo está mudando, para o pior.

Ultimamente temos tido muito problema com abastecimento de água no meu bairro. Ficamos uns 5 dias sem cair uma gota de água, mas a minha sorte é que eu tenho uma cisterna de 5000 litros de água, e que sou só eu e minha mãe morando em casa. As plantas da casa consomem mais água do que nós duas juntas. E olha que há décadas há muitos outros lugares no planeta que sofrem com falta de água. Imagino que os humanos estarão se matando uns aos outros por causa de água daqui a uns 30 anos.

Cada gole de vinho é um novo pensamento. Pode ser bom ou ruim, mas o melhor do vinho é que eu durmo como um bebê, e a única lembrança que eu tenho de mais esse semiporre é o texto longo e chato que eu postei no blog, hahahahahahah.

Que Deus nos ajude!

 

Unhas de Acrigel

Desde que abandonei o blog Esmaltaradas eu larguei esse assunto de unhas de lado. Aliás, eu levei muitos meses até que pudesse finalmente fazer as unhas novamente. Fiquei meio traumatizada com tudo o que me aconteceu.

De lá pra cá minhas unhas andavam sempre um lixo. Eu as pintava só quando a situação estava ultra caótica e eu não aguentava ver unhas tão horrendas. Mas nem que eu quisesse eu conseguiria ter unhas bonitas. Estavam sempre fracas e descamando, certamente por conta da alimentação nada saudável que eu tenho tido, bem como cuidado zero com as ditas.

Sempre que saía na rua eu via as vendedoras que me atendiam com unhas lindas e grandes,  e eram todas unhas de acrigel. Tudo bem que algumas eram mal feitas, mas aquilo despertou meu desejo mesmo assim.

Eu já tinha ouvido falar muito dessas unhas. Algumas pessoas que fizeram disseram que as unhas naturais foram pro limbo depois que abandonaram o acrigel, e outras falaram que ter unhas de acrigel é virar escravo de manutenções, caso contrário, fungos e outros problemas certamente surgiriam.

Mas gentem, fazer unha de acrigel e o zoio da cara!!! E a manutenção??? 100 pratas no mínimo pra fazer as manutenções no mês, pois devem ser feitas a cada 15 dias. Haja dinheiro!

Como eu queria muito fazer, mas queria muito não gastar rios de dinheiro, fiz vários “intensivos” no youtube e comprei o kit de acrigel pela internet.

 

O kit completo custou 130,00 mais o frete, e dá para bastantes usos. O que provavelmente precisará de reposição mais rápido é o gel, que se usa muito.

Assim que meu kit chegou, meti as caras. Cuticulei e deixei as unhas preparadas para iniciar a aventura.

Segui à risca as aulas que tive na internet, e logo na primeira unha eu me empolguei, porque ficou exatamente como minha unha natural. E a empolgação aumentou com a segunda unha perfeita.

Eu não quis fazer unhas gigantes porque eu preciso digitar para fazer meu trabalho, e unhas grandes atrapalham a digitação, senão, eu certamente faria unhas maiores.

Quando terminei a primeira mão, fiquei em êxtase! Desejei muito que as unhas durassem bastante.

Fiquei receosa de pintar, pois acrigel não pode ver acetona. Mas eu li que pode usar removedor sem acetona, e meti as caras. Se desse algo errado, eu simplesmente poderia refazer a unha novamente, di gratis, já que eu não precisaria pagar ninguém para fazer. E assim ficou:

Hoje já estou no terceiro dia de unhas novas. Estou agindo normalmente, tendo o cuidado que teria com uma unha natural, sendo que as unhas de acrigel são bem mais resistentes do que a minha unha natural sempre foi. E a melhor parte, é que se quebrar qualquer pedaço, eu posso refazer “de boas”.

Não sei quanto tempo o esmalte (comum) que usei resistirá sobre as unhas acrílicas, mas o que não falta na minha casa é esmalte. Dos 1500 vidros que eu tinha, devo ter hoje uns 600, pois vendi a maior parte depois que abandonei o blog.

Confesso que estou muito feliz com minhas unhas novas, pois sempre tive muita dificuldade de manter e cuidar das unhas naturais na época que eu tinha o blog Esmaltaradas. As unhas ficaram perfeitas, e eu tive o cuidado de afinar bem as pontas, para não ficar igual às muitas unhas grosseiras que eu vi pelas ruas, que de tão grossas se avistava de longe que eram de acrílico. Afinei as bordas, mas mantive a estrutura do ponto de tensão, para que ela se mantenha resistente.

Como foi a primeira vez que fiz, levei o dia inteiro fazendo. Comecei às 8 da manhã e terminei as 23 horas. Nem almocei, de tão absorvida e empolgada que eu estava vendo o resultado de cada dedo.

É lógico que a primeira construção demora mais, ainda mais eu, que sou ultra detalhista e gosto de coisas perfeitas. Levei cerca de 1 hora e 40 minutos em cada unha, e o kit que comprei foi aprovado.

Agora que peguei o jeito, terei unhas longas e lindas pela eternidade (pelo menos enquanto eu ainda tiver visão boa).

Acho que ainda está meio cedo para dar meu parecer definitivo, mas sem dúvida alguma, eu estou me sentindo ultra chyque!!!

Via de Mão Dupla

Eu sempre disse por aí que minha vida é um espelho. Eu reflito aquilo que vem até mim. Se é alegria, alegre ficarei, se é grosseria, grossa me mostrarei, e assim por diante. Eu realmente tento não fazer com os outros o que não gostaria que fizessem comigo, e sempre achei muito importante a gente se pôr no lugar do outro e analisar os fatos antes de tomar uma atitude. Tudo bem que meu impulso natural muitas vezes não me permite isso, mas eu juro que tento não revidar de cara.

Há alguns anos atrás eu trabalhava com uma uma mulher que fazia uns bicos de tradução comigo. Ela tinha seu emprego de meio expediente, e no restante do dia ela fazia os trabalhos que eu passava para ela. Eu passei pelo menos uns 4 anos treinando essa pessoa para que me ajudasse com meu trabalho. Dei muitos chiliques com as asneiras que ela escrevia, mas aos trancos e barrancos ela foi aprendendo.

Em 2013 eu tirei férias, e viajei para os EUA. Deixei uns trabalhos para essa mulher fazer na minha ausência, e estava crente, crente, que quando eu chegasse no braseeel o serviço estaria pelo menos perto de estar concluído. Adivinhe! A dita nem sequer começou a fazer o trabalho. Ela simplesmente arrumou outro emprego e não se deu ao trabalho de me avisar que não faria o serviço. E nisso, meu cliente estava, igual a mim, crente, crente que o serviço seria entregue em breve. E minha cara????

Fiquei sabendo dessa “maravilhosa notícia” quando voltei para o braseeel. Fiquei muito, muito, muito pau da vida. Fiquei mais zangada porque a desgramada nem se deu ao trabalho de mandar um e-mail dizendo que não faria o serviço. Se ela tivesse feito isso, eu teria ao menos avisado ao cliente que houve um acidente de percurso e que não poderia entregar no prazo combinado. Assim, ele teria a opção de conseguir a tempo fazer o serviço com outro profissional.

Eu sei que ficou uma situação MUITO chata. O cliente ficou aborrecido comigo, e obviamente não me passou mais trabalho nenhum. Perdi um cliente por causa do “excesso de gostosura” da mulher, que acha que pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Não preciso dizer que a partir daquele dia eu cortei o papo com ela. Não falei mais nada, e igualmente ela agiu. Muda feito uma porta ficou por 5 anos.

Ontem, abri meu e-mail como todo dia, e adivinhe o que lá tinha! Um e-mail da “totosa” dizendo que “estava com saudades de fazer traduções (nem era de mim!!!), e que estava disponível para fazer trabalhos caso eu precisasse”. Perco o serviço, mas com ela eu não trabalho mais.

Agora veja só… a pessoinha passou 5 anos muda, em silêncio, e nem sequer tentou puxar papo durante esses 5 anos, conversar sobre o assunto, pedir perdão pela merda que fez, encher linguiça, ou sei lá. Não se deu ao trabalho nem de preparar o terreno para dar o bote; foi right to the point. Agora que a situação está cabeluda pra todo mundo, economicamente falando, ela “está com saudades de fazer traduções”. “Eu até me comovi” com tanta gentileza em se oferecer para trabalhar comigo novamente.

Obviamente, joguei o e-mail dela na lixeira e nem me dei ao trabalho de responder. Esse negócio de me procurarem só quando precisam de mim em benefício próprio é algo que eu abomino com todas minhas as forças.

Só procuro quem me procura. Eu costumo ligar ou mandar mensagens para as pessoas de vez em quando, saber como vão, para não perder o contato, mas quando eu percebo que só eu que procuro e me importo, eu dou linha na pipa e nunca mais procuro de novo. Acho muito chato isso de só você procurar. Fica bem claro que a pessoa não está nem aí pra você.

A minha teoria do espelho sempre existirá. Farei com os outros, o que os outros fizerem comigo. Serei gentil se forem gentis comigo. Darei parabéns no aniversário se me derem parabéns no meu. Serei relaxada, se forem relaxados comigo. Serei grossa, se grossos forem comigo. Não procurarei, se não me procurarem.

Algumas pessoas acham um absurdo eu agir dessa forma; acham que eu sou radical demais. Já eu, acho que essas pessoas são idiotas de darem a outra face para baterem, e ficarem correndo atrás dos outros como se fossem um cachorrinho. Cada um no seu quadrado!

Pra mim, a vida é uma via de mão dupla; se você não recebe,  não tem obrigação de dar! Isso é meio antibíblico, mas Deus que me perdoe. Se eu tiver que ir pro inferno por causa disso, infelizmente é pra lá que eu vou, com passagem só de ida, porque para este inferno terreno eu nunca mais quero voltar.

Bom findi!

=)

 

A Formanda

Eu fiz duas faculdades e não terminei nenhuma. Nunca tive o prazer de subir num ‘palco’ e ser aplaudida por receber um canudo. Mas esta noite eu me senti realizada como se formanda fosse. Minha filha teve hoje sua colação de grau, e foi um momento que eu sempre achei que seria uma besteira, mas foi um momento de extrema emoção. Não imaginei que eu ficaria tão emocionada com isso.

Formada em Design por uma das melhores faculdades do Rio de Janeiro na área, a ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), tenho acompanhado o início de uma carreira brilhante. Tenho me surpreendido com o grau de criatividade dela, nos trabalhos que já fez para clientes, e confesso que não imaginava que eu teria uma filha tão talentosa e criativa.

Foi uma emoção muito grande vê-la entrando com sua beca no teatro lotado, e depois caminhar pela “passarela” como uma modelo, em direção ao seu tão almejado canudo; algo que nunca tive o prazer de receber.

Eu sempre rezei pedindo a Deus que não me levasse antes de ver minha filha formada e encaminhada na vida. A primeira etapa se foi. Só falta, agora, ela passar em algum concurso ou processo seletivo de alguma grande empresa, para, enfim, me ver libertada para encontrar meu falecido pai, de quem sinto muita falta.

Tudo o que eu mais queria ver na vida, vi hoje; e não tenho palavras para descrever o tamanho da emoção de ver um filho se formando em uma faculdade renomada e importante.

Sinto, hoje, uma sentimento de dever cumprido. Dei a ela tudo de melhor que pude dar, e que nunca consegui ter. Dei à minha filha tudo o que eu nunca tive oportunidade de ter, e agradeço a Deus por ver que ela mereceu cada centavo que gastei com ela na minha vida. Ela é uma filha que me traz extremo orgulho. Minha melhor amiga, e o bem mais precioso que tenho.

Sua vida parece mudar, depois que você vê um filho seu se formando com louvor. E eu só tenho a agradecer. Deus sempre foi muito bom pra mim. E será melhor ainda, se ainda me conceder mais alguns anos ao lado da minha rebenta.

Namastê!

Desapega!!!!

Normalmente as pessoas são muito apegadas a tudo; a pessoas, a bens materiais e até mesmo a sentimentos.

Por muito tempo na minha vida fui apegada a tudo, mas com o passar dos anos, fui aprendendo que se apegar demais às coisas faz muito mal.

Há alguns anos atrás minha filha ganhou do padrinho e de mim um piano lindo. Por algum tempo ela usufruiu do seu lindo piano, e cuidou dele enquanto morou comigo. Depois que se mudou para o Rio de Janeiro, ela não pôde levar o piano, e ele ficou na minha casa. Ela raramente vai na minha casa, e quando vai, tenta relembrar o que a falta de prática a fez esquecer. Dá umas dedilhadas nas teclas, e logo para. Enfim, o piano virou um elefante branco.

Recentemente, com a descoberta dos cupins, eu a alertei sobre o perigo iminente de os desgraçados descobrirem aquela gigante fonte de celulose, e recomendei que ela vendesse o piano, já que ela não iria mais usar. Ela quase morreu quando eu falei isso. Ela se apegou demais ao piano, porque é um piano muito bem conservado e foi realmente um achado quando foi comprado. Ele foi comprado, na época, por 6500,00.

Ela acabou de se formar, e foi efetivada no emprego, onde era estagiária, e onde ela já não está mais satisfeita. O apartamento onde mora é um ovo, e mesmo que ela tirasse tudo da sala e deixasse só o piano, ele não teria como entrar no apartamento, já que o corredor de acesso ao apartamento é ultra apertado. E como piano não dobra, não teria como enfiá-lo no apartamento. E mesmo que ele entrasse, transportar o piano até o Rio de Janeiro custaria 2000,00; quase metade do seu preço.

Ela não sabe o que fará da vida ainda. Ela vai fazer um novo intercâmbio de trabalho na Disney em junho, e retornará no final de agosto, e pedirá demissão do trabalho atual para isso. Quando voltar, ela não sabe o que fará. Fato é que no Rio de Janeiro eu já disse que não quero que ela more. Então, o piano continuaria ainda muito tempo sujeito aos cupins. E como eles são muito rápidos, correria o risco de já ser tarde demais se eu eventualmente os descobrisse se fartando com o piano. Convenhamos, não dá para tornar uma rotina diária uma inspeção anticupim.

Se transportar o piano para o Rio de Janeiro custaria 2000,00, imagine para São Paulo! Seria quase o preço de comprar um novo. E usando isso como argumento para convencê-la a vender o piano, ela, por fim, chorosa e angustiada, resolveu vender o piano.

Eu disse a ela que esse não é o único piano em perfeito estado do planeta, e que ela poderia comprar outro igual ou melhor. Bastaria guardar o dinheiro na poupança e esquecer dele, até que finalmente estivesse pronta para comprar outro.

Ela rapidamente arrumou uma compradora da minha cidade, que assim como ela, se encantou com a excelente conservação do instrumento. Teve que vender por bem menos que pagou, mas pelo menos livrou o tão amado piano de ser devorado. Continua chorosa, com dor de corna, mas se convenceu de que vender é o melhor a fazer, já que é certo que para minha cidade ela não se mudará mais, já que não tem nada da área de trabalho dela que preste.

Nos desfazermos de algo que gostamos é uma coisa muito difícil. Mas eu realmente acho que já consegui superar isso na minha vida. Estou em um outro patamar de evolução, agora. Deixo tudo ir embora, quando é necessário ir. Pode rolar uma tristeza ou não, dependendo do quanto a coisa ou a pessoa significava para mim, mas também muitas vezes me conformo muito rapidamente.

Lembro quando esqueci meu relógio na bandeja do Raio X no aeroporto de Londres em 2014, e não podia voltar para pegar, senão perderia o voo, e lá ele ficou. Era um relógio Michael Kors com fundo de madrepérola, o que me encantava demais nele. Tentei ver se conseguia comprar outro igual, mas já tinha saído de linha. Fiquei triste um bom tempo, até que surgiu uma boa notícia: uma amiga da minha filha ia fazer um intercâmbio em Londres, e poderia pegar o relógio pra mim no departamento de achados e perdidos do aeroporto. Ele ficou em Londres quase um ano com a menina, mas voltou são e salvo para a mamãe, e hoje está comigo de novo. Foi difícil abandonar a tristeza, embora tenha me conformado rapidamente. Esse final foi feliz, mas nem sempre é assim.

Lembro certa vez, quando eu ainda era “casada”, não lembro por que motivo a bomba de encher o pneu da bicicleta estragou. O “falecido” virou bicho, e ficou puto imediatamente. Eu falei para ele que não tinha necessidade de ficar tão puto, pois tinha sido uma bomba comprada em loja da “1,99”, e tinha sido baratinha. E mesmo que não tivesse sido baratinha, não tinha absolutamente nada naquela bomba que fosse digno de apego. Não houve jeito; ele ficou puto um bom tempo. Ali eu pude ver como ele era apegado demasiadamente a tudo. Para mim era tudo mais fácil: se não tivesse grandes apegos, era só comprar outro, e resolvido o problema!

Hoje, até de pessoas eu me desapego bem, por incrível que pareça. Eu me acostumei a viver sozinha, então eu aprendi a não me apegar demais às pessoas. Se porventura eu me apegar, eu consigo facilmente desapegar. Até quando minha filha se mudou para o Rio de Janeiro, eu achei que seria muito sofrimento, mas nem foi. Passamos a nos falar todos os dias pelo WhatsApp, e tudo ficou bem.

Eu hoje estou em Brasília, na casa do meu irmão. Quando passei no raio X na área de embarque para vir para cá, lembrei que eu não poderia ter colocado na bagagem de mão um palito de inox de fazer unha. A mulher tirou “a arma” (o palito) da mala e o vi descendo lixeira abaixo. Para minha sorte não foi o afastador de cutícula que comprei na Sephora nos EUA, cujo similar nunca consegui encontrar nem aqui e nem mais lá. O palito foi fácil e rápido desapegar, pois até tenho outro igual em casa, mas acho que teria sido mais doloroso se tivesse sido meu afastador de cutícula.

Ser apegado às coisas faz mal, pois eventualmente uma hora teremos que nos separar da coisa. Fato é que não levaremos conosco nada que tenhamos em vida terrena. Então, desapegar é preciso, pois o desapego traz mais tranquilidade e paz de espírito em vida. E quando temos fé (ou talvez sorte), fica mais fácil ainda. Quem sabe não conseguimos algo igual ou melhor (como já aconteceu tantas vezes na minha vida)?

Quem sabe minha filha não conseguirá um piano melhor que o dela, quando finalmente decidir o que fará da vida?

De bens materiais ou pessoas, DESAPEGUE! O desapego é sinal de um novo recomeço!

Beijos!